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Até onde chegamos?

neandertal espelho

         “ Só os santos são realmente humanos”

Abraham Maslow

É curioso pensarmos que, apesar de toda a “tecnologia” que dispomos nos lugares onde temos os melhores recursos médicos, ainda não conseguimos dobrar a expectativa de vida nesses dois mil e doze anos depois do nascimento de Cristo.

Quando lembramos a lenda de Sara, esposa de Abraão, que achou graça quando ouviu que ficaria grávida poderemos entender melhor isso. Disse ela ser impossível, afinal já era uma mulher velha. Importante lembrar que naquela época, poucos passavam dos quarenta anos. Passado todo esse tempo a medicina evoluiu tanto que não temos nem como colocar parâmetro de comparação com a época de Sara. Por outro lado, estudos são praticamente unânimes em afirmar que poderíamos viver bem até, pelo menos, 110 anos…

O que acontece para ainda estarmos longe dessa expectativa?

Penso que a maneira como vivemos ainda está longe de acompanhar os recursos tecnológicos. Na verdade, pouca coisa mudou para melhor e outras ainda pioraram. Ainda estamos em guerra de alguma forma. Da época de Cristo até hoje, não tivemos um dia sequer de paz no mundo. Em algum lugar, seja pelo motivo que for: conquistar territórios com algum tipo de riqueza, motivos religiosos (pasmem!), de ideologia política (essa é ainda mais primitiva e tão absurda quanto a religiosa); os “seres humanos” continuam se matando de forma bárbara. Nenhum animal irracional que habita esse planeta mata sem que sua sobrevivência esteja em jogo ou destrói o lugar onde vive, afinal o fato de ser irracional não quer dizer que seja burro.

Apesar de toda a abundância, continuamos vivendo e educando nossos filhos pelo paradigma da escassez e do medo e nem sequer pensamos em questionar tamanho absurdo. Fomos criados e criamos as futuras gerações com medo, seja de passar necessidades, de ficar só, de não ser reconhecido, etc. Dentro desse modo de pensar, não há corpo que aguente tanta pressão e chegamos ao ponto de termos na ansiedade o mal de século XXI, e nem poderia ser diferente.

O fim das fronteiras econômicas foi fácil de ser conseguido, já que se baseia em um dos nossos mais básicos instintos que é a ambição, ajudou a dissolver da cultura mundial, alguns oásis de bom senso no que se refere à maneira de viver. A ansiedade e suas consequências como problemas cardíacos, por exemplo, sempre foi uma prerrogativa do ocidente, onde o materialismo é sua principal religião. Como toda a religião se caracteriza pela prática de seus ensinamentos na vida diária, o materialismo pode e deve ser mesmo considerado um jeito religioso de se viver. De nada adianta frequentar qualquer templo uma vez por semana ou fazer orações diárias se o paradigma não for mudado e colocado em prática nos nossos atos.

Continuamos também a prática de nos alimentarmos de violência e destruição. Já foi necessário nos tempos das cavernas onde a gordura animal era necessária para enfrentar o frio e obter proteína, mas continua inalterado, como se não houvesse evolução nisso. Hoje temos formas bem mais elegantes e ecológicas, mas nisso ainda não passamos da aurora da humanidade. Temos tecnologia por todos os lados, demonstrando uma absurda diferença entre as eras, mas nesses aspectos quase não saímos do lugar.

Hoje “evoluímos” para o crescimento “sustentável” como se isso fosse possível! Nenhuma destruição da natureza pode ser sustentável, basta só pensar alguns segundos. O correto é dizermos que hoje nos preocupamos em causar menores danos, desde que isso não impeça o crescimento econômico, é claro. Estamos nos sufocando e programando o dia em que uma garrafa d’agua será comprada em uma joalheria, sendo consumida com toda a ritualística que temos hoje com aquele vinho caro de uma safra única.

De alguns anos para cá, essa perspectiva se tornou tão clara que foi necessário colocar na escola, na formação das novas gerações, esse pensamento preservacionista, já que os pais estão irremediavelmente perdidos e pensam como Sara, ou seja, é impossível mudar esse jeito de pensar e viver.

Alcoolismo, depressão, ansiedade, obesidade e drogas não estão no “topo das paradas” por acaso. É resultado de um pensamento que não evolui. De nada adianta  toda a eletrônica, os programas e confortos que tornam nossa vida mais fácil e confortável. A humanidade está doente. É como se uma pessoa de 40 anos estivesse apresentando o comportamento de uma criança.

