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Sacrifício e Felicidade

 

Esse vídeo é uma parte da entrevista de Joseph Campbell  intitulada “O poder do mito” e considero fundamental para quem se interessa por mitologia. Campbell, com seus estudos profundos, busca através do entendimento dos símbolos nos transmitir uma sabedoria que, se assimilada, mudaria em muito a maneira que vivemos, Esse trecho tem a duração de 1 hora e tem muita informação e reflexão de primeiríssima!

Espero que o caro leitor (a) aproveite! Se preferir o documentário completo, também está disponível, mas acho que não por muito tempo…

 

Imagem de Amostra do You Tube

A VONTADE

vontade

   “Somos dominados por tudo aquilo com que nos identificamos. Podemos dominar e controlar   tudo aquilo com que nos desindentificamos.”

                                                                Roberto Assagioli.

Para a psicossíntese* a vontade não é um atributo disponível facilmente para quando precisemos usa-la. Na verdade, é considerada uma força que guia nossa intuição, impulso, emoção, imaginação, sensação e pensamento em direção a objetivos imediatos e transcendentes. Isso quer dizer que a vontade é um atributo do Self, ou seja, de nossa porção conhecida por Eu superior, não ligada ao corpo físico. Nessa hora torna-se importante diferenciar vontade de desejo. Desejo é emoção, impulso instintivo, mais ligado ao biológico, ao eu pessoal ou inferior.

Dentro desse enfoque, a vontade é a força central da nossa individualidade e precisa ser descoberta dentro de cada um para poder se falar em autoconhecimento. É no exercício da vontade, e não dos desejos, que realmente colocamos nosso verdadeiro Ser em ação. É a vontade que nos faz querer, muitas vezes, além da própria razão, que nos faz acreditar algo ser possível quando para os demais não é. Portanto, só pode ter esperança (nunca deixar de ter atitude em busca de algo), quem tem uma vontade forte. E justamente por não estar ligada ao corpo físico e sua sobrevivência, que a vontade é uma força transhumana em minha opinião. Não é uma satisfação de um desejo, mas a conquista de um sonho ou objetivo!

A verdadeira liberdade do ser humano é seu poder de escolha, e isso precisa incluir sua interpretação dos acontecimentos. Para isso é necessária a vontade, e é só com ela que poderemos nos libertar dos paradigmas e condicionamentos que nos aprisionam, nos proporcionando a oportunidade de realmente podermos dizer que “vivemos nossa própria vida”. Só a vontade, portanto, pode vencer o medo e a insegurança que nos impedem de evoluir, diante dos obstáculos naturais do crescimento.

Dentro desse raciocínio, enquadro a vontade como pré-requisito para a determinação e a confiança. Portanto, caso você esteja esperando um dia acordar com “vontade”, “confiança”, ou sentir uma forte “determinação” para dar o passo que falta, lamento informar que isso nunca vai acontecer. Por ser um atributo superior, a vontade só pode ser exercitada diante do medo e da insegurança que são atributos inferiores, como já frisei, ligados ao físico. Não dá para chegar ao segundo andar sem subir as escadas que estão no primeiro andar. No caminho evolutivo não tem elevador nem milagres. Se existissem, isso seria uma injustiça aos que se dispõem a avançar e não existe injustiça na “Lei” que rege a existência.

Para Assagioli, a vontade é uma experiência direta, portanto indescritível, acima da multiplicidade. Não há como falar da vontade, por ser superior, em palavras que reduzem significados. É como querer explicar a cor verde a um cego, por exemplo. Para ele, a vontade tem uma polaridade masculina (assertividade, agressividade e controle) e uma feminina (aquiescência**, complacência e dedicação). Como tudo que contém em si em igual força o masculino e feminino, a vontade é completa em si mesma, demonstrando seu caráter superior.

Assim, é a vontade humana que nos permite direcionar nossa vida (não existe destino), e se, certas situações estão fora de nosso controle, poderemos escolher como enfrentá-las; seja com coragem ou medo, alegria ou tristeza, tranquilidade ou desespero. Uma se escolhe (superior) a outra é automática (inferior), já percebeu?

