Voto de esperança

Pelo que soube, além de mim, outros cinco mil eleitores participaram da escolha dos participantes do Conselho Tutelar. Foi um número expressivo e minha primeira vez. Não me lembro de, em eleições anteriores (se houveram), tanta repercussão, bons candidatos e uma disputa acirrada pelas vagas. Votar sempre é bom até em reunião de condomínio e o clima no ginásio era de organização e de eleição mesmo!

Todos que lá estiveram assumiram a corresponsabilidade pelos seus candidatos e agora é esperar que o trabalho apareça e tenha a mesma divulgação nas redes sociais e na imprensa que a campanha eleitoral. Essa é uma boa forma dos assuntos da juventude ganhar um espaço positivo.

A questão da infância envolve uma grande complexidade e uma linha tênue separa aqueles que precisam de ajuda pelas dificuldades familiares que podem leva-los a caminhos sem volta, daqueles que, como em todas as faixas sociais, são um perigo para a comunidade. Assim como os bons, temos crianças e adolescentes maus por natureza e precisamos lidar com isso sem romantismo.

As notícias são preocupantes e conforme a publicação do Mapa da Violência, que se baseia em dados coletados pelo Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil, entre 2002 e 2012, foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e dos 15 aos 19 anos (33,5%).

Quando, nessa idade, crianças e pouco mais que isso querem morrer só pode ser porque o mundo dos adultos é mesmo insuportável e fico pensando que qualquer medida nesse sentido busca apenas atenuar o problema. Para solucioná-lo, precisamos mudar o conceito de sociedade que adotamos e, não só pelos dados acima, mas também pelos números que só crescem da venda de psicotrópicos, demonstra que perdemos a mão e estamos todos doentes.

A cada eleição, elegemos os políticos que nada mais são que o “Conselho Tutelar” dos adultos, afinal, são eles que fazem as leis e regem a sociedade dos maiores de dezoito anos e os resultados não são nada animadores. Não é um consolo, nem poderia, mas é só ver mundo afora para notar que esse não é um problema em verde e amarelo.

Só na semana passada, mais uma vez, nos EUA um atirador matou dez pessoas, incluindo crianças em uma escola e, na Inglaterra, um menino de 14 anos foi condenado a cinco anos de prisão por ter esfaqueado um professor negro e se vangloriado nas redes sociais, para citar dois de muitos. Por aqui, como fazemos parte dessa aldeia global, teve gás de pimenta em uma escola em Jaraguá do Sul. Fico me perguntando se esse aprendiz de terrorista precisa ser “entendido na sua revolta” ou deve ficar de “molho”, como na Inglaterra (país de primeiro mundo que adoramos idolatrar) para pensar no seu ato. Essa é uma das discussões que precisamos ter.

A verdade é que o modelo globalizado faliu por privilegiar a geração de riqueza em prol do gênero humano, enquanto que, de outro lado, e como consequência, cresce o radicalismo de quem vê esse modo de pensar a vida como vindo do “demônio” e corta cabeças e destrói relíquias para protestar. São dois extremos, portanto, errados; um mata ostensivamente, enquanto o outro leva as pessoas para o descontrole e o suicídio.

Não é fácil ser criança nesse mundo doido de adultos doentes.

Não sei até onde os eleitos do Conselho Tutelar podem ir, mas espero que a festa democrática desse domingo possa repercutir na maneira como lidamos com nossos jovens por aqui.

Mas uma coisa é certa; o grande comparecimento voluntário demonstra que nossa cidade está preocupada e interessada.  Estamos todos disponíveis para debater a questão e encontrar saídas, mas tenho certeza que a solução está nos adultos e o que vem acontecendo com a infância mostra que quem deveria cuidar é quem mais precisa de ajuda.

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