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A sabedoria de Zeus

Era uma vez, centenas e centenas de milhares de anos atrás…

– Preciso falar com o Senhor.

Zeus já era Deus antes dos outros deuses que conhecemos. Já nessa época, onde parece que só existia a Grécia, ele já era antigo. Sendo antigo, sabia que a paciência era o que separava os humanos dos semideuses e esses dos deuses, onde ele reinava absoluto.

Uma das duas outras qualidades como administrador do Olimpo, era justamente colocar as pessoas certas no lugar certo, exemplo que se segue por eras desde então. Alguns aprenderam essa lição, como Tite e outros não, como nossos últimos presidentes. A outra é saber lidar com as vaidades, condição para gerir tanta gente importante, seja por ser ou se achar.

 Hermes é seu ajudante de ordens, uma espécie de “faz tudo”. Adotado posteriormente como padroeiro dos embusteiros, seria hoje facilmente chamado de lobista. Hermes era bom de conchavos e fazia alguns acertos políticos quando as coisas pareciam perder-se por falta de bom senso. Zeus sabia que, quando Hermes estava com essa cara, o problema seja qual for, não tinha sido resolvido nas instâncias inferiores.

– Entra Hermes, pelo visto aconteceu alguma coisa…

– Na verdade sim Zeus. Temos um problema inesperado e um tanto estranho.

– Querido Hermes, os problemas normalmente são inesperados e estranhos. Mas me diga, o que ainda falta acontecer por aqui?

-Na verdade não é aqui, no Olimpo.

– É em Gaia então? Quando pedi para Prometeu criar os seres humanos, ele devia estar com a cabeça em outro lugar. O que foi que eles fizeram dessa vez?

– Também não é em Gaia.

Zeus olhou fixo para Hermes como não fazia a muito tempo. A última vez tinha sido quando Persófane fora raptada por Hades e Demeter secou todas as plantações de planeta.

 Mostrando agora impaciência, Zeus ficou com olhar parado, esperando que Hermes contasse.

– Na verdade Zeus, o problema é no céu.

– No céu? Como assim? No céu só tem as estrelas, o Sol e a Lua. Explica logo!

Hermes precisava escolher as palavras, afinal deixar Zeus irritado nunca é bom, ainda mais quando ele pensa que o erro é por falta de atenção.

-Bom Zeus, com as estrelas está tudo bem. São milhões delas e tudo vai indo sem problemas.

Zeus agora ficou com o cenho mais franzido como se não estivesse entendendo.

Hermes pigarreou com medo de gaguejar, o que seria fatal.

– Na verdade, temos um problema com a Lua e o Sol.

-Como assim Hermes? Como pode ter problema?  Um fica de dia e outro à noite, fiz isso com perfeição, aliás como tudo que faço!

– Claro Zeus, o senhor fez tudo perfeito!

– Então Hermes, conta logo!

– Na verdade eles pediram permissão para namorar, senhor.

– Como assim namorar? Eles têm uma função a cumprir, pelo menos por alguns milhões de anos! Dei  ao Sol a luz e o calor e a Lua o poder sobre a agricultura, as marés e tantas outras coisas. Não tem nem como terem um relacionamento, isso seria um desastre e tiraria tudo da ordem.  Me explica Hermes!

– Pois é Zeus, eles estão se olhando há milhares de anos, criou um clima. Me entende?

– Clima? Como assim?

– Eles ficam se olhando, a Lua vê o Sol todos os dias e quando é ela  que vai trabalhar, ele fica olhando também e, sei lá, eles devem ficar imaginando como seria.

Zeus agora, estava realmente bravo!

– Como seria o que?

– Se ficassem juntos, assim como um casal, entende? Essa coisa de só ficar olhando, decerto um fica imaginando o outro perfeito. Quem não tem tempo de ficar junto para saber a verdade, só imagina.  Também achava que Afrodite era perfeita por ser tão linda. Eu acho que é isso.

– Você “acha” Hermes?

Lá no Olimpo foi um grito, aqui embaixo ouviu-se um trovão.

