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O sorriso do Padre Anselmo

É como se soubesse que um dia voltaria ali. Todos voltam e o que se diz nas conversas privadas é que, quem ainda não voltou, não escapará. Estar de volta, portanto, não parece ser um demérito ou fraqueza.

Seu superior já tinha notado que estava diferente a algum tempo. Seus sermões dominicais tinham perdido fôlego, como se falasse por que tinha que falar. Estava tão automático, sem ânimo, como se ele já não acreditasse mais. Parecia que esses anos em contato direto com a realidade haviam suprimido sua fé. Os argumentos a favor dos sonhos não eram mais suficientes nem para seu próprio consumo. O que tinha a oferecer para as queixas comuns das pessoas comuns lhe parecia vazio e carente de um sentido real. Difícil de passar uma confiança que tudo dará certo no final se essa data poderia ser amanhã ou na eternidade. Tempo demais para quem sofre as violências da vida e quer uma explicação ou reparação das injustiças. Pessoas que fazem tudo certo, esperando que isso resulte em algo bom e que, quando não acontece, precisam de uma explicação que as conforte. Fazer o que é “certo” precisa valer a pena e ninguém se sente bem enganado.

Quando chegou encontrou tudo igual. O mesmo cheiro, sons, sopas à noite e os mesmos quadros nas paredes de rostos sisudos, contraídos por uma vida, que agora conhecia, de muitas abstenções e rigidez. Faltava alegria ali.

Por coincidência ou não, foi-lhe dado o mesmo quarto que frequentou na sua formação. Cama de solteiro com colchão de palha, curta demais para seu tamanho. Nos invernos rigorosos forçava a cabeça contra a parede para tentar manter os pés aquecidos. Passados muitos anos, a pergunta era a mesma: Precisava ser assim? No que dormir mal em um lugar sem nenhum conforto aumentaria sua fé? Desapego não precisa rimar com sofrimento. Se é para se ter poucas posses, por que não serem as melhores possíveis?

Perguntas demais, respostas de menos e sempre tão vagas. Esse sempre fora o problema.

Passaria uns dias por lá ou o tempo que fosse necessário. A ideia era reavivar seus compromissos e também suas crenças, obviamente. Nos primeiros dias, fora instruído a ficar em silêncio, conversando consigo. Não achou uma boa opção e chegou a iniciar uma argumentação, mas desistiu. Recebeu um olhar fulminante, que dizia claramente que se ele não dava mais conta de si, precisava fazer exatamente o que lhe mandavam. Quem mandava, mandava porque sabia mais do que quem era mandado, pelo menos pensavam assim.

Deu de ombros, afinal, poderiam até ter razão.

 As horas e dias iam passando e sua ansiedade só aumentava. Ele não era um bom interlocutor para essa situação, já que foram seus próprios pensamentos que trouxeram as dúvidas. Nos corredores, passava por jovens que tinham o mesmo brilho no olhar que ele nessa fase. Aquela certeza que a sua revelação mudaria o mundo. Se via neles, tinha vontade de avisá-los, preveni-los. Engolia essa vontade com um suspiro.

Participava dos momentos de oração com os demais, mas sentia que não estava ali. Era como se testemunhasse a si e aos outros orando. Em outra situação, essa sensação poderia ser vista como algum problema psicológico, mas ali, só o entristecia e aumentava seus questionamentos sobre o futuro. Até bem pouco tempo não tinha dúvida sobre o que queria para sua vida, agora via-se diante de um entroncamento onde muitas estradas se encontravam.

Terminado o tempo do silêncio, notava que as conversas com os superiores não surtiam efeito. Sentia-se mal, traindo a si mesmo, pois quando perguntado sobre o que acreditava, não sabia se o que respondia era mesmo verdade. Duplicou seu tempo de oração e estudo como se quisesse se auto convencer de que o que sentia não era a perda da fé. Era uma fase, iria passar. Todos passaram por dúvidas e se questionaram, pelo menos é o que diziam as biografias.

Em uma tarde, percebeu que não sabia mais exatamente a quanto tempo estava ali, duas, três semanas talvez. Naquele lugar, exceção aos domingos, todos os dias são iguais. Tempo que se arrasta como as reticências que nos dão liberdade de preencher significados.