Viver com medo mantém minha percepção sempre no futuro e projetando de forma sombria a vida, transformando minha realidade (cada um tem a sua baseada na sua imaginação) em um angustiante dia-a-dia, esperando que chegue o momento em que  alguma fortuna me traga paz e possa então descansar. Enquanto esse dia não chega, vou me anestesiando, perdendo os milagres diários da vida, pensando em fugir da morte. Temos a natureza e, principalmente as crianças para observar e aprender como devemos viver, e mantemos modelos falidos e ultrapassados pelo tempo. Sentimo-nos superiores aos animais e vivemos piores do que eles, ainda sem conseguir atingir a expectativa de vida que nos foi ofertada pela criação.

Passados centenas de milhares de anos, continuamos esperando que algum deus apareça ou envie algum mensageiro para nos dizer o que fazer e eliminar nosso sofrimento. Essa dificuldade em assumir o próprio destino mostra que a humanidade ainda é infantil, contando que o “papai” protetor aparecerá no final da história para nos salvar e perdoar nossos equívocos.

A violência e barbárie desse mundo primitivo que vivemos está banalizada pelas imagens diárias dos seriados e da internet. Paul MacCartney disse certa vez que as crianças precisavam visitar os abatedouros para tomarem suas próprias decisões. Nesse dia ele estava tão inspirado quanto em suas melhores melodias. Convivemos com lugares do planeta em que gente como nós morre de fome e de doenças simples que afronta e mostra nosso egoísmo. O mesmo que punimos em nossos filhos quando eles não dividem o brinquedo com o amiguinho.

Não aprendemos ainda, com aqueles que sempre existiram em harmonia, e que fizemos questão de matar e depreciar, que o planeta é um organismo vivo, que como tudo, precisa de cuidado e respeito. Os antigos adoravam o Sol como o grande Deus. E não é? Afinal, sem ele morreríamos todos! Essa constatação não precisa de fé, é fato!

Precisamos de deuses novos com esse enfoque, quem sabe assim nos salvamos de uma morte lenta e agonizante de falta de ar e sede, confortavelmente instalados em camas de alta tecnologia e ar condicionado. Os deuses de sempre, infelizmente, não deram resultado, como podemos facilmente observar.

Seminário: Meditando o Sucesso

Meditando o Sucesso

 

Estarei, em parceria com a coach Fabiana Koch ministrando o seminário “Meditando o sucesso”. Nossa ideia é, em um mesmo momento, tratarmos de dois aspectos importante de nossa vida: o profissional e o pessoal. Metas, planejamento de carreira e negócios, precisam estar de acordo com uma administração competente das pressões do dia-a-dia, técnicas de controle de ansiedade e qualidade de vida. Tudo isso com dinâmicas que buscam uma mudança positiva na maneira como encaminhamos nosso dia-a-dia. Estão todos convidados e para empresas, condições especiais.

 

A Tortura dos Desejos

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Essa é uma estória muito antiga que vem a séculos ajudando a entender como vivemos. Guarde-a com carinho:

“Um dia um anjo apareceu diante de um homem bom e correto e disse:

– Homem bom, venho em nome de Deus, avisar-lhe que, dentro de uma semana, ele mudará a água e todos vão enlouquecer.

Depois de o anjo desaparecer, esse homem bom começou a estocar toda a água que pode para não ser afetado pela loucura que iria se instalar. Realmente, depois de uma semana, todos ficaram loucos.

 Passados mais alguns dias, começou a correr na cidade o boato de que um homem havia enlouquecido…

Nosso homem bom começou a se sentir cada dia mais triste, afinal todos o olhavam com estranheza, os amigos se afastaram e ele não era mais convidado para nada. Foi ficando cada vez mais difícil viver assim.

Um dia, na hora de sua prece, o homem bom agradeceu a Deus por ter enviado o anjo e disse que não aguentava mais viver triste, isolado de todos, e sendo, muitas vezes, motivos de risos e fofocas. Disse que esse sofrimento o havia feito decidir que, a partir do dia seguinte, iria tomar a água que todos bebiam.

Dias depois, um novo boato começou a correr de boca em boca: de que o louco havia se curado…”

Conto da sabedoria Sufi.

                                                                                                                                                                                       

Diz-se no oriente, que um dos primeiros passos em busca de extinguir o sofrimento é “desejar não desejar”. Esse conceito é proveniente da doutrina budista e quero refletir um pouco mais sobre ele.