– Calma Zeus, eu vim aqui porque não encontrei uma saída. O Senhor sabe que normalmente resolvo essas coisas, mas dessa vez fiquei sem saber o que fazer. É que a Lua já está apaixonada e como não pode ficar com o Sol, está já há quinze dias na minguante. Com isso as plantações em Gaia correm risco. Se ela não melhorar para vir a crescente e a cheia podemos ter muitos muito problemas.

– Mas você falou com ela Hermes?

– Falei e ela disse que sem o Sol não vive. Só chora.

– E o Sol, disse o que Hermes?

– O Sol também está abatido, mas sabe como são os masculinos. Ele trabalha normal, afinal uma coisa não tem a ver com outra.

– Menos mal, suspirou Zeus. Menos mal.

– Mas e a Lua? O que o senhor sugere?

 Zeus coçou a cabeça. Tinha pensado em um universo ordenado, que funcionasse em perfeita harmonia. Depois, mudou de ideia, afinal para que serviriam aquele monte de deuses? Ócio nunca é bom, seja onde for.

Depois de um tempo, abriu um sorriso. Quando viu Zeus sorrir Hermes sentiu um alívio. Já sabia que iria ouvir de novo de que ninguém servia para nada, que quando um problema estourava era só ele mesmo que resolvia.

– Sabe Hermes, não canso de gostar cada vez mais de mim. Tenho um monte de deuses, centenas de semideuses que não servem para nada. Quando alguma coisa acontece, que saia um pouco do dia a dia, ninguém dá conta.

Hermes sussurrou:

-Claro!  É por isso que o senhor é o chefe!

-Não ouvi, o que você disse Hermes?

-Nada Zeus, nada. Qual é a sua ideia?

Fazendo o charme habitual, quase teatral de quem vai mostrar toda sua sabedoria, Zeus ficou olhando para a imensidão do espaço da janela do seu escritório. Começou a falar lentamente, como que saboreando suas próprias palavras:

– Sabe Hermes, não sou quem sou por acaso. Pense comigo; seja aqui no Olimpo como em Gaia, já reparou o que tem em comum os casais que se separam?

Quando Hermes ia abrir a boca, Zeus ergueu o dedo indicador, isso quer significar que ele não quer ser interrompido.

– Eles deixam de se gostar Hermes. Mas isso até um humano sabe, você poderá pensar. Mas o que eu, Zeus, já percebi é que é o fato de estarem juntos com frequência que acaba com o amor.

Hermes estava entendendo, mas quando Zeus estava em momento criativo, era mesmo um espetáculo. Nem imaginou em interrompê-lo.

– Então Hermes querido, anote o decreto de Zeus!

Hermes imediatamente se preparou para anotar. Zeus impostou a voz e decretou:

– Anuncie que, devido a minha bondade infinita, maior que todo universo, autorizo Sol e Lua de manterem um relacionamento.

Hermes estava chocado! Não teve forças nem para balbuciar. Zeus tinha enlouquecido?

Zeus parecia que lia o pensamento de Hermes, sorrindo com o canto da boca. Continuou a falar:

– Porém, como na minha sabedoria, sei que a harmonia e o amor entre o Sol e a Lua são fundamentais para que Gaia prospere, mesmo no futuro quando se chamar Terra, eu os autorizo a se verem em ocasiões especiais, as quais chamarei de eclipse! Ocorrerão de tempos em tempos que serão devidamente marcados por Cronos, ministro celestial do tempo. Cumpra-se!

Zeus, se aproxima de Hermes e sussurra em seu ouvido:

– É assim que os manterei apaixonados para toda eternidade Hermes. Será sempre namoro, sempre namoro.

Sacrifício e Felicidade

 

Esse vídeo é uma parte da entrevista de Joseph Campbell  intitulada “O poder do mito” e considero fundamental para quem se interessa por mitologia. Campbell, com seus estudos profundos, busca através do entendimento dos símbolos nos transmitir uma sabedoria que, se assimilada, mudaria em muito a maneira que vivemos, Esse trecho tem a duração de 1 hora e tem muita informação e reflexão de primeiríssima!

