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Verdade e Mentira

“Quando um homem pisa no pé de um estranho

 desculpa-se educadamente.

 Se um irmão mais velho

 pisa no pé do mais moço

 Diz: “desculpe” e fica por isso mesmo.

 Quando um pai pisa no pé do filho,

 não lhe diz nada.

 A mais perfeita polidez

 está livre de qualquer formalidade.

 A perfeita conduta

 está livre de preocupação.

 A perfeita sabedoria não é premeditada.

 O perfeito amor

 dispensa demonstrações.

A perfeita sinceridade não oferece

 nenhuma garantia.”

                                              Chuang Tsu

                                                                                                                                                         mentira

O Taoísmo e o Zen têm ganhado cada vez mais adeptos no ocidente.  Dispensam escrituras sagradas e se dedicam mais a meditação deixando outras práticas como secundárias. Não se preocupam em falar de nenhum deus e buscam suplantar a mente, praticamente desprezando-a. Mas isso só é mesmo possível pela observação e entendimento de seu funcionamento. A mente é astuta, trabalha com medo, planejamento e busca tirar sempre o melhor proveito de tudo. Aspira à segurança, respeito e por isso é ardilosa.

Dificilmente é possível ser espontâneo em uma sociedade que vive pelos ditames da mente. Tudo precisa ser “pensado” e isso significa a busca de  uma estratégia para atingir o objetivo, seja qual for. A mente e a sociedade não gostam de surpresas. Tudo precisa ser conforme se espera, segundo as normas. Assim, as pessoas mais sinceras são as crianças e por isso não são levadas muito a serio. Sua sinceridade é tratada como se fossem ofensas ditas por quem não sabe o que diz. Deve ser mesmo por isso que em alguns lugares não devemos levar crianças. Elas são perigosas porque dizem o que pensam – a verdade – e isso é mesmo constrangedor.

Passados alguns anos, depois que sua inocência e sinceridade são esmagadas pela educação (domesticação) elas já estão prontas para conviver em sociedade, ou seja, já prenderam a mentir e a fingir como os demais.

Como já escrevi em artigo anterior, é praticamente impossível conviver sem mentir. Deve ser por isso que em determinados momentos da vida, quando depois de termos cumprido tudo que nos pediram e ensinaram e o sofrimento continua, alguns rompem com tudo e querem abrir mão de toda sua história em busca de uma mudança. Uma mudança que proporcione uma vida mais simples ou sincera.

As pessoas precisam se embriagar ou se deixarem ser levadas ao extremo para se permitirem dizer o que pensam e isso as sufoca, e as verdades saem aos gritos. Depois, a mente e o social voltam, pelo medo das consequências, a retomar o controle e os pedidos de desculpas vem na busca de, em primeiro lugar, dizer que as “verdades” eram mentiras ditas em momentos de destempero.

Para grandes Mestres como Chuang Tsu ser sincero e espontâneo é um pontos mais altos que se pode chegar em termos de evolução espiritual. E isso é muito interessante; ser espiritual é ser verdadeiro.

Osho diz em seu livro “O barco Vazio”:  até hoje, mais de dois mil anos depois, as “técnicas” cristãs não conseguiram que nenhum outro Jesus aparecesse. Permito-me completar, lembrando que ninguém que tenha seguidos preceitos de Sidarta Gautama tenha se tornado um novo Buda, passados dois mil e seiscentos anos de sua morte.

E, se formos ver bem, no cristianismo, por exemplo, todos ou a grande maioria dos mandamentos ou do que se considera “pecados” graves ou capitais, são coisas que não podemos fazer. Toda essa cultura baseada no “não” é limitante, tirando, portanto, a espontaneidade das pessoas.

Cabe colocar, que entendo a necessidade de limitar as ações das pessoas, já que isso tem o objetivo de criar condições de vivermos em grupo e evitar que a própria raça corra perigo. Infelizmente, devido ao precário ou quase inexistente desenvolvimento da consciência, precisamos de leis e punições, sejam dos homens ou de algum deus para nos mantermos minimamente na linha. O problema é que isso se torna necessário porque estamos sempre reprimidos, ou seja, existe uma energia que precisa ser controlada.

E aí encontramos toda contradição, já que, para ser espontâneo não posso planejar. Não temos a experiência de deixar que nossos pensamentos se tornem ações. Tudo que nos seja natural são barrados pelos conceitos proibitivos a que fomos submetidos desde a infância.

Já em seu livro* reflexivo, praticamente indispensável para o entendimento do desenvolvimento, Ernest Becker lembra: dissemos que o estilo de vida de uma pessoa é uma mentira vital…é uma desonestidade necessária e básica a cerca da sua própria pessoa e de toda sua situação. Não queremos admitir que somos fundamentalmente desonestos no que se refere a realidade, que não controlamos realmente nossas vidas. Não queremos admitir que não ficamos sozinhos, que sempre nos apoiamos em algo que nos transcende, um certo sistemas de ideias e poderes no qual estamos mergulhados e que nos sustenta.