Quando a porta do seu quarto abriu levou um susto. Estava tão absorvido em seus pensamentos que chegou a sobressaltar. A visão do seu instrutor mais querido trouxe lágrimas aos olhos. Padre Anselmo fazia parte daquelas raras unanimidades positivas; sempre bem-humorado, afável e com uma incrível capacidade de entender, de se colocar no lugar do outro, só para sentir o que o outro sente. Nunca impôs verdades, pois falava de sentimentos, lugar onde elas não combinam. Devia ser por isso que nunca subiu na hierarquia, sorria demais para isso. Como em todas as empresas, os cargos mais disputados são poucos para tantos pretendentes e a luta era intensa e surda, como devia a quem precisa dizer-se o tempo todo humilde e desinteressado de alguma forma de poder.

Um longo abraço! Finalmente alguém com quem sentia que poderia se abrir sem medo, falar abertamente sobre perguntas e não sobre certezas.

Toca o sino para a hora da oração. Sem ainda trocarem palavra foram juntos para a pequena capela do outro lado do monastério. Ali, era o lugar das orações particulares e quem queria ter essa privacidade precisava se antecipar. Naquele dia, ela estava disponível para os dois.

Ajoelhou-se e começou sua prece. Sentindo algo estranho, notou que Padre Anselmo continuava sentado, de olhos fechados.

Ficaram ali, em silêncio, por muito tempo.

Pensou em perguntar ao antigo professor o motivo de não ter ajoelhado. Quando ia fazê-lo, deu-se conta que estava recebendo mais uma lição. A que precisava agora. Todas as peças se juntaram e muita coisa fez sentido naquele momento. Era isso, todo esse ritual o estava distanciando do que realmente acreditava por não fazer mais sentido.

Muitos dos seus momentos de desencanto aconteciam por querer entender essa lógica divina de resultados tão distantes e improváveis. Não via justiça nenhuma em os erros ou acertos terem um desfecho em outro lugar, assim como o sofrimento se transformar em fé. O que é humano nessas situações é só desencanto. Jó era um exemplo que não vingava mais; dores e sofrimentos pensados por um Deus sugestionado pelo mal. Não, não poderia ser assim! A rigidez dos rituais estava acabando com sua sensibilidade, criando uma barreira, queria dizer o que sentia não o que “deveria”.

Padre Anselmo parece que lia seus pensamentos. Esboçou um leve sorriso.

Era por isso que ele exalava uma verdade! Ele não se rendia ao que não acreditava. Tinha sua relação com Deus do jeito dele e isso nunca o faria sair dali. Não abria mão do que realmente acreditava em troca de poder ou prestígio. Só a admiração dos alunos o mantinha lá. Ele tentou ensiná-lo, mas na época não entendeu. O “pacote pronto” parecia fazer mais sentido que receitas individuais, maneira arriscada, punida com dureza por quem precisa que todos anulem suas diferenças. Mais fácil, mais seguro.

O Deus em que sempre acreditou tinha menos cerimônia, porta aberta para quem precisasse, dispensando intermediários. E muitas vezes, porque não, uma resposta de simplesmente não ter resposta, de aceitar que tudo pode ser somente o que é.

Na saída da pequena capela, mais um abraço e apenas um “obrigado”.

Arrumou suas coisas e quando estava saindo, voltou-se para ver a porta que se fechava as suas costas. Esteve em uma bolha de tempo e realidade. O ar da rua o trouxe de volta à vida, a que acontece, imprevisível a cada instante.

Tudo que se aprende como certo, serve apenas como uma maneira de chegarmos mais rápido ao nosso próprio jeito de pensar e fazer. Teorias, programas e técnicas servem para pessoas que não existem, que deveriam ser desse ou daquele jeito. A vida é tão móvel que tudo que a prende e engessa vai tirando-lhe a graça, porque afeta sua natureza.

Enquanto caminhava, lembrou que tinha voltado a sonhar, o único sonho que valia a pena ser sonhado; aquele do seu próprio jeito. Padre Anselmo tinha ensinado a difícil arte de responder perguntas complexas; não disse nada, apenas deixou que ele mesmo respondesse.

