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A vitória do mais fraco

“A fim de superar um sentimento de vazio interior e impotência o homem escolhe o objeto no qual projeta todas as suas qualidades humanas: seu amor, sua inteligência, sua coragem, etc. Ao submeter-se a esse objeto, ele se sente em contato com suas próprias qualidades; sente-se forte, inteligente, corajoso e seguro. Perder o objeto significa o perigo de perder a si mesmo.”

                                              Erich Fromm

                                                                                                                                                    Davi e Golias

Uma das coisas que chama a atenção nos esportes é a torcida a favor do mais fraco, mais pobre, menos favorecido em detrimento do mais qualificado, poderoso ou mais rico dos competidores.

Esportes que não ofereçam essa possibilidade não caem muito no gosto popular, já que torna a possibilidade da vitória heroica menos possível. Talvez possa ser interessante refletirmos sobre essa tendência e porque quando acontece nos emocionamos tanto.

Costumo sempre pensar que o encantamento da vitória do mais fraco seja a de nos mostrar que nossos sonhos também são possíveis. Projetamos no esporte, por exemplo, essa realização que nós mesmos achamos impossível em nossas vidas e é por isso que traz tanta emoção quando o mais fraco vence como nos mostra a metáfora da luta entre Davi e Golias. Transferimos nosso poder a um ídolo daquilo que não conseguimos concretizar em nossa vida.

Temos medo das mudanças que queremos, justamente por não termos a certeza que teremos sucesso. Nunca pensamos que nosso desejo se realizará, pelo contrário, esperamos sempre o pior e isso é que impede que muitos sequer façam uma tentativa.

Acostumamo-nos com esse jeito que queremos mudar e depois não conseguimos nos desapegar de parte de nós mesmos que sabemos que não está indo bem e está atrapalhando nossa vida. Isso nem é tão difícil de entender; somos como somos por muito tempo e mudar significa nos tornarmos algo desconhecido para nós mesmos. Pode parecer estranho, mas pare para pensar um pouco e verá que posso ter  razão.

Sonhamos com mudanças que, para acontecerem, necessitam que sejamos diferentes do que somos hoje e aí é que mora o perigo ou o medo. Essa mudança tão necessária para criar as condições para a transformação significa, em outras palavras, perdermos parte de nossa identidade (normalmente a que não está dando certo), e isso gera muita insegurança.

Como aprendemos que não devemos trocar o certo pelo duvidoso, tendemos a preferir ficar como somos a irmos em direção ao desconhecido, mesmo que essa pessoa esteja infeliz ou frustrada com sua vida hoje. Mesmo que seja claro que não haja quase nenhuma possibilidade das coisas melhorarem por si mesmas – quase nunca há, apesar de sonharmos com mudanças em que não precisemos nos esforçar – continuamos com a tendência de ficarmos onde já conhecemos.

Daí, adoramos ver as histórias de vida das pessoas que venceram dificuldades grandiosas, dos desprezados que se indignam com sua situação e transformam suas vidas, ou dos pequenos times que vencem os “grandes” e fazem história. Tendemos a não lembrar das vitórias comuns, onde o previsto acontece, mas tornamos verdadeiras lendas as vitórias consideradas impossíveis.

O leitor poderá argumentar que essas grandes vitórias contra o “destino” são em pequeno número se compararmos com as vitórias dos considerados “melhores” e é justamente aí que quero chegar. Porque sempre, ou na esmagadora maioria das vezes vence o melhor e mais preparado? Justamente por ser melhor e mais bem preparado!

Muito dos grandes de hoje, quase a maioria, foi pequeno antes de se tornar vitorioso e isso tem a ver com enfrentar o medo e acreditar que o impossível é possível. Até penso que muitos desses pararam para observar que, como isso acontece com certa frequência, nem deve ser tão difícil assim.

E aí eu faço uma pergunta: será que me sentir inferior,  achar que não consigo,  que o sucesso não é mesmo para mim ou que não nasci com a bunda virada para a lua, seja uma maneira com que me identifico e sobre a qual estruturei toda a minha vida e visão de mundo? Se for assim que me vejo ou me disseram que devo pensar, nunca mesmo vou conseguir. O mais perto que se chega, nesses casos, é chorar no cinema, no último capítulo do livro ou nos estádios pela vitória dos outros.

O grande sucesso que essas histórias fazem é justamente fazer-nos vibrar com a vitória dos outros, que venceram por “nós”. Tornamos esses vencedores nossos ídolos, compramos os produtos que eles anunciam, usamos suas camisas com orgulho, mas infelizmente, para a esmagadora maioria, não muda nada em suas vidas.

Esses vencedores parecem ser de outro mundo, onde o impossível acontece, não do nosso, das dificuldades e da esperança de uma recompensa no céu por todas as dificuldades que passamos.