Todas as relações que estabelecemos tem o objetivo de obtermos resultados, que nosso plano dê certo, e tenhamos sucesso no que quer que seja. Começamos isso na infância e essa é a descoberta, junto com o inconsciente, que torna Freud um marco, apesar de outros conceitos que já se mostraram insuficientes e pouco úteis em nosso tempo.

Dessa forma, vamos à medida que crescemos  nos anulando cada vez mais. Não é  atoa que os números de suicídios, alcoolismo e drogas estejam se multiplicando ano a ano no mundo. Isso pode ser interpretado pela perda da originalidade ou da sinceridade, como diz Chuang Tsu. Por isso, para entendermos seu sutra, precisamos sair da superfície e buscar sua enorme profundidade.

Escolhemos com cuidado as pessoas que pagam o preço de nossa anulação. São os filhos, empregados, pais ou aquele cônjuge ou amigo que sabemos não nos penalizarão com seu abandono. Sobre eles projetamos nossa ira e frustração pela perda de nossa naturalidade, culpando-os pelo nosso próprio desconhecimento, pelo fato de sermos obrigados mentir desde que nascemos, praticamente.

A mente medrosa e insegura tem medo de morrer e nos reduz a algo que apodrecerá. Do outro lado está o homem religioso de Jung, capaz de estabelecer um entendimento superior sobre essa triste realidade, a que parte de nós está sujeita; a de morrer e virar comida de vermes (cadáver). O problema é justamente esse, para vencer essa morte da carne precisamos transcender e os “pacotes prontos” das religiões já se mostram insuficientes. Aqui, encontramos a beleza dos ensinamentos de Sidarta, de aceitarmos as mudanças, de nos desapegarmos (não é afastamento) e pararmos de achar que algo que possamos ter nos salvará do nosso triste destino enquanto habitantes de um corpo perecível.

 Obviamente somos mais, muito mais, mas isso só é possível com a “sinceridade” de Chang Tsu, que, por ser honesta não pode oferecer nenhuma garantia. Garantir significa dizer que não ocorrerão mudanças. Impossível para a sinceridade!

A mente precisa dessa garantia, dos contratos e das promessas. Isso é ou não, outra definição para a palavra MEDO?

*”A negação da morte” – Ernest Becker ed. Record

“ O barco Vazio” – Osho ed. Cultrix

A Paixão (2ª parte)

“Frequentemente um amor desesperado não é o motivo mais confiável para uma vida juntos.”

                                                      Mario Puzo – Escritor

                                                                                                                                   paixão III

Uma das marcantes características do período paixão é que nosso “eu” se funde no outro (a) e tudo vira “nós”. Paramos de pensar individualmente e tudo só tem sentido com a presença do outro, com o outro e pelo outro. É uma fase tão inebriante que não precisamos mais dos amigos e podemos ficar confinados sem esforço. Depois, com o arrefecimento da paixão, vem o preço dessa exclusão iniciando um processo de desgaste que é natural. Já vemos o outro (a) com seus defeitos e qualidades e o afastamento dos amigos individuais traz o risco do tédio na relação.

Já não sentimos mais aquele prazer transbordante, aquela euforia onde nada é impossível se for para o casal se manter junto. O perigo dessa fase “alucinada” é  pensarmos nossa vida e futuro sob o efeito desse intenso prazer acreditando que isso durará para sempre, afinal todos nossos sentidos dizem que encontramos aquela pessoa que, para sempre, nos fará feliz. Como muitos já passaram por isso mais de uma vez, a ideia de que exista alguma “alma gêmea” cai por terra, afinal a cada paixão encontramos uma, ou seja, a cada paixão encontramos a pessoa certa para aquele momento que estamos vivendo e isso passa, afinal estamos sempre mudando.

Isso difere em muito dos relacionamentos baseados em um sentimento mais calmo e racional, onde as vantagens de se estar junto vão se apresentando pela convivência, cumplicidade e confiança. E isso, na verdade, é o que cria o ciúme (que já foi motivo de um artigo anterior), invenção de humanos, que querem proteger seus relacionamentos de longo prazo. Esse sentimento precisa ter uma certa medida para não ser um problema, afinal ele é baseado no medo da perda e isso faz com que o (a) ciumento precise controlar seu parceiro para que não vá embora.

Estudos mostram que as pessoas apaixonadas passam 85% do tempo pensando no parceiro (a), vendo sinais dele por todos os lugares. A cada lembrança, o cérebro vai liberando mais e mais aquela sensação de prazer inebriante. É uma euforia que erradamente chamados de felicidade, porque  estamos sob efeito de drogas, mesmo que naturais produzidas pelo cérebro com o objetivo de uma intensa atividade sexual para que possamos dar continuidade à espécie.