Em interessante artigo sobre a vontade, Marina Pereira R. Boccalandro***, afirma que, “…como as animais são mais livres que os vegetais, porque podem mover-se no mundo físico, os humanos são ainda mais livres porque podem mover-se no mundo das ideias. O sistema nervoso humano está capacitado para ser o menos previsível de todas as espécies. Muitas vezes podemos agir automaticamente, seguindo velhos hábitos, mas podemos também inventar, criar e modificar não só os comportamentos, como também o nível das ideias dentro das artes, ciências, filosofia, religião e tantas outras áreas.”

Nesse ponto, me sinto à vontade e, sem constrangimento, para me opor a Descartes com sua famosa frase “Penso, logo existo”, já que esse “pensar” muitas vezes é automatizado pela programação a que estamos sujeitos e dos desejos, sempre ligados  a necessidade de alguma satisfação imediata. Pensar, em minha opinião, não é, necessariamente, “existir”, já que ninguém tem controle sobre seus pensamentos. Insurjo-me a redefinir a famosa frase para: “Tenho Vontade, logo existo!”.

Assim, se sua Vontade anda em baixa, pode observar que sua vida também não está em bom momento, ou “tudo vai indo”…

Todos temos um dom que é necessário ser vivido para que possamos nos tornar realizados e felizes, e se não cumprimos essa missão nos tornamos mais sofridos. Para a maioria das pessoas, viver esse talento só é possível com o exercício pleno dessa vontade que está acima de tudo que nos mantém estagnados, vencendo até mesmo os próprios preconceitos contra aquilo que gostamos em nós mesmos. Essa mesma vontade é a que, por exemplo, supera diagnósticos médicos, levando a sobrevida por objetivos superiores e que deixa a ciência sem explicação, ou mesmo quando alguém faz um “milagre” que podemos dizer, porque não, como um pleno exercício da vontade. Afinal, só com uma força acima do humano se pode agir como um deus.

Para Willian James, a vontade é um ponto central por onde a ação significativa pode ocorrer. Para ele, é a vontade que mantém  uma escolha entre alternativas o tempo suficiente para permitir que a ação ocorra. Isso é muito interessante, já que podemos interpretar esse pensamento da seguinte forma: Tenho vontade de algo, e preciso mantê-la firme, enquanto ela caminha ao lado do medo e da dúvida (certo ou errado), até que minha ação se manifeste no sentido de por em prática a ação necessária. É outra maneira de ver, mas de acordo com o que já foi dito anteriormente. Interessante lembrar que muitas pessoas auto-realizadas, que atingiram grandes objetivos pessoais, relatam que não “pensaram” muito para fazer o que fizeram. Isso mostra que o pensamento, muito ligado aos condicionamentos, é inimigo da vontade, estando ela, realmente, em nível acima do que é normal. Por isso, só pensar está longe de “existir”.

Portanto, a vontade como qualidade é necessária ser trabalhada, como tudo que queremos desenvolver, mas nunca se deve esquecer seu caráter superior, ou seja, que não é algo que se conquista facilmente sem esforço. Precisa se querer muito, e sempre!

Maslow, famoso psicólogo transpessoal disse certa vez que “se você deliberadamente planejar ser menos do que você é capaz de ser, então eu o previno que você será profundamente infeliz pelo resto de sua vida.”

Não é uma condenação, mas uma constatação de que sem a vontade, a evolução ou felicidade não é possível.

Afinal, já que me dei ao direito de enfrentar Descartes, posso lhe perguntar:

                                                     Você Existe?

______

*Psicossíntese – A Psicossíntese ajuda ao entendimento e ao controle dos problemas, à melhoria dos relacionamentos, à compreensão das potencialidades criativas, à contribuição interior para um amplo contexto social e planetário e, ainda, à busca do significado e finalidade da vida. Isso leva ao reconhecimento daquilo que é básico na natureza transpessoal ou espiritual de cada ser humano, sugerindo que esse auto-controle começa com o auto-conhecimento e a auto-compreensão. A Psicossíntese utiliza princípios e técnicas relevantes da consciência pessoal de forma a proporcionar uma abordagem holística centrada no crescimento e desenvolvimento humanos. Foi criada pelo psiquiatra italiano Roberto Assagioli.  Fonte: Wikipedia

** Aquiescência- Estar ou pôr-se de acordo. Dicionário Caldas Aulete.

*** Livro “Espiritualidade na Prática Clínica” ed. Thomson

 

 

 

Manifesto e Imanifesto

ceu azul

 

 

 “É verdadeiro, sem falsidade, certo e muito verdadeiro

           que àquilo que está em cima é igual àquilo que está embaixo

           e que àquilo que está embaixo é igual àquilo que está em cima,

 para realizar os milagres de uma única coisa.