Parece que a vitória dos “heróis” nos basta, ficamos preenchidos por elas e isso nos acomoda nas derrotas cotidianas. Vingar-nos-emos quando assistirmos outra superação ou quando algum Golias cair de cara no chão.

Palestras motivacionais estão sempre cheias porque nos dão uma dose de algumas horas de que é possível entrarmos para o Olimpo dos bem sucedidos, mas isso dura pouco e, em poucos dias, a rotina nos recoloca de novo na poltrona a espera do nosso milagre.

De outra forma, isso também pode ter a ver como as pessoas gostam de acompanhar escândalos com pessoas famosas, onde a queda é grande. Inconscientemente, isso pode mostrar como é bom ser um anônimo, desconhecido e desfavorecido. Quanto mais perto do chão estiver, a queda nem machuca. Preferimos acreditar que o “reino dos céus” será o pagamento por ser uma ovelha obediente, e com certeza, passaremos sem dificuldade pelo “buraco da agulha” que separa os que merecem daqueles que vivem bem e confortavelmente no pecado de serem bem sucedidos.

Estamos sempre transferindo nossos sonhos e frustrações em outros lugares, pessoas e situações com o objetivo de tirar o foco e a responsabilidade sobre nós mesmos. Como disse Willian Silverberg * em uma clássica definição psicanalítica da transferência:

 “A transferência indica uma necessidade de exercer um controle total sobre as circunstâncias externas com toda a sua variedade e multiplicidade  de manifestações. A transferência pode ser considerada como o duradouro monumento à profunda rebelião do homem contra a realidade e a sua teimosa persistência nos caminhos da imaturidade.”

Portanto, penso que ser Golias é melhor e dá mais resultado. Vez por outra ele encontra um Davi pela frente, mas isso chega a ser tão raro que vira história e a vida bem vivida é sempre feita de mais vitórias que derrotas. Perder faz parte e é do jogo, nos ensina os caminhos a serem corrigidos, para podermos continuar vencendo na maioria das vezes.

Como bem diz uma propaganda em voga durante a copa do mundo, o negócio é menos discurso (desculpas) e mais atitude. Nunca esqueça que o pior dos arrependimentos é o de não ter buscado sua realização, seja no campo que for.

Só assim teremos histórias para contar onde seremos os protagonistas. É muito melhor falarmos de nossas conquistas do que contar as vitórias emocionantes dos outros.

*Citado por Ernest Becker em “A negação da morte”.

Mentalidade doentia

“Mentes brilhantes provocam ações que causam sofrimento e dor. É preciso, também, educar os corações”.

                                               Dalai Lama, 1999

O ser humano ao longo da história tem sido educado (condicionado) pelo  paradigma da escassez. Quem de nós não ouviu o que nossos antepassados sempre disseram para seus filhos, que depois disseram para nós:

 hipocrisia

“Dinheiro não nasce em árvores!”

“Não acho dinheiro na rua”

“A vida não é fácil”

E tantas outras frases que impregnam nossa maneira de ver o mundo de forma limitante. Esse conceito de miséria traz sérias consequências, afinal, se manifesta na forma como vivemos, nos relacionamos, administramos o tempo e até mesmo como tratamos o planeta. Nossa exterioridade é reflexo do que pensamos.

Já que, dentro dessa mentalidade,  tudo é escasso, significa que vai faltar, então preciso cuidar primeiro de mim. Logo, pela mesma escassez, preciso competir, com isso, criam-se padrões de divisões sociais onde há vencedores e perdedores, ou seja, a exclusão. Também, se vai faltar, preciso acumular e isso leva ao consumo exacerbado, o que significa que vai sobrar para mim e faltar para o outro. Parece básico, mas na verdade o que está por trás da ambição é o medo da escassez.

Esse círculo vicioso da miséria tem como resultado o processo de violência instaurado hoje, não só entre países, mas também na porta de nossas casas. Com isso sempre desconfiamos das pessoas e precisamos de muita atenção para não sermos “passados para trás”, ou seja, alguém quer tirar vantagem e sairei perdendo. Será?

Pode ser conveniente lembrar a oração mais famosa do cristianismo que nos convida a pedir apenas o “pão que nos dai hoje”, sem a necessidade exagerada de ter tanto pão que nem conseguirei comer. Quero deixar claro que não sou contra qualquer tipo de poupança ou investimento, mas falo aqui de uma questão conceitual de como vive e pensa  a sociedade.

Precisamos mudar o paradigma da escassez que gera medo e sofrimento. Isso significa que preciso parar de pensar de forma pobre e medrosa. Se assim fosse, em muitas  áreas de atuação não poderiam formar novos profissionais, já que o mercado estaria esgotado. O que vemos é que quem é bom no que faz e tem talento sempre consegue um bom lugar ao sol e prospera. Portanto a escassez não existe!