Isso é tão fora do âmbito da consciência, que homens acham mais atraente foto de mulheres com pupilas dilatadas já que esse é um sinal não verbalizado de interesse sexual sem nem perceber o motivo dessa escolha. Mesmo sem saber disso conscientemente, nosso cérebro captou esse sinal de forma instintiva. Da mesma forma como um estudo feito com dançarinas no Novo México, revelou que recebiam em média mais do dobro de gorjetas quando estavam no período fértil enquanto que as que estavam no período da menstruação tinham uma receita menor que a metade das colegas. Os sinais dessa fertilidade ainda não são claros para a ciência, já que podem ter a ver com a tonalidade da pele, cheiro ou pela sutil mudança da simetria das orelhas e seios nesse período. Nossa consciência não sabe, mas o cérebro sim e isso se demonstra em um interesse sexual que não conseguimos muitas vezes explicar o real motivo. O fato é que isso se dava até quando homens analisavam fotos de mulheres. As que foram tiradas propositadamente no período fértil eram escolhidas como as mais atraentes.

O ser humano exala mais de 300 aromas e alguns deles passam ao cérebro (sempre abaixo do limite da consciência) a idade e a dieta da pessoa. Ai entram os perfumes com a finalidade de “enganar” nossos sensores naturais. Das estratégias de conquistas não verbais, o olhar e o sorriso são as mais eficientes. As mulheres, justamente pelos atributos necessários a maternidade tem uma facilidade natural de distinguir o sorriso falso do verdadeiro. Justamente por isso, durante o momento da sedução as mulheres sorriem mais que o homem, já que eles tem não tem essa habilidade e os dentes fortes e bonitos mostrados pelas mulheres, passam uma informação sobre sua juventude, saúde e, principalmente, fertilidade.

Assim fica fácil entender os motivos que levam a razão ser superada pelo instinto durante o período da paixão, já que a amigdala, responsável pelas experiências desagradáveis, avisando-nos do perigo, fica “desativada” quando se pensa ou está diante da pessoa por quem se está apaixonado.

A ansiedade provocada pela saudade é compensada por grandes doses de ocitocina que a ameniza e transforma o momento do reencontro em êxtase, mesmo que a separação tenha sido por poucas horas.

Mas, quando o relacionamento termina, como fica a pessoa apaixonada?

O sofrimento experimentado pode ser bem definido pela poesia musicada de Milton Nascimento na música “Travessia” quando diz: “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver…”. A dor,  tanto emocional quanto física é intensa e pode ser comparada aos das pessoas viciadas durante a crise de abstinência. Afinal, nossa felicidade foi embora e nesse momento, como ocorre na depressão, não conseguimos sequer imaginar a possibilidade desse profundo sofrimento acabar algum dia. Isso explica as atitudes impensadas, passionais e irracionais que uma pessoa possa ter nesse período, da mesma forma que um viciado faz o que precisar ser feito para atenuar seu sofrimento pela falta da substância que precisa. Não há diferença nesses casos.

Até mesmo quando e pessoa (somente quando afastada do outro (a)) consegue raciocinar e avaliar que a relação não tem possibilidade de dar certo seja pelo motivo que for, quando chega diante da sua paixão não consegue terminar ou por em prática suas decisões tomadas no período em que raciocinou. O prazer volta, e imagina-se que tudo poderá ser diferente, que dará certo, etc.

Esse período de sofrimento é mesmo longo já que o cérebro precisara se reestruturar sem essa forte conexão neuronal provocada pela paixão. Quando o relacionamento eventualmente termina nas suas fases iniciais, deixa uma profunda marca, já que a pessoa sempre lembrará como foi feliz nesse período e mesmo vivenciando outros relacionamentos tornará essa pessoa um “mito”, alguém perfeito que, certamente, traria a felicidade durante toda a vida. Isso só acontece porque o relacionamento foi interrompido durante o período da paixão. Se continuasse, depois que passasse a euforia e o relacionamento se normalizasse essa idealização do outro deixaria de existir. Por isso que alguns namoros da adolescência são mantidos como ideais dentro de nós, mas isso só ocorre porque eles não duraram o tempo suficiente para a paixão terminar ou mesmo que essa relação existisse pelo tempo suficiente para entrar na normalidade. A lembrança dessa pessoa nos traz de volta algumas dessas sensações prazerosas e da felicidade que vivenciamos. Um efeito colateral do sofrimento pela perda da paixão é a pessoa sabotar seus próximos relacionamentos pelo medo de sofrer novamente. Alguns só conseguem se relacionar sem um envolvimento mais profundo, já que isso garantirá que não haverá sofrimento se tudo terminar.

Por isso penso ser importante que entendamos com funciona a paixão e as pessoas ao nosso redor que estejam passando por essa fase. Por ser algo muito mais ligado ao instinto do que a razão a paixão pode atacar sorrateiramente qualquer pessoa, mesmo aquelas que estejam vivendo um relacionamento estável e agradável. Nessa hora, quando mais cedo se tomar os cuidados necessários melhor. Arriscar é sempre perigoso, pois depois que o circuito de prazer se instala fica difícil e muito dolorido de controlar. Afinal o instinto vence a razão quase sempre!