O ser humano é movido a desejos constantemente e isso é natural. Se não estivermos desejando algo e se não tivermos medo de não conseguir esse desejo, perdemos a motivação de viver, e, provavelmente, não teremos vontade de levantar pela manhã. A questão que coloco é que, dependendo do tipo e direcionamento dos nossos desejos, entraremos em um processo de infelicidade e frustração constante.

Existe, então, um tipo de desejo certo ou que não me coloque em angústia? Penso que somente aquele que tem a ver com uma busca evolutiva e não esteja ligado a aspectos materiais. Aprendemos, pela cultura em que estamos inseridos, que a “felicidade” será atingida quando cumprimos a aquisição de bens que, demonstrarão (para ou outros, sempre é assim), que somos competentes e de sucesso. É só observar em volta de suas relações e ver como algumas pessoas, por exemplo, se colocam em dívidas que as fazem sofrer, já que as impedem de curtir melhor a vida, para mostrar que possuem símbolos de sucesso. Isso na verdade, como é da nossa natureza, a busca da felicidade, de ser reconhecido e admirado (a).

O grande problema dessa maneira de se viver é que essa “felicidade” nunca chegará, justamente porque, como não conseguimos esse bem estar nesses objetos depois de adquiri-los, transferimos para a próxima compra essa expectativa, e assim até o fim da vida.

Seremos felizes quando tivermos o corpo perfeito, o carro do ano, a casa elegante, a piscina, a promoção, a viagem, a “pessoa certa” ao nosso lado (esse é tema para outro artigo), a roupa da grife chique, etc. Pare um pouco para pensar e use sua própria vida como exemplo e veja como esse tipo de maneira de viver nos contamina. Estamos sempre sendo estimulados pela mídia, e ela está em todos os lugares, nos bombardeando com a informação de que aquele artigo nos tornará pessoas melhores.

Não é nada fácil nos livrarmos disso, afinal todos a nossa volta são assim, e, portanto, nos cobram isso com perguntas, olhares e julgamentos. Isso se chama cultura e serve a interesses bem específicos. Assim o rebanho passa pela vida correndo atrás do que não existe, em agonia constante, privilegiando com seu trabalho e a riqueza que dele se origina, aqueles que controlam o paradigma. O que quero dizer é que o pensamento que controla a sociedade não tem nenhuma preocupação com o ser humano e seu desenvolvimento, apenas com produção de riqueza. Essa competição é alimentada desde cedo na escola, que sempre está a serviço da ideologia, afinal é dela que vem o salário ( no ensino público) e a mensalidade do cliente (aluno) na escola privada. Desde criança somos educados a desejar esses símbolos de prosperidade, sem nenhuma preocupação com formar um cidadão com senso crítico e com capacidade de usar sua liberdade e de descobrir seus talentos naturais. De lá vem o que é “certo” e “errado”. Como se as pessoas que são o modelo desse modo de viver fossem exemplos de felicidade…

O desejo que nos faz bem é aquele de atingirmos uma libertação, aprendendo a viver nesse mundo sem ser contaminado pelo pensamento doente. Quantos que buscam essa evolução ou não conseguem atingir a posse desses bens, encontram refúgio na alienação das drogas, e compulsões de toda a ordem. Muitos pensam nisso em um ou outro momento, como se fosse um sonho, mas no momento seguinte estão lá com suas atitudes fomentando a angústia e o sofrimento sem fim.

Não há nada que esteja fora de você que possa lhe trazer essa paz interior (isso é felicidade). Da sabedoria antiga aos mestres da atualidade, todos são unânimes em afirmar que precisamos encontrar dentro de nós esse ponto de quietude. Consta que Jesus tenha dito que “o reino dos céus está dentro de vós”.

Sei que isso está longe de ser fácil, ser diferente dos outros tem sempre um preço caro. Ainda mais se seu objetivo for atingido, e sua simples presença mostrar aos demais o sofrimento a que eles estão submetidos. A força do pensamento dominante estará se esforçando para trazê-lo de volta ao aconchego do grupo.

Não há nada de errado em se possuir o quer que seja, o erro é transferir para isso seu bem estar. Possua tudo, lembrando que nada possui. Não torne qualquer objeto, pessoa, ideologia ou religião o chão sobre o qual caminha. Quando é assim, estamos sempre com medo de que isso acabe de uma hora para outra, afinal como não depende de mim  o medo está sempre ao meu lado.

Toda e qualquer viagem é feita com mais conforto quando a bagagem não é grande.