Espero que o caro leitor (a) aproveite! Se preferir o documentário completo, também está disponível, mas acho que não por muito tempo…

 

Imagem de Amostra do You Tube

A Primavera e o princípio Feminino

“Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher.”

Super Homem, a música –  Gilberto Gil

 

Começou a primavera, a mais feminina das estações, sendo uma boa oportunidade para falarmos do princípio feminino e para isso me valerei da mitologia grega e duas personagens femininas que se completam.

 

Conta a mitologia que havia uma deusa chamada Deméter, soberana da natureza, responsável pelas colheitas, flores e tudo que era gerado pela terra. Regia os ciclos da natureza e todas as coisas vivas. Deméter era uma deusa matriarcal, simbolizando o poder das entranhas da terra, que para os gregos, não necessitava de nenhum reconhecimento espiritual dos céus. Diz-se que ela ensinou aos homens como plantar e arar a terra e, as mulheres, como moer trigo e fazer o pão.

 

Deméter morava com sua filha chamada Perséfone em completa harmonia e felicidade, razão pela qual, tudo frutificava e a natureza brindava a todos com sua abundância. Porém, como nada persiste, um dia Perséfone saiu para passear e conheceu Hades, o temível senhor das trevas   (símbolo da morte) que se encantou por sua beleza. Hades, ofereceu a Perséfone uma romã (fruta utilizada por escolas iniciáticas por seu simbolismo) e a bela jovem apaixonou-se por Hades e foi morar com ele nas profundezas da terra. Ocorre que Perséfone foi embora com Hades sem avisar sua mãe, que pensou ter ela sido raptada. A paixão, às vezes é mesmo assim…

 

Enfurecida pelo desaparecimento da filha Deméter ordenou que a terra secasse, recusando-se a devolver-lhe a abundância enquanto não encontrasse sua filha, saindo pelo mundo a procurá-la. Deméter nesse momento nos mostra como temos dificuldade de aceitar as mudanças bruscas em nossa vida, já que, mesmo depois de saber que sua filha tinha ido de vontade própria e que estivesse sendo tratada com todas as honras de rainha pelo esposo, permanecia irredutível em sua posição.

 

Os deuses do Olímpo, preocupados que todos morressem de fome pela postura de Deméter, pediram que Hermes intercedesse e tentasse um acordo. Hermes, faz-tudo e padroeiro dos embusteiros, encontrou uma saída  mediada para o fim do conflito.

 

Assim, ficou decidido que durante nove meses do ano Perséfone ficaria com a mãe e durante três meses, desceria às profundezas da terra para estar ao lado do marido.

 

Embora o acordo esteja sendo mantido, até hoje Deméter ainda não se conforma totalmente com ele. Assim, durante os três meses que a filha fica longe, sua tristeza faz com que as folhas caiam, a terra esfrie e nada produza… Porém, quando Perséfone vem ficar com sua mãe, a alegria de Deméter faz as flores desabrocharem e, estamos na primavera…

 

Os ritmos dos ciclos menstruais, as mudanças de humor que o acompanham, fazem da mulher intuitiva, aceitando e mostrando que é possível entender o lado irracional da existência. O temperamento da mulher, somatório de Deméter e Perséfone, estão relacionados aos ciclos da natureza, muito mais do que com a lógica, afeita ao princípio masculino. Por isso, quando um homem se liga de forma criativa as emoções, está em contato com seu lado feminino que Jung chamava de Ânima.

 

Simbolicamente, Perséfone representa o espírito preso no ventre da matéria (por isso se apaixonou pelo Deus da morte), enquanto Deméter simboliza o espírito renascido da carne, dando origem a uma nova entidade que resulta de ambas. Perséfone é a intuição, afinal ela mora três meses em “outro mundo” e Deméter é a ação e conclusão, representada pela colheita, final do processo.