Testes também foram realizados com pessoas que se diziam apaixonadas mesmo depois de muitos anos de relacionamento. As imagens cerebrais mostraram que as áreas ativada não eram mais as ligadas ao prazer, mas aquela associada ao afeto e ao contentamento com recompensas. Ou seja, apesar do declínio da fase da paixão cresceu o companheirismo. E é isso que mantém casais juntos, diferente de outros mamíferos. Também aprendemos a sentir prazer e alegria navegando em águas calmas. Cada casal é único porque não existem duas pessoas iguais, assim, com cuidado necessário e entendendo como as coisas funcionam podemos sim termos relacionamentos longos e compensadores, desde que cuidados.

O final da paixão marca uma nova etapa, que precisa de compreensão, tolerância e bom senso. Descobrir o outro (a) como realmente é com suas qualidades e defeitos faz tudo mais verdadeiro. Mantemos os relacionamentos pelas qualidades do parceiro e administrando as diferenças que são naturais. Viva e curta sua paixão, mas a entenda e saiba que não devemos tomar decisões de longo prazo vivenciando emoções de curta duração.

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Bibliografia:

Odisséia do amor – documentário. Produtor Cristian Gerin e CharlesGazelle. Direção Thierry Binisti

Incógnito – A vida secreta do cérebro – David Eagleman ed. Rocco

Comportamento sexual compulsivo – Ballone. www.psiquiveb.com.br

Contra o amor – Laura Knips ed. Record

Revista Galileu. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI294422-17770,00-SAIBA+O+QUE+A+PAIXAO+FAZ+COM+O+SEU+CEREBRO.html

A Paixão (1a parte)

“Por você eu dançaria tango no teto,

Eu limparia os trilhos do metrô,

Eu iria a pé do Rio a Salvador…

Eu aceitaria a vida como ela é,

Viajaria a prazo pro inferno,

Eu tomaria banho gelado no inverno.

Por você… Eu deixaria de beber,

Por você… Eu ficaria rico num mês,

Eu dormiria de meia pra virar burguês.

Eu mudaria até o meu nome,

Eu viveria em greve de fome,

Desejaria todo o dia a mesma mulher…

Por você… Por você…”

Por você – Frejat

Entender os mecanismos da paixão sempre despertou a curiosidade da ciência, afinal esse sentimento é responsável por momentos de felicidade, profundas tristezas e todo o tipo de loucuras.

paixão II

O que é importante entender é que a paixão é um mecanismo ligado ao nosso instinto de procriação e, não fosse por ela, esse planeta estaria muito despovoado. Assim, para a psicoterapia, a pessoa apaixonada está de certa forma “doente”, visto que muitos dos seus mecanismos de entendimento, raciocínio lógico ficam prejudicados durante esse período.

Os pesquisadores já conseguem definir que a paixão tem uma duração que oscila entre 18 a 30 meses. Mas por quê? Na verdade é o tempo necessário para que o macho e a fêmea da espécie humana, movidos por essa “avalanche” emocional, façam sexo o número de vezes necessário para que um filho seja gerado. Aliás, a tendência natural é a atividade sexual ter sua maior intensidade e frequência nesse período, daí começam os problemas, já que depois que a paixão termina, muitos casais ficam se questionando se o “amor” acabou ou se estão perdendo o interesse um pelo outro, tendo em vista uma redução dessa atividade.

Paixão não é amor e nunca foi. Amor tem a ver com pensamento racional, prerrogativa dos humanos enquanto a paixão tem a ver com nossos instintos mais primários, coisa de bicho mesmo!

O processo da paixão é inconsciente, ou seja, funciona abaixo da linha da consciência. E isso nem é difícil de perceber, afinal quem já não ouviu alguém dizer que “não sabe” o que foi que fez com que se apaixonasse por determinada pessoa. Muitas vezes, depois que o período de “embriaguez” termina, aquela frase é mais do que comum: “não sei o que eu vi nele (a)”. Já no amor, ou em um sentimento mais provido de alguma razão ou bom senso, a pessoa tem uma boa clareza sobre as qualidades e defeitos do outro, ponderando as razões que fazem com que fique ou queira terminar o relacionamento.

Mas afinal, o que faz com que uma pessoa se apaixone?

Cada pessoa tem critérios pessoais do que faz alguém atraente; beleza física, poder pessoal, simpatia, sensualidade, inteligência, educação, etc.

Quando esses critérios se encontram, temos o que a paixão precisa para começar. Os homens se fixam mais em aspectos físicos enquanto as mulheres também utilizam-se de critérios subjetivos nessa avaliação. Como dizem os cientistas; o homem conquista e a mulher seleciona.

Cabe lembrar que a reprodução humana é tarefa feminina e isso explica o motivo pelo qual, muitas vezes, um homem pode se tornar interessante para uma mulher, as conversas, o conhecimento, vão dando informações que podem determinar qualidades no homem pelas quais ela se sinta atraída. Basicamente o processo da paixão para o homem tem a ver com sexo, enquanto a mulher, mesmo inconscientemente, quando se sente atraída por um homem, tem na base desse interesse qualidades que ela, por admirar, quer transmitir para o filho que irá gerar. Sendo assim, a mulher precisa admirar o homem por suas qualidades, sejam elas quais forem e aí, cada uma tem a sua lista. Quando essa admiração porventura termina, o desejo de ter filhos com esse homem deixa de existir. E nada como o dia a dia, a rotina e os problemas para que as qualidades que na paixão superavam em muito os defeitos (às vezes nem percebidos), vão trocando de importância e de peso. Aí, essa admiração fantasiosa vai dando lugar a realidade, a ilusão termina.