Mas não é fácil, e nem o homem bom de nossa história resistiu…

Os Quatro Pilares da Realização

“Não acredite em mim, não acredite no seu pai, não acredite no seu mestre, não acredite no seu professor! Não acredite em ninguém, somente em aquilo que você experimentou e que, portanto, seja verdade para você!”

Buda

Vivemos em uma época em que a informação está disponível de forma rápida e muito barata. Quem tem acesso à internet dispõe de uma quantidade praticamente ilimitada de saberes de todos os campos de conhecimento e os livros nunca foram tão acessíveis como hoje. Além disso, todo o ser humano sempre tira um tempo, normalmente nas horas mais difíceis, para pensar sobre si, o que quer, deseja e seus caminhos para atingir seus objetivos.

Todo esse preâmbulo é para chegarmos a uma pergunta que se impõe: se sabemos o que precisamos fazer para estarmos melhor (sempre sabemos), porque não fazemos?

Como já escrevemos em vários artigos anteriores todas as nossas mudanças passam pelo enfrentamento da dúvida de: se conseguiremos o objetivo a que nos propomos e se esse novo caminho nos levará a resultados melhores.

Os antigos diziam que a Realização passava por quatro etapas, a saber: querer, saber, ousadia e silêncio.

Querer, todo mundo quer! Seja em que ramo da vida for, sempre estamos querendo (desejando) alguma coisa. Sempre temos na cabeça o que estamos querendo, ou seja, até aqui tudo bem.

Saber, já exige um pouco mais. Nem todo mundo consegue saber conscientemente as razões mais profundas dos seus desejos. Normalmente não se chega a isso sem uma reflexão realmente profunda. Nossos motivos, via de regra, são mais superficiais, poucos conseguem ir mais a fundo. Buscar essas verdadeiras razões dos nossos desejos é muito importante, é o que dá consistência a etapa seguinte do processo de realização.

Agora chegamos na “encruzilhada” que sempre deixa os desejosos pelo caminho… A ousadia é o que realmente difere os que chegam a algum lugar dos que hesitam diante do momento da escolha. Ousar significa enfrentar o medo de dar errado, de buscar seus sonhos sem nenhuma garantia de sucesso. Precisa realmente coragem, afinal quem não enfrenta o medo nunca sai do lugar. Nunca se esqueça, querido leitor (a), que devemos agradecer o medo que sentimos, já que sem ele, não há crescimento. Se alguém acha que poderá chegar a seus objetivos (sonhos) sem ousar, nem uma loteria poderá ganhar, já que para isso, também precisa comprar um bilhete…

É na ousadia que demonstramos através de ações diretas que realmente sabemos o que queremos! Nesses atos, muitas vezes nos expomos e deixamos de lado as hesitações anteriores, mesmo sentindo uma insegurança que é natural, mas que demonstra nossa capacidade de enfrentamento. Mesmo que, eventualmente, não de certo, mesmo assim houve um crescimento e nunca passaremos pelo pior dos arrependimentos: o de nunca ter tentado! Dificilmente quem ousa não atinge seus resultados, já que, mesmo com dúvidas está nascendo a confiança, qualidade indispensável ao sucesso de qualquer empreitada.

 A ousadia é muitas vezes substituída por orações e promessas. São ações que podem ajudar, mas são sempre complementares, coadjuvantes. Quem “entrega” sua ousadia a esses processos, está esperando que algum anjo, santo ou deus faça o trabalho por si. Com todo o respeito, não vai acontecer. Fé significa acreditar no que não se sabe concretamente, então ninguém tem mais fé do que a pessoa que se lança atrás de seus objetivos, afinal, não há garantias de sucesso, como dissemos anteriormente. Depois de atingido o sucesso da empreitada, cada um pode dedicar a quem quiser. As preces e orações ajudam, na medida em que nos sentimos amparados espiritualmente para a jornada que estamos por iniciar.

Por fim, a última etapa do processo da realização é o silêncio. É muito importante que, de preferência, pouquíssimas pessoas (só mesmo as necessárias) saibam do que está sendo feito. Normalmente fomos educados a dar importância demais à opinião dos outros e tendemos a buscar “apoio” a nossa mudança. Nessa hora, estamos dando a clara noção de que não temos certeza se o que estamos buscando está certo. Aqui cabe a pergunta: Para que perguntar se você já passou pelas duas primeiras etapas do “querer” e “saber”? Mesmo com o intuito de ajudar, você certamente será atrapalhado já que cada pessoa a quem a consulta for feita usará a si mesma como parâmetro e nenhuma delas é você, tem suas percepções de mundo e suas experiências anteriores que o trouxeram até esse momento. Manter o silêncio é também adubar a confiança em nós! Comentar demais significar incentivar a insegurança, já que é certo que se as opiniões não forem favoráveis em sua esmagadora maioria, você desistirá!