Constam nos livros bíblicos, que Moisés levou quarenta anos para levar seu povo que era escravo no Egito para a terra prometida. Ocorre que se observamos em um mapa, temos um trecho de poucos quilômetros que poderiam ser percorridos em alguns dias apenas. Isso é a representação simbólica da mudança de mentalidade. Afinal, o povo que ele levava à terra prometida era composto de pessoas acostumadas à escravidão, ao sofrimento e escassez. Por isso esse tempo de quarenta anos (uma metáfora, já que o número quatro está ligado a uma mudança de ciclo), significou que nenhum dos que saiu do Egito chegou à terra prometida. Essa era a condição para ser entendido quando disse: “O Manah vem dos céus e não haverá escassez”. Precisava ser outra geração para sua mensagem poder ser não só absorvida, mas vivenciada. Já que os filhos dos escravos não tinham vivido a escravidão, não estava neles essa ideia de que sofrer e passar dificuldades fosse normal.

Em outro momento bíblico, quando Jesus fez a “multiplicação dos pães”, foi uma lição de divisão e solidariedade. Quando ele disse que haveria o suficiente para todos, que não se preocupassem, cada um pegou apenas o que necessitava, sem ganância nem egoísmo e a quantidade existente foi satisfatória.  Dessa forma, o verdadeiro milagre não foi “multiplicar” o alimento, foi a mudança de paradigma, da escassez para a abundância, ou se preferirem, de perder-se o medo de que faltaria alimento. Nunca me canso de repetir que a necessidade de acumulação sempre tem como motivação o medo, mas no fim o medo passa a ser outro: de perder o que se acumulou.

Uma mentalidade mais saudável pode nos levar  a uma sociedade pacífica, muito menos violenta e dividida, mas para isso será necessário mudar como pensamos o que seja, afinal, viver. Isso é possível? A resposta pode ser “sim” se for uma atitude individual, que pelo poder do exemplo pode multiplicar-se, mas será “não”, se esperarmos essa mudança de pensamento venha pelo status quo, afinal isso mudaria o sistema de competição que alimenta todo o mercado de produção e acumulação que experimentamos.

A cultura dominante, devido a essa mentalidade de escassez, se estrutura ao redor da vontade de dominação da natureza (riquezas), dos outros povos e do mercado. Essa é a lógica que criou a cultura do medo e da guerra, modelo antigo, que desenvolve cada mais tecnologia, separando o mundo em dois: os que podem usufruir e os excluídos e que precisam lutar, usando bons e maus métodos para continuar a sobreviver. Enquanto isso, temos armamentos de última geração que podem destruir o mundo centenas de vezes e cada vez mais pessoas vivendo em imensa miséria.

Leonardo Boff nos mostra com clareza essa situação quando diz: “A manutenção desse modelo nos levará em pouco tempo, a uma divisão cada vez mais abissal entre ricos e pobres, a quem tem acesso e não tem.  Surgirá então uma ruptura biológica na espécie humana, uns vivendo mais, com mais saúde física e inteligência e outra parcela, a maioria, vivendo menos, fisicamente debilitada e sem educação. O resultado será a tragédia moral da exclusão aceita, pelo sentimento de dessemelhança, que já conhecemos pelas discriminações raciais, só que agora, muito mais do que antes,  entre ricos e pobres. Os primeiros (ricos), livres para a violência do desprezo de usufruir riquezas e do avanço tecnológico sem solidariedade, e os outros, livres também, mas para se rebelarem sob todas as formas de violência, como já acontece hoje”.

Vemos um planeta que está se esgotando pela ganância e morreremos todos. É simplesmente inacreditável que o homem ainda se veja à parte do planeta, como um ente separado. A Terra (gaia) é um ser vivo e fazemos parte dela. Os rios e mares são o sangue, as florestas os pulmões e nós, seres “humanos” seu cérebro. Como nosso pensamento está doente estamos matando o corpo. As células de câncer querem crescer, mesmo que isso as leve a morte também, por isso são uma doença.

Dos mais de 3.000 anos de história da humanidade que podemos datar, praticamente em todos presenciamos povos em guerra. Se observarmos bem, veremos que todos os países em suas festas nacionais, a grande maioria de seus heróis e monumentos das praças são de heróis de guerra, ou seja, onde comemoramos conquistas territoriais, e, consequentemente, muitas mortes do “inimigo”.  Como bem diz Maurício Andrés Ribeiro: “Nessa cultura, o militar, o materialista o banqueiro e o especulador valem mais do que o poeta, o filósofo e o santo. É evidente que nesses processos de socialização formal e informal, a cultura da violência não cria condições para uma cultura de paz”. Estamos há milhares de anos em conflito interno, mas é bem mais fácil projetá-lo no “outro” que vive diferente ou que tem um deus que não combina com o meu.

