Agenda

A LOUCURA

Se o homem persistisse na sua loucura, tornar-se-ia sábio.

Willian Blake


Afinal, o que é loucura? Segundo a Wikipédia a definição é a seguinte:                                                Quem melhor do que Salvador Dali para exemplificar a arte como manifestação da loucura interior?

“A loucura ou insânia é, segundo a psicologia, uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados “anormais” pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia.

Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade.”


Os sublinhados são meus.

 

Todos nós, normais (se é que isso seja possível), temos um Louco dentro de nós. Aquela parte sempre condenada pela mente consciente que, cheia de dogmas de certo e errado, como deve e não deve ser, nos empurra para uma vida de repetições que anula, muitas vezes, o que temos de melhor. Nosso Louco interior nos convida para a verdadeira vida que realmente queremos ter, sempre bloqueada pela mente reflexiva sempre muito cautelosa e cheia de medo.

A natureza mais profunda desse Louco é muito movida por instintos que nunca se bloqueiam por conceitos culturais. Podemos até dizer que ele é inocente e amoral, na medida em que simplesmente deseja e quer independente de ser “certo ou errado”. Assim, esse Louco faz essa ligação entre o nosso mais profundo Eu (caótico) e o Eu consciente, ordenado pelas regras e leis.

Essa natureza é muitas vezes cristalizada nas obras de arte, da música, poesia, etc., onde o artista se permite, sem bloqueios, fazer essa transposição do impossível para o mundo “real”.

Antigamente todas as famílias abastadas e a realeza tinham dentro de casa um “louco” ou “bobo” que se encarregava de, simbolicamente, manter por perto essa nossa parte que somos obrigados a negar para sermos aceitos e reconhecidos como “normais”. Para Sallie Nichols, a crença de que “manter um louco na corte afastava o mau olhado” não é uma superstição antiquada, mas representa uma verdade psicológica de grande valor.

Atualmente, nos permitimos dar vida a nosso Louco no carnaval e outras ocasiões, onde a própria sociedade cria datas para que demos vazão a essa loucura e, depois, voltemos à vida normal, com as regras de sempre.

Se nos permitirmos ouvir nosso Louco, talvez ele possa nos ensinar a voar e nos ofereça uma espécie de salvo conduto para viagens semelhantes, desde que o mantenhamos arrumados, sem perder a sua inocência. Interessante lembrar que, sempre que de alguma forma estamos cometendo alguma transgressão (de qualquer tipo), de acordo com o que é estabelecido como certo ou errado, nos sentimos muito vivos, e sempre dizemos: “estou fazendo uma loucura…”.

Porém é normal que nosso Louco seja posto de lado, afinal a insanidade é considerada algo muito grave hoje em dia, já que nos tira do controle, ou do controlável. Por isso, não é de se estranhar que cada vez mais se use álcool e outras drogas para podermos nos permitir uma loucura que, de “cara limpa”, seria impensada e mais do que proibida. Ou seja, quanto mais a sociedade for impiedosa com o considerado fora do normal, mais os recursos químicos serão necessários para substituir uma coragem de ser diferente.

Dito isso, penso que devemos dar mais ouvidos ao nosso Louco interior e reconhecermos nossa loucura e  sempre lembrar que muitas coisas e comportamentos hoje considerados normais, eram loucura há algum tempo atrás. Ria de si mesmo quando seu Louco se manifestar, e lembre que ele pode ser sua parte mais saudável, afinal se o mundo que vivemos está doente, não seria a loucura solução?

 

 

Você é LIVRE?

Se for útil, não vejo problema de um moinho de vento ser um dragão”

Do autor

Em alguns textos anteriores, tenho colocado a questão da liberdade de uma forma um pouco diferente da habitual, enfatizando a idéia de como interpretamos os fatos que nos acontecem e hoje, quero me dedicar a esse assunto com alguma profundidade.

Como sabemos, parte de nossa mente recebeu desde o nosso nascimento um “programa” de vida que fomos aprendendo com nossas figuras referenciais, professores, religião e cultura em geral. Essa programação está sempre em andamento, na medida em que continuo aberto ao que vejo e ouço a cada momento. Chamamos essa parte da mente de subconsciente. Portanto, cada vez que você está conversando consigo mesmo, é com ele que está falando. Nessas horas, o que geralmente acontece, é ficarmos “discutindo” com nosso programa, se podemos fazer o que queremos, se não é errado, pecado etc. Entendo o subconsciente de uma forma mais abrangente que o Super Ego de Freud, mais do que um “juiz”ou censor interior, mas um modo automático de pensar o que seja certo ou errado.