  E da mesma forma que todas as coisas foram e vieram do Um,

 assim todas as coisas nasceram desta coisa única por simples ato de adaptação…”

Tábua de esmeraldas (trecho) de Hermes Trimesgistro

 

 

                                                                                                                                                             

Tudo que é manifesto no mundo provém de outro mundo: o imanifesto.

Dizem os cabalistas que a parte grosseira, entenda-se o corpo físico com seus cinco sentidos, foi a última coisa criada por D-us. Não se assuste, não escrevi errado, é assim que muitos escrevem seu nome, afinal se ele não é conhecido, não pode ser expresso.

Isso quer dizer, que fomos criados de “dentro para fora”, ou seja, daquilo que não se pode ver nem sentir (divindade), para o que pode ser visto e sentido (materialidade). Assim nos dividimos na dualidade que nos faz oscilar tanto. Isso justifica a frase atribuída a Cristo de que o “reino dos céus” está dentro de cada um. Justamente por isso que a Cabala nos mostra que não há nada a ser procurado externamente. É como se nosso corpo físico fosse um véu que oculta nossa natureza divina (essa é minha interpretação), justamente por ser limitado no espaço e no tempo. Atrás de nossa consciência ordinária está o ilimitado e a eternidade. É por isso que se diz impunemente, já que é um absurdo, que em algum dia começará a vida eterna. Já estamos nela, só que nossa percepção não consegue atingi-la. É o que Helena Blavastsky chamava dos “véus de Ísis”. Esse é o estado de consciência aspirado pelos místicos (misturar-se a Deus) e meditadores. Isso é realmente fascinante: encoberta pelo que nasce e morre, está a criação que sempre É.

Essa “tese” baseia-se no seguinte: tudo que existe no mundo material, antes habitou o imanifesto, ou seja, o mundo das ideias. Desde uma simples cadeira, até o mais sofisticado aparelho antes de ser fabricado foi imaginado por alguém. Assim, tudo que nos acontece, a vida que vivemos está sendo materializada pelo que antes imaginamos que fosse. Da mesma forma, imagine uma rosa, por exemplo, ela não nasce, simplesmente está imanifesta até surgir. Justamente por isso ela não morre, simplesmente o que ela era, se transforma em outras substâncias que se dissolvem na terra, se manifestando de outras formas em ciclos de vida intermináveis. Somos assim também, com nosso corpo que se dissolve e nossa consciência que se transforma.

Nosso corpo nasceu e um dia morrerá e isso faz parte, mas nosso imanifesto existe desde antes do universo, ou seja, é emanação divina. Todo nosso sofrimento está baseado na nossa percepção que está somente atrelada ao corpo que, por nascer, precisa morrer. Isso torna a vida realmente angustiante e, se pensarmos bem, até sem sentido. Já diante do eterno, as cores mudam, a evolução é constante até voltarmos, por mérito (nada é gratuito, tudo é causa e efeito) à nossa origem divina que hoje se encontra imanifesta em nós.

Toda a doença da civilização é baseada nessa pressa de atingir a felicidade, já que a morte é certa, não há tempo a perder. Quando somos levados a ter plena e total consciência de nossa verdadeira natureza, nos igualamos ao que os místicos chamam de “estado” crístico ou a consciência de Buda. Nesse estágio, o homem e a natureza são uma só coisa, inseparáveis (divinus), e assim fica fácil de entender porque as pessoas que experimentam esse estágio conseguem inferir na natureza como um todo, provocando os “milagres”, impossíveis para aqueles que habitam o limitado, o que perece, estado de percepção baseado exclusivamente no medo de morrer.

Nesse momento, você que me lê, pode querer perguntar o que fazer, qual a “técnica” ou dica para, definitivamente, nos encontrarmos com o que realmente somos?