Confie, confie e confie naquilo que sente ser necessário, e isso passará pela qualidade de contar só com você mesmo! Qual o problema? É pouco? Todas as pessoas que alcançaram a eternidade de serem lembradas através dos tempos foram ousadas e não contaram com nenhum apoio nos seus momentos cruciais. Já os bilhões e bilhões que já habitaram esse planeta através dos tempo e passaram “em branco” queriam e sabiam que queriam muitas coisas, mas….

As quatro etapas do processo de realização são na verdade o grande “segredo”. Visualizar, se imaginar tendo conseguido atingir o objetivo é muito bom porque incentiva à primeira etapa, a do “querer”. Mas se não houver um entendimento do “saber” e não tivermos a “ousadia” de buscar através de atitudes, mantendo o “silêncio” que fortalece a confiança, nada acontecerá!

E de tanto querer e nada acontecer, o que acontece? Vai se firmando uma profunda frustração e a pior certeza de todas: de que não somos capazes, porque nada do que queremos acontece. Mas lembre, não dará nada certo até que se dobre a esquina dos vitoriosos, que se chama ousadia.

Sempre brinco com meus amigos e clientes quando estamos falando sobre isso, dizendo que qualquer pessoa pode dar um salto mortal no trapézio se tiver uma rede de segurança em baixo, e isso quase não chama atenção. Mas veja como nossos olhos se fixam e ficamos tensos só de olhar quem faz o mesmo salto sem nenhuma rede que simboliza a garantia, segurança e certeza de que não vai sofrer.

São quatro passos, porque esse é um número que indica uma mudança de etapa. Um ano tem quatro estações, a lua tem quatro fases, o mês tem quatro semanas, quatro eram os cavaleiros do apocalipse e quatro os evangelistas. Concretizar a “alquimia” de nos tornarmos realizados também tem seus quatro pilares: QUERER, SABER, OUSAR E CALAR.

Você nunca estará “pronto” para esse processo do “nada”, ou seja, ninguém acorda confiante. Isso é, como tudo, resultado de ação e enfrentamento da insegurança.

Cada mudança é uma corrida contra si mesmo, e logo após a linha de chegada você se encontrará, mais forte e confiante, pronto para a próxima, afinal a evolução não tem limites.

E isso é o “segredo do segredo”. Pronto, já não é mais, porque acabei de contar!

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

 

                  “ O meu medo é uma coisa assim,que corre por fora

entra, vai e volta sem sair…”

Dalton e Claudio Rabello -Pessoa

                                                                                                                                                                 

De todos os transtornos de ansiedade o TOC  é um dos que mais causa sofrimento, e isso pode ser explicado pelo próprio nome. Não é fácil ter compulsão e obsessão de uma só vez, mas para começar, vamos explicar o que é isso.

Obsessões são pensamentos sempre negativos, estressantes que perseguem a pessoa de forma intrusiva, como diriam os antigos, um disco arranhado que fica repetindo, repetindo… Mesmo que a pessoa saiba que eles são totalmente absurdos e sem conexão com a realidade não consegue se livrar deles, e de tanto repetir, passam a esperar que eles aconteçam, afinal uma mentira dita mil vezes vira verdade. Nessa hora, como já escrevemos tantas outras vezes, o corpo entra em intenso sofrimento, já que está ligado diretamente a imaginação.

Então, para evitar os pensamentos, a pessoa desenvolve comportamentos repetitivos (rituais) como uma forma de atenuar a ansiedade que está sentindo. Esses comportamentos repetitivos também podem ser chamados de manias. Imagine como deve ser sofrido lidar com pensamentos que não quer ter e que se recusam a abandonar sua mente. Fica mais fácil compreender que as manias são, na verdade, tentativas desesperadas de parar de sofrer mentalmente.

Esse círculo vicioso só vai piorando com tempo, e se não for buscada ajuda, o processo se torna crônico e vai ficando cada vez mais severo. Quanto mais a pessoa tenta se livrar desse pensamento que a faz sofrer por meios das repetições de comportamentos, mais os pensamentos se tornam presentes e intensos. Não é fácil!