Assim, estamos sempre, de uma forma ou de outra, com nossos pensamentos parametrizados pelo programa, chegando muitas vezes até a ouvir a voz da pessoa que nos incutiu essa idéia na cabeça. Quantos dizem: “como eu gostaria de ser …. e não consigo”. Esse lamento se justifica, porque se no meu programa está inserido o conceito de que não posso ser dessa ou daquela forma, por mais que queiramos é muito, mas muito difícil mesmo que se consiga essa mudança.

Sobre isso, espero escrever mais com o tempo, mas por hora, esse preâmbulo serve para questionar se não existe uma outra maneira de interpretar, de dar um sentido novo a tudo que me acontece. Será que só existe mesmo essa maneira de avaliar as situações?

Gandhi disse certa vez que “existem pessoas presas andando pelas ruas e livres dentro de celas”. Tenho certeza de que ele falava exatamente disso. Todos gostariam de ser mais otimistas, de encarar os obstáculos com confiança, de estarem sempre positivos diante da vida, mas não conseguem. O problema é que a primeira interpretação que faço de tudo que me acontece está automatizada em meu subconsciente, é um pensamento mecânico, que, portanto, não exige nenhuma consciência para ocorrer. Nessa hora, é que podemos exercer nossa liberdade, que é justamente encarar aquela situação de outra maneira e principalmente ter uma nova atitude. Quando conseguimos atitudes novas, com o tempo, vamos nos programando do jeito que queremos ser e não da maneira que nos foi imposta. Vamos a um exemplo:

Suponhamos que uma pessoa seja demitida do seu emprego. Naturalmente ela terá como primeira reação a que já está inserida no subconsciente dela, ou seja, como na maioria dos casos, se sentirá mal, com medo do futuro, de passar fome, de nunca mais conseguir um novo trabalho etc. Imaginemos que, antes de ser demitida, ela tivesse um desejo antigo de ter seu próprio negócio, mas que nunca buscou porque no seu “programa” estava escrito: “é melhor um pássaro na mão do que dois voando”ou “a vida é difícil, melhor não arriscar”…

Agora ela está diante da oportunidade de reinterpretar sua vida de um novo jeito. Ela evidentemente precisará se empenhar, mas se vencer o seu medo e pensar que essa demissão era a oportunidade que precisava para dar início ao seu sonho e tomar atitudes de iniciar seu empreendimento, provavelmente estará dando um novo rumo a sua vida, mas a tendência natural é hesitar e mandar o currículo para as agências de emprego e engavetar seu sonho para revê-lo nas tardes de domingo, naquela hora depressiva que pensamos que amanhã é segunda-feira, ouvindo as velhas trilhas sonoras, afundando no sofá…

Todo o dia, nem percebemos, estamos diante de muitas encruzilhadas que nos levam a caminhos que dão curso a nossa vida. A cada esquina que dobramos ou não, a cada livro que lemos ou não, a cada lugar que vamos, tudo pode mudar es seguirmos por outros rumos. Quando estamos no “piloto automático” de nosso programa nem percebemos isso. Mas sabendo ou não, somos responsáveis por nossas escolhas e o destino é o resultado dessa soma. Sei que já disse isso antes, mas não custa repetir.

Os Sufis (místicos do Islã) ensinam que devemos “pensar para pensar”, ou seja, sermos nós mesmos a escolher o caminho que queremos seguir. Em minha opinião, livre é realmente quem interpreta sua vida do jeito que quer (e assim age) e prisioneiro de si mesmo é quem tem interpretações antigas e que nem suas são, mas foram herdadas e nem se pergunta se é isso mesmo que realmente pensa.

E é justamente por isso que penso que Dom Quixote fez muito bem em reinterpretar os Moinhos de Vento…

 

 

A importância (?) do PASSADO

passado

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.                        Soren Kierkegaard

 

 

A psicologia tradicionalmente se debruça sobre o passado e investe longo tempo nas sessões de psicoterapia nas buscas sobre, principalmente  a infância dos clientes com o objetivo de resolver e dar melhor entendimento sobre o presente e projetar melhor o futuro. Esse procedimento é bastante lógico, afinal como já citei em artigo anterior, nossa mente é composta das nossas experiências anteriores e é, portanto, o material disponível para análise.

Quero me propor a pensar isso sobre  outro ponto de vista, sem o objetivo de invalidar a importância do passado em nossa vida, mas relativizá-lo.

Não há dúvida que somos resultado de nossa história. Tudo que passamos na vida, nos moldou e fornece o material de interpretação que temos no agora e serve para pensarmos no futuro. Também é evidente que algumas pessoas que tiveram traumas e experiências extremamente dolorosas em suas vidas, carregam essas marcas, e elas, diante de acontecimentos semelhantes ou que lembrem esses fatos, mantém fortes e intensas reações.