Dependendo da linha filosófica, mística ou religiosa cada uma terá seu método, mas o que posso sugerir, de imediato, é a simples e dificílima prática da mente alerta. Isso mesmo, simplesmente mantenha-se atento, inteiro em tudo que faz. Comece por respirar conscientemente. Sempre que lembrar, observe sua respiração, isso já é um exercício poderoso! Essa prática nos leva a, pouco a pouco, a uma diminuição do nível de sofrimento, já que no instante presente estou livre do medo que sempre está ligado ao futuro, onde a morte nos espera. Perceba que a angústia e sofrimento nunca estão acontecendo no presente, mas nas culpas do passado e na incerteza (somos pessimistas por natureza) do porvir.

Uma das importantes atitudes a tomar, lembrando que somos nossos pensamentos, é buscar uma percepção clara do que entra pela nossa boca, olhos e ouvidos. Nossas ações muito se baseiam no que entram pelos nossos sentidos todos os dias, precisamos higienizar, comendo corretamente, e sendo muito criteriosos com o que vemos e ouvimos todos os dias, seja de pessoas e meios de comunicação. Observe como a humanidade pensa e age e veja se isso não está condizente com o que pregam as mais diversas mídias, por exemplo.

Aliás essa natureza negativa do nosso pensamento, faz parte da formação do nosso corpo físico, afinal quanto mais medo tiver, por exemplo, mas tenho tendência de manter a vida.

Assim, precisamos trabalhar constantemente nosso pensamento (imanifesto) para que possa ter um melhor resultado no plano concreto da existência. Mas esse trabalho só terá resultado se buscarmos uma parte de nossa consciência que está escondida dentro de nós, onde só uma prática direcionada como a meditação, além do estudo correto, pode nos levar.

Aprofunde cada vez mais sua auto-observação, avalie seus pensamentos e sentimentos constantemente. O budismo nos oferece o método da análise profunda das emoções como uma maneira de nos compreendermos melhor e aos outros também. Mas tudo isso necessita de determinação de querer mudar, e sair dessa maneira de pensar que só aumenta a ansiedade. Será sempre questão de tempo para que esse pensamento constantemente negativo se materialize em nossa vida.

Conforme os artigos que recomendo a (re)leitura no final, ande conscientemente, coma com atenção, esteja atento e pare de ficar “viajando” na agonia, que o sofrimento diminui e muito.

Quanto mais tempo no presente, menos sofrimento, mais saúde e alegria. Acredite ou não, é simples assim!

Se os cabalistas estiverem certos, busque entender como as coisas funcionam e positive seu imanifesto, projetando seu dia e futuro com confiança. Só não esqueça, é claro, de agir e tomar as atitudes necessárias para que se realize o que seu pensamento está criando.

Estou escrevendo esse artigo em meio à natureza e, diante de mim, estão montanhas de milhares e milhares de anos, cobertas de vida que mudam constantemente, com uma serenidade que só mesmo Deus possa experimentar. Isso também sou eu e é você também, afinal, somos em essência unos com o Todo.

Nossa tarefa então é “lembrar” do que realmente somos e de onde viemos, essa é a resposta que falta. Viva hoje sua eternidade, ficando conectado a cada momento e desfrute de uma vida sem agonia. Respeite e cuide do seu corpo para que ele viva bem, já você, que nunca nasceu e nunca morrerá, pense como seria sua vida se sua consciência habitasse o eterno?

*Caso não tenha lido, recomento a leitura dos artigos: “A prisão que nunca existiu”, “Zen Budismo” e a “A prática do Relaxamento” como aprofundamento do presente texto.

Até onde chegamos?

neandertal espelho

         “ Só os santos são realmente humanos”

Abraham Maslow

É curioso pensarmos que, apesar de toda a “tecnologia” que dispomos nos lugares onde temos os melhores recursos médicos, ainda não conseguimos dobrar a expectativa de vida nesses dois mil e doze anos depois do nascimento de Cristo.

Quando lembramos a lenda de Sara, esposa de Abraão, que achou graça quando ouviu que ficaria grávida poderemos entender melhor isso. Disse ela ser impossível, afinal já era uma mulher velha. Importante lembrar que naquela época, poucos passavam dos quarenta anos. Passado todo esse tempo a medicina evoluiu tanto que não temos nem como colocar parâmetro de comparação com a época de Sara. Por outro lado, estudos são praticamente unânimes em afirmar que poderíamos viver bem até, pelo menos, 110 anos…

O que acontece para ainda estarmos longe dessa expectativa?