Quando a paixão começa, tendemos a ver a outra pessoa como alguém especial, muito acima das demais pessoas. Nós a consideramos através de um filtro especial criado pela nossa crença em sua amabilidade, desejabilidade, dignidade, etc. Isso quer dizer que projetamos sobre essa pessoa nossas expectativas de que ela é a ideal para nós e isso se dá porque nosso cérebro começa a secretar substâncias ligadas ao prazer e a as áreas responsáveis pela recompensa são ativadas. Isso também se dá, curiosamente, com as drogas. Estudos demonstram que a paixão ativa a mesma área do cérebro acionada quando os viciados usam suas drogas.

Cada um, inconscientemente ou não, esconde seus defeitos e procura mostrar com ênfase o que o outro quer ver, criando um jogo de engano com o objetivos de termos para nós essa pessoa “perfeita”. Começa aí, a criação do apego, pois nos sentimos tão bem ao lado dela (são hormônios de prazer, não esqueça) que temos a certeza que só seremos felizes com ela ao nosso lado.

É um estado de espírito inteiramente enamorado, obcecado, altamente enfeitiçado que reduz a capacidade de pensar e avaliar. A dopamina, por exemplo, liberada em abundância durante esse período, além de várias mudanças prazeirosas, também “desliga” no nosso cérebro a capacidade de análise crítica e julgamento.

Fica-se tão absorvido à espera de uma breve visão da pessoa amada que negligencia-se tudo (trabalho, amigos, família, alimentação, etc) e esse é um dos motivos pelos quais a paixão precisa ter um tempo reduzido. Manter-se assim pode fazer adoecer, afinal saímos do equilíbrio natural. Obviamente que isso é muito gostoso e traz uma euforia e felicidade. Como temos a tendência de nos viciarmos em hormônios, muitas pessoas estão sempre apaixonadas, independente do parceiro(a). Na verdade são viciados nessas substâncias e querendo se sentir assim, pelo vício, vão pulando de relacionamento em relacionamento. Quando a paixão começa seu declínio, o relacionamento já não é mais tão bom, e busca-se o próximo.

Assim, nos “viciamos” nessa pessoa “perfeita” e sempre que a vemos, ouvimos ou pensamos nela, somos inundados de prazer, e toda a atividade ligada à sexualidade experimenta intensa atividade e é por isso que durante a paixão se faz muito mais sexo do que durante as épocas subsequentes.

Com o tempo, essas substâncias químicas inebriantes, vão fazendo menos efeito, já que o organismo vai se tornando resistente a elas e loucura vai terminando. Depois, ou vem a separação ou o casal fica satisfeito com sensações menos intensas de prazer, como as que advêm do companheirismo, afeto e das inegáveis vantagens que manter um relacionamento estável pode trazer: filhos, uma vida mais saudável (regrada), progresso financeiro e outras.

A professora Cindy Hazan da Universidade de Cornell entrevistou mais de cinco mil pessoas de 37 diferentes culturas e chegou a uma conclusão: “Graças à intensidade da ilusão romanceada (paixão), achamos que escolhemos nossos parceiros; mas a verdade é conhecida até mesmo pelos zeladores do zoológico: a maneira mais confiável de se fazer um casal de qualquer espécie reproduzir é mantê-los no mesmo espaço durante algum tempo”.

Não repare, cientistas são assim mesmo, pouco românticos…

É importante entender que não podemos confundir esse estado transitório e inebriante com um sentimento mais profundo e duradouro. Por se tratar de um processo biológico não poderemos balizar o sentimento pelo período da paixão. Nada impede que se atinja um ótimo relacionamento sem ter passado pela paixão e isso é muito comum de acontecer.

O que não podemos esperar é que esse estado dure a vida toda, morreríamos cedo se isso acontecesse. Noto que as pessoas querem estar sempre apaixonadas e isso não é possível nem saudável. Viver “drogado” a vida toda sempre traz seus problemas e todos sabemos disso, independente da substância, seja a cocaína, dopamina, ocitocina e outras, produzidas em plantações, laboratórios ou no cérebro. No final, droga é droga!

No próximo artigo, trarei experiências, testes e as descobertas da neurociência sobre os efeitos da paixão e falaremos um pouco mais sobre esse excitante tema…

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Toda a bibliografia será citada no artigo final.

O tratado aqui inclui todas as espécies de relacionamentos, sejam heterossexuais ou homossexuais.

A TERAPIA

“Veio Darwin e nos ligou a um macaco; depois veio Pavlov e nos ligou a um cão; e, depois veio Freud e nos ligou a um falo. E, como os três mosqueteiros eram, na verdade quatro, quero dizer-lhes que, pelo menos um por cento do homem é Deus…”

Oriol Anguera

“Ser normal é a meta dos fracassados.”