A questão que proponho para reflexão é a seguinte:

Porque quando estamos vivendo momentos felizes, que estejamos nos sentindo satisfeitos e plenos, o passado ou esses acontecimentos não voltam à mente e nos perturbam?

Porque que quando entramos em uma fase não tão boa, o passado volta a nos assombrar?

Para a primeira pergunta a resposta que tenho é que o presente, quando vivido de forma positiva assume seu papel de relevância, afinal não vivemos no passado, mas agora! Nesses momentos nos permitimos facilmente nos desligarmos de lembranças tristes simplesmente por que estamos bem e tristeza não combina com alegria. Isso é claro, até nos lembrarmos do velho condicionamento que “felicidade dura pouco” e ai já iniciamos a preparação para a infelicidade não nos pegar de surpresa. O que fizemos? Começamos a ficar tristes, sem nenhum motivo, a não ser anteciparmos esse sofrimento….

A resposta para a segunda pergunta é muito mais fácil; quando nossa vida não está boa, procuramos no passado as causas. Nessa hora, nossa mente faz uma “busca” procurando algo em nossa história que explique esse mau momento do presente, de preferência, onde sejamos vítimas de alguma situação anterior que tenha sido a culpada pelo nosso insucesso ou momento difícil.

Apenas defendo a tese que o passado deva ter sua importância diminuída, afinal não somos mais a pessoa que passou pela situação desagradável ou traumática. Mudamos!

Quer queiramos ou não, aceitar essa mudança não invalida o que aconteceu, mas se estamos por ai, significa que de alguma forma sobrevivemos. Então, porque não fazer disso algo positivo, como um obstáculo superado que nos deixou mais forte?

É fundamental deixarmos o passado para trás, inclusive nos recusarmos mesmo a fazê-lo de desculpa ou justificativa para o presente. Faz parte da história e só! Somente assim poderemos ter algum domínio sobre nosso futuro.

Não pode fazer bem andar pela vida carregando um imenso peso nas costas do tempo de criança, adolescente e mesmo da fase adulta. Assim não há pernas que agüentem, sem estarmos caindo a todo momento (como nossa foto abaixo) . Qual o problema de deixar tudo para trás? Não é pecado nem irresponsabilidade, mas escolher uma forma melhor de viver.

Sofrer é uma escolha, sabia?

A dificuldade de MUDAR

Looking over the horizon. (Image from swissre.com ad.)

Eu acho fascinante que a maioria das pessoas planeje suas férias com mais cuidado do que planejam suas vidas. Talvez porque fugir é mais fácil que mudar.
( Jim Rohn )

 

 

Quem ainda não ouviu que o ser humano tem dificuldade para mudar? A resposta para isso não é única; temos a explicação evolucionária que diz que as rotinas nos ajudam a sobreviver já que temos nossos riscos diminuídos quando estamos em terreno conhecido. Mas, afinal, o que faz com que muitas vezes evitemos mudar mesmo quando em profunda infelicidade?

Nossa mente é composta somente por memórias, pelo passado. Desde que nascemos, somos preenchidos pelo que vemos, ouvimos repetidamente, sentimos, cheiramos, etc., formando nossos conceitos e opiniões. Tudo que nossa mente tem é o nosso passado, tudo que ela analisa é baseado em experiências ou em conhecimentos anteriores, muitos deles que recebemos na nossa educação. Tomamos  decisões baseadas no que está depositado nesse “arquivo” e nos sentimos culpados quando desafiamos o que ele contém.

Buda dizia que devíamos “matar” nossos pais e Cristo aconselhava a abandoná-los. Evidente que isso é uma linguagem figurada  para que nos livrássemos desses conceitos e idéias que não são nossos, que foram impostos a todos nós. Os Sufis (místicos do Islã) utilizam uma metáfora em meu entender ainda mais bela, dizem: “Nenhuma mudança é possível antes que você morra”. Esse “morrer” na verdade é o desprender-se desse conjunto de pensamentos e idéias a que estamos amarrados, forjados, principalmente, na primeira infância.

Tomamos decisões que nem sabemos que são nossas. Quantas vezes nos deparamos dizendo coisas ou tendo as mesmas atitudes que condenamos em nossos pais, professores ou mídia por exemplo? Todo esse conteúdo está nas nossas escolhas e tomadas de rumo na vida. Mas isso é realmente seu? Sua vida seria a mesma se seus país e familiares fossem diferentes? Se seus parentes e amigos fossem outros, você estaria hoje trabalhando onde está, namorando ou casado(a) com seu parceiro(a)? Reflita sobre isso!

E é aí, justamente que está a grande dificuldade de mudar, seja o que for. Como a nossa mente só trabalha com o conhecido, o “novo” significa o desconhecido, o risco. E ainda, para piorar, procuramos uma segurança impossível de ser atingida, e que não tem a ver com o grande mistério e risco que é viver.