Penso que a maneira como vivemos ainda está longe de acompanhar os recursos tecnológicos. Na verdade, pouca coisa mudou para melhor e outras ainda pioraram. Ainda estamos em guerra de alguma forma. Da época de Cristo até hoje, não tivemos um dia sequer de paz no mundo. Em algum lugar, seja pelo motivo que for: conquistar territórios com algum tipo de riqueza, motivos religiosos (pasmem!), de ideologia política (essa é ainda mais primitiva e tão absurda quanto a religiosa); os “seres humanos” continuam se matando de forma bárbara. Nenhum animal irracional que habita esse planeta mata sem que sua sobrevivência esteja em jogo ou destrói o lugar onde vive, afinal o fato de ser irracional não quer dizer que seja burro.

Apesar de toda a abundância, continuamos vivendo e educando nossos filhos pelo paradigma da escassez e do medo e nem sequer pensamos em questionar tamanho absurdo. Fomos criados e criamos as futuras gerações com medo, seja de passar necessidades, de ficar só, de não ser reconhecido, etc. Dentro desse modo de pensar, não há corpo que aguente tanta pressão e chegamos ao ponto de termos na ansiedade o mal de século XXI, e nem poderia ser diferente.

O fim das fronteiras econômicas foi fácil de ser conseguido, já que se baseia em um dos nossos mais básicos instintos que é a ambição, ajudou a dissolver da cultura mundial, alguns oásis de bom senso no que se refere à maneira de viver. A ansiedade e suas consequências como problemas cardíacos, por exemplo, sempre foi uma prerrogativa do ocidente, onde o materialismo é sua principal religião. Como toda a religião se caracteriza pela prática de seus ensinamentos na vida diária, o materialismo pode e deve ser mesmo considerado um jeito religioso de se viver. De nada adianta frequentar qualquer templo uma vez por semana ou fazer orações diárias se o paradigma não for mudado e colocado em prática nos nossos atos.

Continuamos também a prática de nos alimentarmos de violência e destruição. Já foi necessário nos tempos das cavernas onde a gordura animal era necessária para enfrentar o frio e obter proteína, mas continua inalterado, como se não houvesse evolução nisso. Hoje temos formas bem mais elegantes e ecológicas, mas nisso ainda não passamos da aurora da humanidade. Temos tecnologia por todos os lados, demonstrando uma absurda diferença entre as eras, mas nesses aspectos quase não saímos do lugar.

Hoje “evoluímos” para o crescimento “sustentável” como se isso fosse possível! Nenhuma destruição da natureza pode ser sustentável, basta só pensar alguns segundos. O correto é dizermos que hoje nos preocupamos em causar menores danos, desde que isso não impeça o crescimento econômico, é claro. Estamos nos sufocando e programando o dia em que uma garrafa d’agua será comprada em uma joalheria, sendo consumida com toda a ritualística que temos hoje com aquele vinho caro de uma safra única.

De alguns anos para cá, essa perspectiva se tornou tão clara que foi necessário colocar na escola, na formação das novas gerações, esse pensamento preservacionista, já que os pais estão irremediavelmente perdidos e pensam como Sara, ou seja, é impossível mudar esse jeito de pensar e viver.

Alcoolismo, depressão, ansiedade, obesidade e drogas não estão no “topo das paradas” por acaso. É resultado de um pensamento que não evolui. De nada adianta  toda a eletrônica, os programas e confortos que tornam nossa vida mais fácil e confortável. A humanidade está doente. É como se uma pessoa de 40 anos estivesse apresentando o comportamento de uma criança.

Viver com medo mantém minha percepção sempre no futuro e projetando de forma sombria a vida, transformando minha realidade (cada um tem a sua baseada na sua imaginação) em um angustiante dia-a-dia, esperando que chegue o momento em que  alguma fortuna me traga paz e possa então descansar. Enquanto esse dia não chega, vou me anestesiando, perdendo os milagres diários da vida, pensando em fugir da morte. Temos a natureza e, principalmente as crianças para observar e aprender como devemos viver, e mantemos modelos falidos e ultrapassados pelo tempo. Sentimo-nos superiores aos animais e vivemos piores do que eles, ainda sem conseguir atingir a expectativa de vida que nos foi ofertada pela criação.