Ainda vivemos uma educação  patriarcal (masculina) que criou instituições assentadas sobre mecanismos de opressão como o Estado, o exército, a guerra e meios de produção vinculados à destruição da natureza. Um dos filósofos mais famosos da história, Francis Bacon em momento de rara infelicidade (ou porque não foi devidamente entendido), disse que deveríamos submeter a natureza ao nosso domínio. Hoje, nos invernos e verões rigorosos, no ar sem qualidade, na escassez de água, para não estender demais, são o pagamentos que todos, enquanto carma coletivo, estamos assumindo pela ignorância de “técnicos e especialistas” que esquecem a mais elementar verdade: não somos mais do que a natureza a ponto de dominá-la, mas parte dela e deveríamos nos esforçar para entende-la.

Pense que essa maneira doentia de viver não se aplica a nenhum lugar longínquo ou a uma profecia, mas já faz parte do dia a dia de todos nós. E o pior, vamos nos acostumando e, como tudo que se repete, vira “normal”.

 Afinal, como já nos ensinou Sua Santidade o Dalai Lama, a educação voltada somente para a mente ao longo da história da humanidade é um sistema que teve como resultado ações que significaram milhões de mortes, misérias, sofrimento, dor e depredação ambiental. Precisamos entender que educar a mente é  importante, mas  educar nossos corações é a única solução.

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Fragmentos de discursos de: Leonardo Boff, Dalai Lama, Maurício Andrés Ribeiro que constam do livro “ A paz como Caminho” tendo Dulce Magalhães como organizadora editado pela Qualitymark, com o patrocínio da Unipaz.

Do homem e do animal

            “A verdade sempre será aquilo que realmente você ver sem pensar. O que foi ouvido nunca será verdadeiro”.

                                          Sabedoria Sufi

homem e animal

Quanto dos nossos pensamentos e preocupações é realmente nosso?

Talvez o caro leitor, já assíduo no blog, possa estar pensando que estou me referindo aos nossos condicionamentos, ou seja, formas de pensar vindas por introjeção desde a infância, oriundas da família, religião e sociedade,  que ficam rodando em nossa cabeça como um disco arranhado (os mais antigos sabem do que falo). E, de tanto rodarem, terminamos assumindo como verdades absolutas e pautamos nossa vida por eles, e, por mais infelizes que por ventura estejamos, temos imensa dificuldade de desafiá-los.

Desta vez, porém, me refiro a outro tipo de pensamentos que não são “nossos” e que, independente do quanto já tenhamos nos livrado dos condicionamentos, esses não nos abandonam jamais; refiro-me aos pensamentos atinentes ao nosso corpo, que, por fazer parte da natureza não difere em muito na sua estrutura dos animais. No que tange ao cérebro, por exemplo, temos um neo córtex (cérebro novo), que desenvolvemos mais recentemente, já que o mais antigo chamado de reptiliano e o desenvolvido posteriormente chamado de emocional ou límbico é compartilhado por grande número de mamíferos e até algumas aves.*

Quando digo que esses pensamentos não são “nossos”, estou falando em relação a nossa Consciência que deveria pautar todas as nossas ações, já que de posse dela, temos sempre uma clara noção de tudo que nos envolve e isso também inclui os pensamentos automáticos (condicionamentos). Na verdade, o que nos difere dos animais é justamente essa Consciência que temos e eles não. Porém, é sempre importante lembrar que essa Consciência é de uso facultativo e só está disponível eventualmente quando algo nos tira do “piloto automático” ou por uma busca pessoal de manter-se a ela conectado. Essa segunda opção é fartamente estudada e faz parte da psicologia oriental que desenvolve muitas práticas para isso, algumas de domínio público e outras restritas às Escolas iniciáticas. Por isso, não surpreende que os laboratórios de psicologia utilizem animais em seus experimentos buscando testar e entender o comportamento humano. Sem a utilização da Consciência, não há mesmo muita diferença!

Esta talvez seja a maior luta que temos a travar em busca do nosso autoconhecimento: entender o funcionamento da nossa mente e passar a dominá-la, sabendo de sua finalidade e que ela não é nosso último recurso, já que sempre estará (ou deveria) estar submetida à Consciência. Todos os pensamentos ligados ao nosso corpo tem por finalidade mantermo-nos vivos, saciar nossas necessidades imediatas e evitar ou diminuir nosso sofrimento que para a mente, pode nos levar à morte.

Então se imagine com fome ou qualquer outra necessidade básica que lhe traga sofrimento. Não é difícil perceber que os pensamentos que teremos estarão totalmente focados em suprir esse sofrimento e imagino que, por exemplo, você não estaria disposto a conversar sobre religião, política, economia diante dessa situação. Da mesma forma, se estivesse em uma sala de aula ou ouvindo uma palestra seu aproveitamento seria quase nulo, justamente porque esse tipo de pensamento ligado às necessidades do corpo, praticamente impediriam que você conseguisse a concentração necessária. Só que quero enfatizar é que isso não tem a ver somente com essas necessidades básicas do corpo, mas também com necessidades emocionais e sentimentos como raiva, vergonha, etc.