Acompanho no processo terapêutico que muitas pessoas estão absolutamente infelizes, deprimidas e entediadas com suas vidas, sem nenhuma perspectiva. Cenários que, tudo indica, não se modificarão, salvo um “milagre”, que, é claro, nunca acontece. Mas elas têm medo de mudar, medo que tudo possa piorar ainda mais, recusando-se a ver que mudar é uma moeda de dois lados, e que do outro está a felicidade, a evolução. Corre-se o risco de piorar? É verdade, mas também corre o risco de tudo dar certo. Mas para pensar positivamente, o obstáculo é a mente que diz: “Assim está ruim, mas pelo menos esse ruim é conhecido, mudar…sei lá, vai que piora..”

O “novo” dá medo por que é desconhecido. Não há registro do novo na mente, lá só tem o passado. Tem  aquela sensação interior que muitas vezes nos empurra para frente, mas o medo paralisa. É muito comum nos deixarmos chegar até o fundo do poço para só então virarmos fênix para ressurgirmos das cinzas. Essa situação limite parece uma desculpa para não termos outra alternativa que não seja se jogar no desconhecido. “Fiz o que pude”. “Chegou uma hora que já não agüentava mais, afinal foram tantos anos..” e outras justificativas.

É sabido por todos que a coisa mais certa na vida é a morte. Preocupo-me com o certo. Buscamos o certo e o seguro com afinco, mas não pensamos que tudo que está certo ou seguro não evolui mais, está acabado, morto. Viver é estar sempre pronto para mudar, afinal mudamos a cada segundo. Desde que você começou a ler esse artigo, milhares de células suas morreram e outras nasceram, portanto você não é mais a mesma pessoa. Isso significa que mudar de idéia,  faz parte do processo que é vivo e se desenvolve. Não tenha medo da mudança, reflita se seus conceitos de vida são realmente seus, se concorda mesmo com eles. Nem tudo que já foi bom permanece bom. Às vezes a validade expira…

A primeira mudança é de ponto de vista, já que tudo fica diferente visto por outro ângulo.

Carl. G. Jung dizia com propriedade que só seremos felizes quando formos nós mesmos.

Quem é mesmo você?

 

Alegria e Tristeza por comparação

tristeza_alegria



Penso ser importante refletirmos sobre a questão da alegria e da tristeza dentro da maneira que fomos educados. Se observarmos bem, veremos que, normalmente, fazemos tanto um como o outro por comparação, já que nossa cultura nos oferece os modelos que devemos atingir para que tenhamos o direito de nos sentirmos bem sucedidos.

Quando estamos tristes, muitas vezes experimentamos esse sentimento em relação a outras pessoas; não temos tanto sucesso, tanta beleza, tantos recursos, saberes ou mesmo tanta sorte etc. Dessa forma utilizamo-nos de parâmetros fora do nosso  próprio Ser para chegar a essa conclusão.

De outra parte, quantas vezes nos sentimos felizes pelo oposto: sinto-me bem por ser mais bem sucedido, mais belo(a),mais inteligente, ter um patrimônio maior ou ter mais sucesso em minha atividade, sempre relacionando com pessoas que conheço ou que admiro que consegui superar.

Tanto em um estado como em outro, a comparação está sempre presente e isso sempre é um motivo de insatisfação e sofrimento potencial, já que sempre posso ser ultrapassado e perder minha eventual superioridade.

Observe que, dessa forma de pensar, que atinge a maioria, deixo fora do meu alcance pessoal um estado de satisfação pessoal que pode ser mantido pelo meu próprio esforço e entendimento.

Será que não é por esse caminho que se distanciaram o “ter” e o “ser”?

Pelo critério da comparação, somente através do “ter” é que conseguirei atingir e manter um estado de satisfação comigo, já que meus parâmetros positivos e negativos estão por comparação, afinal essa alegria e tristeza podem ser de algumas formas adquiridas ou eliminadas agregando poderes(bens e valores) a minha identidade.

Já a alegria e contentamento pelo “ser” advém de um conhecimento interior, daquilo que temos de único, nossa digital existencial, o que por definição não pode ser comparado, afinal não existem duas pessoas iguais no mundo, concorda? Se sua resposta for “sim” pode parar de sofrer, afinal como comparar o que não é igual?

As conquistas materiais e de evolução espiritual convivem muito bem umas com as outras porque simplesmente não são comparáveis. Apenas faça seu próprio caminho e não utilize nada para se espelhar a não ser o que você realmente é, e onde pode chegar, o resto fica por conta de diretrizes sociais e culturais que têm outros interesses que não se preocupam muito com você.