Passados centenas de milhares de anos, continuamos esperando que algum deus apareça ou envie algum mensageiro para nos dizer o que fazer e eliminar nosso sofrimento. Essa dificuldade em assumir o próprio destino mostra que a humanidade ainda é infantil, contando que o “papai” protetor aparecerá no final da história para nos salvar e perdoar nossos equívocos.

A violência e barbárie desse mundo primitivo que vivemos está banalizada pelas imagens diárias dos seriados e da internet. Paul MacCartney disse certa vez que as crianças precisavam visitar os abatedouros para tomarem suas próprias decisões. Nesse dia ele estava tão inspirado quanto em suas melhores melodias. Convivemos com lugares do planeta em que gente como nós morre de fome e de doenças simples que afronta e mostra nosso egoísmo. O mesmo que punimos em nossos filhos quando eles não dividem o brinquedo com o amiguinho.

Não aprendemos ainda, com aqueles que sempre existiram em harmonia, e que fizemos questão de matar e depreciar, que o planeta é um organismo vivo, que como tudo, precisa de cuidado e respeito. Os antigos adoravam o Sol como o grande Deus. E não é? Afinal, sem ele morreríamos todos! Essa constatação não precisa de fé, é fato!

Precisamos de deuses novos com esse enfoque, quem sabe assim nos salvamos de uma morte lenta e agonizante de falta de ar e sede, confortavelmente instalados em camas de alta tecnologia e ar condicionado. Os deuses de sempre, infelizmente, não deram resultado, como podemos facilmente observar.

Os Quatro Pilares da Realização

“Não acredite em mim, não acredite no seu pai, não acredite no seu mestre, não acredite no seu professor! Não acredite em ninguém, somente em aquilo que você experimentou e que, portanto, seja verdade para você!”

Buda

Vivemos em uma época em que a informação está disponível de forma rápida e muito barata. Quem tem acesso à internet dispõe de uma quantidade praticamente ilimitada de saberes de todos os campos de conhecimento e os livros nunca foram tão acessíveis como hoje. Além disso, todo o ser humano sempre tira um tempo, normalmente nas horas mais difíceis, para pensar sobre si, o que quer, deseja e seus caminhos para atingir seus objetivos.

Todo esse preâmbulo é para chegarmos a uma pergunta que se impõe: se sabemos o que precisamos fazer para estarmos melhor (sempre sabemos), porque não fazemos?

Como já escrevemos em vários artigos anteriores todas as nossas mudanças passam pelo enfrentamento da dúvida de: se conseguiremos o objetivo a que nos propomos e se esse novo caminho nos levará a resultados melhores.

Os antigos diziam que a Realização passava por quatro etapas, a saber: querer, saber, ousadia e silêncio.

Querer, todo mundo quer! Seja em que ramo da vida for, sempre estamos querendo (desejando) alguma coisa. Sempre temos na cabeça o que estamos querendo, ou seja, até aqui tudo bem.

Saber, já exige um pouco mais. Nem todo mundo consegue saber conscientemente as razões mais profundas dos seus desejos. Normalmente não se chega a isso sem uma reflexão realmente profunda. Nossos motivos, via de regra, são mais superficiais, poucos conseguem ir mais a fundo. Buscar essas verdadeiras razões dos nossos desejos é muito importante, é o que dá consistência a etapa seguinte do processo de realização.

Agora chegamos na “encruzilhada” que sempre deixa os desejosos pelo caminho… A ousadia é o que realmente difere os que chegam a algum lugar dos que hesitam diante do momento da escolha. Ousar significa enfrentar o medo de dar errado, de buscar seus sonhos sem nenhuma garantia de sucesso. Precisa realmente coragem, afinal quem não enfrenta o medo nunca sai do lugar. Nunca se esqueça, querido leitor (a), que devemos agradecer o medo que sentimos, já que sem ele, não há crescimento. Se alguém acha que poderá chegar a seus objetivos (sonhos) sem ousar, nem uma loteria poderá ganhar, já que para isso, também precisa comprar um bilhete…

É na ousadia que demonstramos através de ações diretas que realmente sabemos o que queremos! Nesses atos, muitas vezes nos expomos e deixamos de lado as hesitações anteriores, mesmo sentindo uma insegurança que é natural, mas que demonstra nossa capacidade de enfrentamento. Mesmo que, eventualmente, não de certo, mesmo assim houve um crescimento e nunca passaremos pelo pior dos arrependimentos: o de nunca ter tentado! Dificilmente quem ousa não atinge seus resultados, já que, mesmo com dúvidas está nascendo a confiança, qualidade indispensável ao sucesso de qualquer empreitada.