Podemos ir ainda um pouco mais fundo; como nosso metabolismo está sempre funcionando de acordo com o que estamos imaginando, mesmo nossas “alucinações” sobre o passado e futuro com a qual a esmagadora maioria das pessoas estão viciadas, as tiram completamente a percepção da realidade fazendo com que tomem suas decisões e escolham seus caminhos baseados em um “estado de espírito” sem nenhuma conexão com o que realmente é a verdade naquele momento. Quando estamos à mercê do corpo e suas necessidades, não somos o que somos. É como se essas necessidades nos tornasse uma pessoa diferente que estará no comando até que o assunto se resolva de alguma forma. Se você um dia já disse “perdi a cabeça”, pode compreender agora que sua “cabeça” teve por alguns momentos um outro dono que não era essa pessoa que você pensa que é. Concorda?

Os pensamentos ligados ao corpo sempre estarão presentes, independente da Consciência, mas a presença dela faz com que esses pensamentos não nos comandem ou exerçam influência decisiva em nossas escolhas. É uma tremenda bobagem achar que um dia eles cessarão, já que enquanto o corpo viver haverá uma mente e, portanto, emoções, dores e necessidades fisiológicas ou egóicas pedindo atendimento e fazendo que qualquer sofrimento pareça eterno. É justamente por isso que os países orientais tem uma cultura de sempre demorarem a decidir e só pode ser mesmo por terem essa percepção há muito tempo. Até mesmo os trâmites lentos da justiça se tornam necessários para que a decisão sempre seja tomada com o maior distanciamento possível, o que sempre torna a “verdade” mais fácil de ser encontrada.

Infelizmente nos deixamos inebriar pelas coisas que imaginamos e, consequentemente, “drogados” pelas emoções correspondentes e vamos perdendo o contato com a realidade. Desde que a criança aprende essa doença chamada preocupação (pré-ocupação da mente) com seus pais, passa a viver esse estado ilusório, estruturado em cima do medo do futuro. Por isso que acho que mais ninguém nos últimos tempos chegou ao “reino dos céus” justamente pela perda da conexão com o presente, características das crianças e ausente totalmente dos adultos preocupados, ou seja, estressados, ansiosos, tensos e, consequentemente, doentes.

Na verdade, o que é real só pode ser constatado quando apenas estamos vendo e não pensando. Pensar significa julgar, atribuir significado e isso tem a ver com nosso “programa”, com o nosso dia, com o quanto bem ou mal estejamos nos sentindo, se estamos com alguma dor ou qualquer preocupação. Todos esses fatores que não tem a ver diretamente com a Consciência é que nos dão a interpretação do que estamos vendo e isso está muito longe de ser chamado de realidade.

Torna-se necessário, portanto, percebermos os nossos pensamentos, buscando suas origens. Temos os pensamentos do corpo, os que herdamos de quem nos educou, e do medo do futuro que é da natureza da mente. Nenhum deles tem a ver com essa essência imortal que habita esse corpo onde moramos. Saber diferenciá-los, relativizá-los e entende-los é o exercício de cada minuto de quem busca seu autoconhecimento.

Enquanto isso não acontecer será esse verdadeiro caos, que é não vermos a realidade, mas imaginá-la o tempo todo sob as lentes distorcidas de tudo que nos atormenta a cada momento.

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*Para saber mais, ver teoria do cérebro trino.

Procura sem fim

Há duas tragédias na vida; uma a de não satisfazermos nossos desejos, a outra de os satisfazermos.

Oscar Wilde

correndo

 “Um homem procurava a noite algo no chão debaixo de um poste de luz. Alguns  amigos vinham passando e perguntaram: – O que estás procurando?

 O homem respondeu: – minha carteira de identidade.

Então os amigos se puseram a ajudá-lo. Passado algum tempo sem nada encontrar perguntaram: – Tem certeza de que perdeu sua carteira aqui?

O homem responde: – Perdi lá atrás.

Indignados os amigos disseram: – Então porque você está procurando aqui se a perdeu em outro lugar?

O homem respondeu: – Porque aqui tem mais luz.”

Há quem afirme que sem desejos não vivemos. Isso também é verdade, na medida em que são eles que nos fazem correr atrás de conquistá-los, nos mantendo em movimento que é a essência da vida. Mas afinal, o que é um desejo e até onde isso pode me fazer mais mal do que bem?

Precisamos partir do pressuposto que se desejo algo é porque não tenho. Isso vale para tudo, afinal ninguém deseja o que já tem. Também foram os desejos de viver melhor e com mais conforto e segurança que impulsionaram não só a tecnologia como também as guerras e todos os conflitos por posse do que quer que seja.