A dica aqui é simplesmente não lutar! Isso mesmo, se você simplesmente “deixa” eles na sua cabeça, sem reagir, naturalmente eles vão perdendo intensidade, já que é a “luta” que dá essa força. Seu único esforço é lembrar que são “mentiras” da mente e não tratá-los como reais.

Estudos estatísticos• mostram que as pessoas com TOC chegam a levar até 10 anos para procurar auxílio. E isso se deve a alguns fatores:

– Tem consciência que os pensamentos são absurdos e tem vergonha de relatá-los.

– Acredita que conseguirá sozinha resolver o problema, o que é muito difícil.

– Pensa que as compulsões não trarão prejuízos a sua vida.

O que normalmente ocorre, é que a procura por auxílio chega somente quando a rotina e as atividades profissionais ficam comprometidas, o que demonstra o grau elevado em já que se encontra a pessoa. Chega a tal ponto, por exemplo, da pessoa estar pronta para seu compromisso muito antes da hora marcada, já que irá verificar se fechou as portas e janelas inúmeras vezes, o que demanda tempo. Alguns passam a se atrasar, já que cumprir essas intermináveis verificações terminam por, além do tempo que levam, deixar a pessoa mais aflita, afinal poderá perder a hora do seu compromisso.

Normalmente os casos mais avançados de TOC são tratados com ajuda psiquiátrica com remédios que buscam diminuir a ansiedade e psicoterapia, para poder mudar os comportamentos e criar seus próprios mecanismos de defesa.

O que observo em consulentes com um grau intermediário, que o TOC sempre se acentua em situações de vida onde o estresse está presente, normalmente em momentos de decisão, mudança ou conflitos pessoais.

As compulsões mais comuns são:

Mania de limpeza ou lavagem; nesse caso chega a sangrar as mãos de tanto lavar, ou então ficar horas no banho. Isso inclui um medo de contaminação com todo o tipo de objeto, até mesmo do ar que respira.

Mania de ordenação; tudo precisa estar guardado da mesma forma e na mesma ordem. Quando os objetos não estão como deveriam, vem um desequilíbrio e sofrimento de não conseguir fazer nada enquanto tudo não for “arrumado”.

Mania de Verificação; Aqui o espectro é grande. Vai desde confirmar se a porta está fechada, se a pessoa já chegou, se o relógio está mesmo programado, se a lista de compras está pronta etc. Quem vê pode até achar engraçado ver a pessoa fechar a porta muitas vezes, mas não tem noção do sofrimento de quem passa por isso.

Mania de contagem; precisa contar de tudo, carros que passam, degraus da escada, ver se a quantidade de talheres na gaveta não mudou, etc.

Mania mental; pensar em frases ou palavras para atenuar os pensamentos angustiantes. Esse tipo de mania é incentivado por livros de autoajuda, ou teorias místicas. A cabeça fica em diálogo interno sem fim: de um lado o pensamento negativo de outro o pensamento que tenta anular o primeiro. Imagine!

Poderia ainda citar outros tantos, mas o que importa aqui é transmitir a mensagem de que se você sofre de TOC ou conhece alguém de suas relações tido como “esquisito” pelas manias, ajude a procurar auxílio. Dá para melhorar e muito! No final, o TOC vai virar um aviso de que algo não vai bem ou o momento da vida está tenso o suficiente para despertar os sintomas.

A base do TOC é a ansiedade, sendo, portanto, controlável. Mas se o leitor(a) não passa por isso, cabe lembrar que todos, de alguma forma, experimentamos o TOC. É só buscar na memória aquela entrevista de emprego em que você conferiu 10 vezes se o currículo estava na pasta e checou se a roupa estava no lugar outras tantas, ou mesmo de ensaiar uma infinidade de vezes aquele pequeno texto de meia dúzias de linhas com medo de errar e passar vergonha.

A saída é entender o processo da ansiedade e, se já esta sofrendo, procurar ajuda imediata para melhorar a qualidade de vida. Ninguém está livre de ser acometido de algum dos transtornos de ansiedade, onde o TOC é apenas um deles. O mundo que vivemos e a maneira como pensamos a vida é um terreno extremamente fértil para isso.

Procure relaxar, fazer alguma atividade física e se divertir. Não deixe sua vida virar um tormento. Estamos sempre a um passo disso!

Quer se divertir? Assista o filme premiado “Melhor Impossível” com Jack Nicholson, onde ele faz um personagem que tem vários tipos de TOC. É uma maneira ótima se saber mais sobre o assunto.

•Para saber mais: Mentes e Manias – Ana Beatriz Barbosa Silva