 A ousadia é muitas vezes substituída por orações e promessas. São ações que podem ajudar, mas são sempre complementares, coadjuvantes. Quem “entrega” sua ousadia a esses processos, está esperando que algum anjo, santo ou deus faça o trabalho por si. Com todo o respeito, não vai acontecer. Fé significa acreditar no que não se sabe concretamente, então ninguém tem mais fé do que a pessoa que se lança atrás de seus objetivos, afinal, não há garantias de sucesso, como dissemos anteriormente. Depois de atingido o sucesso da empreitada, cada um pode dedicar a quem quiser. As preces e orações ajudam, na medida em que nos sentimos amparados espiritualmente para a jornada que estamos por iniciar.

Por fim, a última etapa do processo da realização é o silêncio. É muito importante que, de preferência, pouquíssimas pessoas (só mesmo as necessárias) saibam do que está sendo feito. Normalmente fomos educados a dar importância demais à opinião dos outros e tendemos a buscar “apoio” a nossa mudança. Nessa hora, estamos dando a clara noção de que não temos certeza se o que estamos buscando está certo. Aqui cabe a pergunta: Para que perguntar se você já passou pelas duas primeiras etapas do “querer” e “saber”? Mesmo com o intuito de ajudar, você certamente será atrapalhado já que cada pessoa a quem a consulta for feita usará a si mesma como parâmetro e nenhuma delas é você, tem suas percepções de mundo e suas experiências anteriores que o trouxeram até esse momento. Manter o silêncio é também adubar a confiança em nós! Comentar demais significar incentivar a insegurança, já que é certo que se as opiniões não forem favoráveis em sua esmagadora maioria, você desistirá!

Confie, confie e confie naquilo que sente ser necessário, e isso passará pela qualidade de contar só com você mesmo! Qual o problema? É pouco? Todas as pessoas que alcançaram a eternidade de serem lembradas através dos tempos foram ousadas e não contaram com nenhum apoio nos seus momentos cruciais. Já os bilhões e bilhões que já habitaram esse planeta através dos tempo e passaram “em branco” queriam e sabiam que queriam muitas coisas, mas….

As quatro etapas do processo de realização são na verdade o grande “segredo”. Visualizar, se imaginar tendo conseguido atingir o objetivo é muito bom porque incentiva à primeira etapa, a do “querer”. Mas se não houver um entendimento do “saber” e não tivermos a “ousadia” de buscar através de atitudes, mantendo o “silêncio” que fortalece a confiança, nada acontecerá!

E de tanto querer e nada acontecer, o que acontece? Vai se firmando uma profunda frustração e a pior certeza de todas: de que não somos capazes, porque nada do que queremos acontece. Mas lembre, não dará nada certo até que se dobre a esquina dos vitoriosos, que se chama ousadia.

Sempre brinco com meus amigos e clientes quando estamos falando sobre isso, dizendo que qualquer pessoa pode dar um salto mortal no trapézio se tiver uma rede de segurança em baixo, e isso quase não chama atenção. Mas veja como nossos olhos se fixam e ficamos tensos só de olhar quem faz o mesmo salto sem nenhuma rede que simboliza a garantia, segurança e certeza de que não vai sofrer.

São quatro passos, porque esse é um número que indica uma mudança de etapa. Um ano tem quatro estações, a lua tem quatro fases, o mês tem quatro semanas, quatro eram os cavaleiros do apocalipse e quatro os evangelistas. Concretizar a “alquimia” de nos tornarmos realizados também tem seus quatro pilares: QUERER, SABER, OUSAR E CALAR.

Você nunca estará “pronto” para esse processo do “nada”, ou seja, ninguém acorda confiante. Isso é, como tudo, resultado de ação e enfrentamento da insegurança.

Cada mudança é uma corrida contra si mesmo, e logo após a linha de chegada você se encontrará, mais forte e confiante, pronto para a próxima, afinal a evolução não tem limites.

E isso é o “segredo do segredo”. Pronto, já não é mais, porque acabei de contar!