Outro ângulo a ser explorado é que se desejo alguma coisa material ou mesmo uma pessoa (relacionamento), filosofia, religião etc., esse sentimento traz em si a certeza de se o desejo for alcançado, me fará mais feliz e meu ego será preenchido de forma a me sentir com mais poder e valorizado. Isso se dá, justamente, por ter agregado a minha identidade pessoal esse objeto, pessoa ou o quer que seja. Por isso preste atenção nesse ponto, pois para lidar melhor com os desejos é preciso entendê-los.

Todo o desejo atinge seu clímax no momento da sua obtenção e, a partir desse instante já começa a experimentar um declínio que logo se tornará um vazio, de onde surgirá o próximo e assim sucessivamente.

Dessa forma, desejar alguma coisa está intimamente ligado a nossa eterna busca por felicidade e realização. Em nossos tempos, a mídia trabalha isso com maestria criando diariamente necessidade em uma série de objetos que, segundo a propaganda, trarão mais realização e admiração das demais pessoas. Então a estorinha (comercial) é repetida muitas vezes, martelando essa ideia em nosso subconsciente e, daqui a pouco, foi criado mais um desejo, que me fará acreditar, consciente ou inconscientemente, que dessa vez, quando tiver esse objeto, finalmente serei quem quero ser e até agora não consegui. Esse processo da mídia é ainda mais maldoso, afinal ela separa as pessoas em grupos; os que têm o objeto e, portanto são inteligentes, bem sucedidos e felizes e os que não têm, que estão fora desse “seleto” grupo de pessoas especiais. Assim, como ninguém que ficar de fora, a pessoa se mata de trabalhar, abrindo mão do seu lazer e da convivência com pessoas importantes atrás de uma marca que o incluirá no grupo dos “bons”.

Justamente por isso as mídias são normalmente estreladas por pessoas famosas, passando a ideia subliminar que ter aquele produto ou serviço me tornará igual a ela.

Assim, hipnotizados (essa é a palavra correta) diante da televisão, rádio, internet e até mesmo andando pela rua em uma poluição de outdoors dos modelos dos mais antigos aos mais modernos, com muito som, movimento e cor, vamos sendo sugados pela moda, pelos carros, eletrônicos e roupas atrás de realizar nossos mais recentes desejos que também chamamos de “sonho”.

Qual é o problema real dessa situação? Com o tempo, até mesmo porque quem nos educou também sofreu com isso, vamos transferindo para um objeto atrás do outro, relações de todos os tipos, filosofias e religiões a solução em busca de valorização e admiração dos demais. Obviamente isso nunca terá fim, porque o sistema, cada vez mais veloz e necessitando do dinheiro dos desavisados, faz com que tudo saia de moda e perca valor cada vez mais rápido. Andei até observando, que até mesmo as casas, que sempre eram feitas “para sempre” já são objetos da moda, com desenhos arquitetônicos que mudam de poucos em poucos anos.

Tem saída?

A saída é buscar uma consciência lúcida que permita fazer uma simples pergunta que muda tudo: Até que ponto realmente preciso disso? E isso vale caro leitor para tudo.

Sem essa percepção pró ativa essa máquina de moer que é nossa sociedade vai vitimá-lo sem esforço. De onde você acha que vem a crise de ansiedade que assola o mundo? Vem principalmente do medo de não conseguir realizar os desejos e, portanto, de não ser feliz. Pense bem e é bem possível que concordes comigo.

É óbvio que precisamos de coisas para sobreviver e isso é bem diferente de desejo em certo sentido. Maslow em sua famosa pirâmide de necessidades mostra que não almejamos autoestima se, por exemplo, estivermos com fome. Que só pensaremos em realização pessoal se nossas necessidades básicas estiverem supridas, bem como etapas anteriores como pertencer a grupos e nos sentirmos seguros.

Então, o grande problema é que estamos vivendo um tempo que devido a essa manipulação do desejo, vemos pessoas correndo atrás de coisas que não poderiam ter, já que itens anteriores e fundamentais não fazem parte ainda de suas vidas. Toda a grande farsa consiste em oferecer atalhos ilusórios em busca de felicidade pela adoção do paradigma do que se deve ter e de como nossa vida será maravilhosa se seguirmos a cartilha imposta pelo sistema. Isso leva inevitavelmente a angústia e o medo de não atingirmos o que se espera e nossa vida seria um fracasso. Assim se escraviza e manipula toda uma sociedade, pelo medo!

A sabedoria nos mostra que podemos ter tudo, mas que precisamos de uma relação de qualidade com a materialidade e que não adianta buscar fora o que só pode ser encontrado dentro de nós através de novos pensamentos e percepções. Se não fizermos paradas e refletirmos sinceramente sobre como estamos levando nossa vida seremos inevitavelmente engolidos pela doença do consumo e nos tornaremos verdadeiros zumbis, vagando pela vida, sem perceber sua passagem por estarmos sempre olhando lá na frente, na próxima aquisição, no próximo relacionamento, em busca do descanso (segurança) que, para a grande maioria das pessoas, já poderia estar sendo curtido nesse exato momento.