Carl. G. Jung

terapia

A psicologia que hoje conhecemos é bastante recente, apesar de o ato terapêutico, enquanto escuta ou psicoterapia, ser tão antigo quanto a existência do homem. Na verdade, a psicologia propriamente dita originou-se da filosofia e eram os filósofos, através de seus questionamentos sobre a verdade, a alma, o universo e tudo que envolve esse mistério que é viver, que primeiro exerceram essa função de psicoterapeutas. Mas, imagino, que desde os tempos mais remotos, quando alguém em angústia se colocava ao lado de outra pessoa, que em silêncio, porque ainda não haviam as palavras, apenas fazia companhia com interesse ou solidariedade, a terapia já existia.

Na medida em que o tempo foi passando, o que hoje entendemos por psicologia, sempre esteve a serviço da cultura dominante em cada época, dando o veredito sobre a sanidade ou a loucura de uma pessoa. Hoje, em sua variação tecnológica, a psiquiatria dispõe de medicamentos cada vez mais poderosos para ajudar a pessoa a manter-se “nos trilhos” ou voltar para eles, sem prejuízo de sua capacidade produtiva, que, no mundo em que vivemos, é o que realmente importa e move todo o sistema de saúde.

O ser humano sempre padeceu de uma enfermidade primária que é a falta de autoconhecimento, já que sem esse saber essencial, as pessoas tornam-se facilmente manipuláveis e perdem sua liberdade. Assim, o que temos visto ao longo do tempo é a psicologia moderna estabelecer limites de normalidade para seres humanos que não tem ideia de quem sejam, ou seja, muito abaixo de suas possibilidades evolutivas. Salvo exceções como os transpessoalistas, Carl Jung e outros que acreditavam que a normalidade é viver a diferença que todos temos, todas as demais formas de psicologia procuram colocar pessoas, que são diferentes entre si, em um “molde” e ajustá-las a ele, sem sequer perceber que isso é a maior violência e insanidade que se possa cometer.

Já escrevi em tantos outros textos, em aulas, palestras e conversas que todas as pessoas que fizeram alguma diferença na história da humanidade eram consideradas loucas em suas épocas. Todos eles pagaram um preço por se recusarem a usar os “óculos” padronizados das massas e decidiram ver a realidade e a interpretarem por sua própria ótica. Apesar de todas as dificuldades, percalços e sofrimento que passaram essas pessoas, elas realmente viveram seu tempo lucidamente, enquanto todos os demais vagaram como zumbis pela sua existência sem nem sequer perceber que estavam realmente vivos.

Por isso que não estranho que em laboratórios de psicologia se façam experimentos com animais. Pavlov nos mostrou como somos condicionáveis com seus cachorros e os símios e ratos ainda são utilizados para que se possa entender como os seres humanos agem. Isso é bem mais do que uma piada de mau gosto. Mas, talvez, você que me lê, possa perguntar:

Mas esses testes realmente funcionam isso está mais do que provado!

Sim, é verdade, mas somente porque uma pessoa completamente inconsciente de si mesma e de seu potencial não difere em nada de um animal irracional, ou seja, que não usa seu potencial humano (superior). Os cachorros, macacos e ratos representam esse ser humano adormecido, condicionável, que vive baseado no medo. Tem dúvida sobre isso? Veja e pesquise sobre a venda de ansiolíticos e antidepressivos em nosso mundo globalizado, moderno e desenvolvido…

A verdadeira psicologia deveria trabalhar sobre o quanto uma pessoa pode se desenvolver e não procurar adaptá-la e acomodá-la a parâmetros de um mundo doente como esse que vivemos. Esse jeito de viver que conhecemos como “normal” é assim: violentam crianças, desrespeitam-se e agridem-se idosos, torna as pessoas compulsivamente consumistas, avalia uma pessoa pelos bens que ela agrega a sua identidade, privatiza a riqueza, globaliza a miséria, sexualiza o pensamento desde a infância e obriga as pessoas a se mutilarem com o intuito de vencer a passagem do tempo e outras tantas, realmente, loucuras.

Portanto cuidado; se você não for assim e não concordar com isso, logo estará se sentindo meio solitário e fora de contexto e precisará de uma “boa” terapia para se engajar novamente e sentir-se acolhido pelos demais.

Trabalhar o potencial de cada um é investir no que torna cada ser humano único. Se fossemos todos iguais, como prega a psicologia da acomodação, todos os DNA’s seriam idênticos. Muitos estudiosos e visionários da verdadeira medicina de almas sempre viram as crises, que hoje chamamos de doenças, como um grito do cachorro, macaco ou do rato que simbolizam essa perda de si mesmo, de querer tornar-se realmente humano! Mas o que se faz? Anestesia-se, acomoda-se, para aceitarmos de bom grado uma vida medíocre, uma angústia suportável pelos bens que compramos e que vão perdendo razão e utilidade cada vez mais rapidamente.

Os sofrimentos psíquicos e, logo adiante corporais, dão-se pelo conflito de quem realmente somos e aquilo que se espera que sejamos. Quando um ser humano coloca em ordem a ecologia do seu Ser, então o equilíbrio ou a cura pode acontecer e isso deveria ser todo o enfoque terapêutico, mas isso só se dá com a vivência de nossa individualidade.