 

Enfim, sobre isso poderíamos falar muito, mas a proposta é sempre uma reflexão para enriquecer nosso auto conhecimento. Por isso, sempre que a primavera chegar, lembre que a filha que habita o mundo dos mortos vem visitar sua mãe que mostra sua felicidade na exuberância das flores e frutos. Pode acontecer dos primeiros dias demorarem a chegar, mas não se preocupe, Perséfone sempre vem, mas também faz parte do princípio feminino um atraso, vez por outra…

 

A questão da ESPERANÇA

PARA SER GRANDE, SÊ INTEIRO…

SÊ TODO EM CADA COISA…

PÕE QUANTO ÉS NO MÍNIMO QUE FAZES.

ASSIM EM CADA LAGO A LUA TODA BRILHA

PORQUE ALTA VIVE.

Fernando Pessoa

 

A esperança é tratada ou pensada pela maioria das pessoas como uma qualidade que devemos desenvolver, um predicado daquele que nunca deixa de acreditar que seu desejo se realize. Mas seria a esperança uma qualidade ou um defeito?

Parece que não se discute que a palavra esperança tem sua raiz em “esperar”, passando a idéia de algum ato passivo, desvinculado de ação. Sabemos bem o efeito que causa essa palavra dita, por exemplo, por um médico: “Não devemos perder a esperança…” nessa hora temos a percepção de uma sentença definitiva, irrevogável; sentimos que estamos sendo preparados para o pior.

Outros têm a esperança que suas vidas possam mudar, seja por um golpe de sorte,  esperando que o improvável aconteça, seja no aspecto familiar, profissional ou afetivo. Não sei quem foi que disse que o impossível às vezes pode até acontecer, mais o improvável nunca acontece. Pura verdade, pelo menos,  no meu ponto de vista. Minha experiência mostra que realmente esperamos o improvável, mas o que faz mal é que ao tomarmos essa posição, “entregamos os pontos” em relação as nossas atitudes para fazer acontecer, desistimos voltando nossa expectativa para que um milagre aconteça.

Pandora, quando abre sua "caixa".
Pandora, quando abre sua “caixa”.

Conta-nos a mitologia grega que Zeus, rei dos deuses, ficou descontente com a obra de Prometeu; ele havia criado o Homem amassando barro, contando com a ajuda de Atena que teria insuflado alma e vida. Para vingar-se enviou Pandora, uma linda mulher, que trouxe consigo um baú onde estavam colocados todos os defeitos humanos. Ao abrir a caixa, recebemos o egoísmo, a maldade, a inveja, etc. Porém, Prometeu conseguiu fechar esse baú antes do último defeito sair, e esse defeito era a esperança. Nossa imagem ilustrativa relata esse momento, e adorna a 17ª lâmina do Tarô mitológico, que leva o nome de “A Estrela”.

O ensinamento dessa estória era justamente demonstrar que a esperança é considerada um defeito na medida em que simplesmente desisto, seja do que for, abandonando a luta, aceitando a derrota sem reagir mais. O que precisamos, apesar de parecer tudo perdido, é acreditar que uma mínima luz do final do túnel é suficiente para que continuemos a lutar pelo que queremos e objetivamos.

Não conheço nenhuma história de crescimento pessoal que tenha ocorrido sem uma vitória sobre o medo, em momentos em que tudo parecia perdido, arriscando-se tudo! Sempre penso que nesses momentos cruciais, a vitória não veio da esperança, veio da confiança, na fé em si mesmo!

Portanto sugiro que, a partir de hoje, reveja seu conceito sobre a esperança e lembre que tudo sempre será resultado das ações anteriores e mesmo que não aconteça o esperado, a luta e o empenho com certeza o tornaram mais forte e valerá muito, logo, logo ali na frente. Afinal nosso “jogo” dá é com a vida, tem ainda muito tempo pela frente e está realmente longe de acabar…

Não “espere” mais!

 

*Nesse último final de semana estive em Joinville no Instituto de Parapsicologia ministrando um curso de numerologia. Foi uma experiência gratificante, onde tive a oportunidade de estar com um grupo de pessoas interessadas no progresso humano e em se “armar” de recursos para participarem do seu crescimento e dos demais. Como estou em viagem, prometo para a semana que vem a foto dos novos numerólogos.