O mais engraçado disso tudo é que tudo que estou dizendo todos dizem já saber, mas porque então essa situação não muda? Pelo simples fato de não praticamos o que sabemos que devemos fazer por puro medo de ser diferente e sermos excluídos. Não queremos ser chamados de “loucos” por nossos amigos e familiares, perdermos o respeito e a admiração das pessoas. Assim, preferimos a doença em conjunto ao invés da loucura de estarmos enxergando, em uma terra de cegos que estão sendo guiados por interesses nada humanísticos.

 Não é errado pensar no futuro, fazer planos e tomar providências, mas viver o tempo todo com a consciência no que virá (?) é o grande erro. O nome disso é ansiedade que é o alicerce por onde se erguem as doenças psicossomáticas e autoimunes.

Mas talvez o grande problema do desejo em si é apenas um: nenhum tem o poder de solução, mas todos, eu disse TODOS, são apenas paliativos de efeito cada vez mais rápido e, logo em seguida, volta a dor e lá vamos nós atrás do próximo remédio…

 Sei que é muito difícil e é quase impossível suportar a pressão, afinal todos ao nosso lado acreditam nesse mantra. Fugir para as montanhas meditar não traz nenhuma vantagem só mesmo o descanso de uma fuga. A vida é aqui e agora e se estamos vivendo nessa grande fábrica de desejos é justamente nela que precisamos lidar com o problema e avançarmos sobre ele, a não ser que você ache que nasceu “por acaso”.

Tenha tudo que quiser, vença no mundo material e isso é mérito! Mas não torne nada fundamental em sua vida que esteja fora de seu alcance. É lícito pensar em sua velhice, afinal, pode acontecer de você viver até lá, mas não deixe para viver só quando o horizonte mais próximo pela sua idade seja a morte. Como diz um amigo: “vou viajar agora, enquanto posso carregar minha mala”.

Buscar esse ponto de equilíbrio entre o medo do futuro e viver os bons momentos que são possíveis agora é a espiritualidade. De nada adianta rezar e rezar e continuar buscando uma coisa atrás da outra em uma corrida sem fim e sem descanso.

Crescer material e espiritualmente é isso que se espera do ser em evolução nesse mundo que vivemos. Mas para isso, entender e dominar os desejos, sempre transitórios, é o primeiro passo em busca do fim do sofrimento.

O personagem de nossa estória preferiu procurar no lugar mais fácil (onde tinha luz) do que no lugar onde realmente estava o seu objeto perdido. E o que eu mais gosto nessa metáfora, que a torna sutil e profunda, é que ele perdeu a sua identidade…

Como formar um “rebanho”

Tudo quanto tenho feito, pensado, sido, é uma soma de subordinações, ou  a um ente falso que julguei meu, por que agi dele para fora, ou de um peso de circunstâncias que supus ser o ar que respirava.

Sou, neste momento de ver, um solitário súbito, que se reconhece desterrado onde se encontrou sempre cidadão. No mais íntimo que pensei não fui eu.

 

Fernando Pessoa- Navegar é preciso

 

Manipulação 1

Deus, sempre ele, desde tempos imemoriais tem sido usado como o maior e melhor modo de controlar as pessoas e manipulá-las. Cabe lembrar que sua existência ainda é controversa, sendo  uma questão de crença, afinal, nunca ninguém o viu ou falou com ele. Até hoje em dia, caso isso aconteça com você, de vê-lo ou ouvi-lo, procure manter um absoluto sigilo, pois se ficarem sabendo seu futuro será um psiquiatra e uma extensa lista de medicamentos.

Assim, aqueles que manipulam as pessoas precisam, para que elas se sujeitem aos padrões de comportamentos desejados, que estejam vivendo duas emoções; o medo de uma eventual punição e a culpa, por terem descumprido alguma “regra”. Some-se a isso, que, para que as regras sejam seguidas tenham, em quem as determine, uma forte autoridade. Dessa forma, quanto mais absurda, maior autoridade precisa ser a do seu autor. Assim, nosso deus, de costas muito largas, coitado, tem visto seu nome ser usado em vão há séculos, para que as pessoas (no caso ovelhas), sigam determinadas normas de conduta, conceitos de certo e errado, que não se discuta ou questione.

E o que é uma norma absurda? É aquela que não seja possível de ser atingida, por estar fora do âmbito humano. Se pensarmos bem, veremos que tudo que é considerado pecado é alguma emoção ou comportamento extremamente natural, ficando, portanto, necessitando de um tamanho esforço pra ser cumprido que o torna irrealizável.  Alguns desses pecados ou mandamentos chegam ao ponto de que é proibido pensar, ou seja, não tem como ser conseguido, afinal não podemos fazer com que nosso cérebro simplesmente não pense. Assim, a pobre ovelha já está em sofrimento, afinal deus está muito irritado com ela por ter esse tipo de pensamento. Então, ela, para se redimir, precisa de uma penitência (punição). Esse tipo de bobagem, como tudo que é cultural e repetido desde a infância vira uma norma de vida e a própria pessoa se pune sozinha pelo seu grave erro (?).