Como nos ensinam os antigos terapeutas do deserto, da época de Jesus, quando nos curamos o universo também se cura. Dessa forma, podemos sim, pensar que a doença do planeta, da sua cultura, é a doença do ser humano, justamente por ela afastá-lo de sua essência.

Vivemos em um mundo que leva a existência muito a sério, tornamo-nos fanáticos pelo que transitório, abandonando nossa verdadeira identidade, aquilo que realmente somos, que nunca nos foi permitido  viver e descobrir, se não estiver dentro do que se considera “normal”.

O ser humano é a mistura da natureza com a aventura, como bem afirma  Jean Yves Leloup. A aventura é a nossa liberdade de interpretar o que nos acontece, dar um sentido novo ao que se passa conosco, à nossa existência, a possibilidade de mudar de vida e de buscar novos desejos e conhecer novas estradas. O terapeuta deveria, porque não, tornar-se um hermeneuta, e sua prática deveria envolver a arte da (re)interpretação, de  ver as situações com outros significados.

Penso que a maior função do terapeuta, talvez não seja a de explicar, mas de estimular a capacidade da pessoa de produzir um novo sentido para aquilo que lhe acontece. A verdadeira psicologia deveria se fundamentar no que cada um tem de mais saudável, mas o que vemos é estruturar-se sobre o aspecto doente e, a partir dai iniciar o que se chama de tratamento.

Nosso limite evolutivo precisa ser parametrizado “por cima”; porque não um Sidarta, Jesus, Sócrates, Mansoor, etc.? Esses até hoje ainda seriam considerados insanos, apesar de milhões se dizerem seus seguidores. Infelizmente o parâmetro do que se espera de uma pessoa é não ser ninguém de especial!

              Há quem diga que um louco perdeu tudo, menos a razão…

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Para saber mais: “Cuidar do Ser” Jean Yves Leloup – ed Vozes

                          Os Mutantes – Pierre Weil – ed Versus

FOBIA

“A fobia específica é um medo exacerbado e persistente de objetos ou situações nitidamente discerníveis. A exposição ao objeto ou situação temida (chamada de estímulo fóbico) desencadeia uma resposta de ansiedade que pode chegar à intensidade de um ataque de pânico.”

   DSM-IV-TR  (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais)

                                                                                                                                                           medo de altura

Depois de termos falado no artigo anterior sobre a dificuldade que é perdoar, torna-se mais fácil falar do processo fóbico. O leitor pode até estar se perguntando o porquê que a dificuldade de perdoar tem a ver com fobia? Tenho certeza que até o final do presente texto isso se tornará bem mais claro.

Falar de fobia é falar de medo e, por consequência, de ansiedade. Por isso torna-se importante que possamos estabelecer essa diferença, que existe, apesar de sutil. O medo é um sentimento (emoção) de inquietação diante de um perigo real ou imaginário.

Imaginário?

Sim, já que como nosso corpo responde, através de suas reações somente ao que imaginamos, nada precisa estar ocorrendo verdadeiramente para que sintamos o medo. Já a ansiedade nada mais é do que uma sensação de apreensão sem uma causa evidente ou uma perturbação causada por alguma incerteza (insegurança).  Assim, poderemos resumidamente dizer que o medo é medo de algo e a ansiedade é esse mesmo medo, sem ser específico para alguma coisa. Nos casos das fobias essa diferença é bem mais perceptível.

Mas afinal, o que é uma fobia?

As fobias compõem um grupo de transtornos nos quais uma ansiedade intensa é desencadeada por situações determinadas e que não representam algum perigo real, já que estão sendo imaginadas. Assim, por exemplo, a pessoa que tem medo de altura não frequenta lugares altos porque, dentro dela, existe uma “certeza” de que ela irá cair. Quem tem fobia à água, imagina que se afogará e assim por diante. Dessa forma, quando imagino, meu sistema de defesa (estresse) entra em ação, já que ele acredita em tudo que passa pela nossa cabeça é real naquele momento. Assim, nem pensar de entrar na água se é “certo” que me afogarei, por exemplo. Nosso corpo luta pela vida, lembrem-se disso sempre!

Justamente por isso, estas situações fóbicas são evitadas sempre que possível ou com uma angústia tremenda quando não temos escapatória. As preocupações (pré – ocupação da mente ou imaginação) da pessoa podem se manifestar com sintomas como palpitações, sudorese, falta de ar, tremores, boca seca, extremidades frias, etc, ou uma sensação iminente de desmaio. Frequentemente este tipo de ansiedade se associa com medo de morrer, de vir a passar muito mal, de perder o autocontrole ou de ficar louco, já que nos tornarmos muito mais bichos do que humanos, afinal, nosso sistema de sobrevivência é muito parecido com os dos animais.

Geralmente a simples lembrança ou evocação da situação que causa fobia já é suficiente para desencadear uma ansiedade antecipatória, e aqui o sistema explicado no artigo anterior entra em funcionamento.  Para a medicina, a ansiedade Fóbica frequentemente se associa a uma depressão, o que, me permito, não concordar integralmente.