Somente pessoas tristes e quase mortas são manipuláveis, portanto, essas normas visam tirar a alegria, o prazer e a felicidade. Sobra só o sofrimento que nos purifica e nos limpa de nossos pecados que já trazemos, pasmem, desde que nascemos. Isso porque há dois mil e poucos anos crucificaram Jesus que veio para nos libertar e eu, que não estive lá e não participei disso, preciso ter uma vida sem graça e muito chata para pagar esse erro que certamente não cometi, mas que me garantirá um lugar no paraíso dos justos. Inacreditável!

Então, os pastores vão conduzindo seus rebanhos dizendo que comidas gostosas (prazer) é pecado, que sexo é errado, que sentir ira (é instinto) é um pecado capital, que divertimento precisa vir bem depois do trabalho (precisa suar o rosto, lembram?) e que viver é mesmo sofrer, porque um dia, se você fizer tudo certinho ( tiver tido uma vida de sofrimento) será recompensado. Se isso for verdade imagine só a chatice que será viver no paraíso! Que vida eterna mais sem graça, afinal a música permitida provavelmente será a barroca ou sacra, dançar nem pensar, chocolate, riso, romance e divertimento então somente naquele “lugar” para onde vão os que erraram, pecaram e não foram tementes (ter medo) de deus. Imagine só que as pessoas que conseguiram essa façanha precisam ser moralistas, chatas e sem graça. Basta observarmos os exemplos dos futuros candidatos a um lugar no paraíso que ainda estão entre nós. Que tal passar a eternidade com eles?

É claro que todas essas regras não são religiosas no seu sentido último, que seria nos ligar a divindade, mas são normas de conduta e higiene pública. Só acho que os tempos mudaram e passado tanto tempo poderíamos melhorar isso, diminuindo o sofrimento dos incautos que ficam tentando atingir essas metas de comportamento que só serão conseguidas à custa de sua qualidade de vida. Parece que o pessoal do marketing dessas pseudo religiões não estão entendendo que o único público que ainda os aceita são aquelas pessoas que realmente precisam de um cabresto, pois não conseguem viver em liberdade. Os demais, já se afastaram há muito tempo, visto o crescimento de religiões bem mais antigas, vindas do oriente, que parecem respeitar bem mais a inteligência das pessoas.

Essas ideias que nos foram dadas lá trás na nossa infância continuam vigorando, mas já não somos mais crianças! Os pecados que punem os exageros de toda a espécie tem por finalidade nos por em uma certa linha pelo medo. Essa é a maneira de se domesticar as crianças, ameaçando com o “homem da capa preta”, o “lobo mau” e outras chantagens. As pessoas não percebem que cresceram e esses conceitos continuam vigendo em sua mente mesmo depois de adultos e estão norteando suas escolhas.

Assim, nossas religiões ocidentais nada fazem se não reprimir a humanidade das pessoas, as condenando a tristeza e a angústia, onde tudo que é prazeroso é proibido, errado e amoral. Se não podemos ser naturais, somos aleijados! Toda a escolha é correta se for realmente consciente, mas se é feita pelo senso moral é uma obrigação, o que é bem diferente.

Dessa forma, as pessoas mortas-vivas que andam por aí são facilmente condicionáveis e não é difícil lhes vender a ideia que se deve almejar a segurança em tudo como forma de se conseguir a felicidade. Isso é absolutamente impossível já que nada permanece, estando em constante movimento. Assim, é fácil entender as pessoas lutarem para buscar empregos e relacionamentos seguros e estáveis, ou seja, sempre tendo o medo por trás. Diga para uma pessoa realmente livre, se ela aceita em troca de dinheiro passar os próximos trinta anos dentro de um escritório, com uma vida previsível e sem novidades e veja se ela aceitaria.

É justamente por isso que a obsessão pelo dinheiro e o poder tem sido a tônica nesses últimos milhares de anos, porque se pensa que ele vai nos trazer essa liberdade, de se poder realmente viver com alegria e satisfação. Também não vai dar certo, já que se essa plenitude depender dele, faremos o que for possível para tê-lo e isso também é outro nome para a palavra prisão.

Nunca defendo a insanidade, a irresponsabilidade e a falta de ética, mas ser consciente de si e do que realmente se quer. Precisamos de alguma forma nos libertar desse “policial” que colocaram ao nosso lado desde que nascemos e que só nos diz “não” para nossos sonhos de, simplesmente, vivermos com alegria e sem medo.

Sinceramente, se for como parece, estou abrindo mão do paraíso e vou arriscar um local mais animado e quente, afinal a eternidade é longa…