A diferença entre o sintoma fóbico e o Transtorno Fóbico, pode ser entendida como a diferença que se faz entre o que é sintoma e doença. A Fobia, enquanto sintoma, faz parte da alteração do pensamento, aparece como um medo imotivado e patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Normalmente é acompanhada de intensa ansiedade e outros sintomas que citei anteriormente. O Transtorno Fóbico-Ansioso se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia, sintoma, entre os demais sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica.*

Como começa uma fobia?

Diferente de um trauma, que precisa de um acontecimento que o gere, a fobia pode surgir sem que nada precise ter acontecido anteriormente. Para uma fobia aparecer torna-se necessário que o nível de ansiedade esteja alto. Como a ansiedade é um medo inespecífico, tudo pode virar uma fobia. Assim, mesmo que uma pessoa tenha já realizado inúmeras viagens aéreas, por exemplo, em uma crise de ansiedade pode surgir um medo terrível de entrar em um avião, seja pela “certeza” de que ele cairá, seja por imaginar-se preso, sem possibilidade de sair. Lembre que sempre o medo de morrer é o pano de fundo.

Já conheci pessoas que desenvolveram processos fóbicos por histórias ou estórias que ouviram durante a infância e mesmo em idade adulta. Basta o nível de ansiedade estar elevado e você, por exemplo, assistir um programa ou ouvir um relato (não importa se verdadeiro ou falso) que se “entre” na história e se imagine passando por aquilo que pode surgir uma fobia.

Por isso, sempre que uma pessoa tem alguma fobia ou transtorno ansioso de qualquer espécie, torna-se fundamental entender o que é e como funciona a ansiedade para começar a sair do seu problema. Aprender a dominar a mente que está contaminada pelo medo e saber como trazer para si o controle é a única saída, fora isso, é estar tendo seus sintomas mascarados por medicamentos. Os medicamentos podem e devem ser utilizados quando a crise surge, até como condição da pessoa ter um mínimo de equilíbrio, para poder entender a psicoterapia. Depois, penso que ela deve querer se livrar das bengalas e voltar a andar com suas próprias pernas.

Nos artigos que escrevi sobre ansiedade, procurei demonstrar seu funcionamento, sendo as fobias um dos galhos dessa árvore. Em crise aguda de ansiedade, que chamados de transtorno de pânico (tema de um futuro artigo), a pessoa experimenta uma fobia quase generalizada, ficando, normalmente, fechada em sua casa, onde a chance de morrer é bem reduzida. Procure nunca esquecer que nosso sistema de defesa procura sobreviver a qualquer preço, mesmo que seja o da qualidade da vida.

Toda a fobia “vive” da atenção que se dá a ela e na verdadeira alucinação que acreditamos. Quem disse que o avião vai cair? Que certeza é essa que o elevador ficará preso e a pessoa morrerá sufocada? Quem disse que naquele show onde estarão muitas pessoas vai haver um corre – corre e se morrerá pisoteado?

Quando a ansiedade “passa do ponto” nosso pensamento fica contaminado pelo medo e daí qualquer coisa serve. Como é difícil da pessoa entender que o medo pode não ser específico, passa a imaginar que tudo pode acontecer de errado. Justamente por isso é que se pode ter uma fobia em relação a algo que sempre fizemos sem problema algum durante toda a vida.

Todos estamos suscetíveis a desenvolvermos um processo fóbico, basta a ansiedade sair do controle. Para que isso não aconteça, precisamos ter descanso, divertimento e saber relaxar. Sem esse “tempero” somos engolidos pelo mundo que vivemos e sua cultura doente, toda baseada no medo e não é a toa que ansiedade seja o mal do século.

Toda a pessoa que tem uma fobia vai desenvolvendo o que se chama de comportamento de esquiva, ou seja, procura fugir da situação, dando desculpas ou tomando caminhos que evitem a situação que sua imaginação dá como certa. Preferir subir muitos andares a utilizar o elevador, longas viagens de ônibus em troca do avião, não sair de casa alegando frio ou calor, etc…

Qual é a hora de procurar ajuda?

Quando perceber que sua qualidade de vida está sendo afetada. Não demore, toda a pessoa que tem sua vida limitada, com o tempo vai se entristecendo e aí sim, a depressão pode chegar. Não é a toa que em mais de 80% dos casos de depressão a ansiedade é um componente relevante.

Se você tem alguma fobia ou conhece alguém que tem, não faça pouco caso. Toda a pessoa que sofre com uma fobia está sempre em estado de alerta, com um medo constante. Estima-se que 11% das pessoas tenham algum tipo de fobia, e a prevalência é maior em mulheres.

A saída é lutar contra a imaginação e buscar diminuir o nível de ansiedade. Fora isso esse fantasma não nos abandona. Os sintomas físicos de medo e pavor quando se imagina o que pode acontecer paralisa a pessoa e depois de um determinado nível, fica-se irracional, como um bicho acuado e aí não tem bom senso que resolva.

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