Um chá com Espinosa

Fazia frio naquela tarde onde o céu era límpido e o sol não conseguia ser mais do que uma leve sensação agradável. Enquanto caminhava pelas ruas, a temperatura ia mudando, na medida em que as marquises e os prédios altos faziam sombra. Já era meio da tarde e o vento gelado parecia fazer das roupas e cachecóis uma tímida defesa.

Quando chegou na casa de chá que frequentava, surpreendentemente não encontrou fila. Era uma casa antiga, da metade do século XX, que um extremo bom gosto fez de suas salas ambientes agradáveis e muito bem decorados. De todos esses pequenos espaços, o que mais gostava tinha na parede dezenas de pequenas luminárias que, mesmo acesas, deixavam uma leve penumbra. As mesas e cadeiras misturavam estilos e até os pequenos rasgos no tecido de um sofá estilo rococó faziam parte de um charme proposital. Em outra sala, malas antigas cortadas na metade eram colocadas na parede e a sensação que tinha era que elas vomitavam o tempo. Ao fundo, jazz instrumental.

A jovem e bela atendente de olhos verdes brilhantes trouxe o cardápio em uma mão e um tablet na outra, e o lembrou de apertar um pequeno botão na mesa quando tivesse escolhido. A tecnologia combina bem com o estilo antigo do ambiente, já que esse botão acionava uma luz no relógio do garçom avisando a mesa que estava chamando.

Estava sem pressa e o próprio clima do lugar ajudava. Parecia que lá dentro o tempo nada tinha a ver com a velocidade da grande cidade, onde milhões de pessoas correm atrás da sobrevivência, em uma luta que também envolve  insegurança e  violência. Nada mais comum a todo lugar onde a riqueza e a miséria são a condição da existência uma da outra.

Na mesa ao lado, um casal de enamorados tinha seu mundo dentro daquele ambiente. Mãos dadas descansando sobre a mesa e olhos nos olhos. Um dia, esse mundo será aumentado quando descobrirem que essa perfeição foi uma imaginação, uma expectativa. Como é bom pensarmos que tem coisas que, conosco, nunca acontecerão. Tudo que outros seres humanos passaram foi só com eles e a desilusão sempre será o resultado de uma expectativa exagerada, de nos tornarmos um pouco como todo mundo.

Diferente das outras vezes, trouxe consigo o livro que estava lendo. Não foi proposital, como um ato consciente, apenas ao sair de casa levou-o junto, sem motivo. Devia ser por estar pensativo sobre o que estava lendo. Sempre gostou de filosofia, mas de uns tempos para cá, que resolveu ir mais a fundo, talvez por buscar uma nova maneira de entender a vida. Na verdade, o fato dos humanos terem consciência de um dia morrer, os obriga a que suas vidas tenham um sentido, algo que os faça ter certeza que sua passagem não foi em vão. Certa vez, o grande Saramago disse em um de seus romances que as lápides são essa última tentativa de não sermos esquecidos, quando a vida foi comum e o desejo de criança de sermos algum tipo de herói não se realizou.

Suspirou para trazer a atenção de volta ao cardápio. Escolheu um chá de frutas e especiarias. Para acompanhar, um brioche levemente doce. Depois de fazer seu pedido olhou para o livro. A capa azul era um resumo da Ética de Espinosa, comentada por seus discípulos contemporâneos.

O livro o impressionara desde o início, com a primeira de suas proposições:

“Uma única substância para todos os atributos”.

Se fosse verdade, e parecia ser se pensarmos bem, tudo que aprendera desde a infância ruíra. Recebemos uma maneira de pensar e ver o mundo e nem sequer a questionamos. Espinosa mostra com clareza o erro de Platão ao nos oferecer sua dualidade primeira; o mundo dos sentidos e o mundo das ideias ou dentro e fora da sua famosa caverna. Foi justamente por aí que as religiões criaram seus paraísos, uma ótima forma de aceitarmos pouco dessa vida e dela desviarmos atenção. Claro que Platão pensava em um Universo finito e perfeito, coisa que Espinosa, quando filosofou, já sabia não ser verdade, lá por 1650. O caos que já naquela época percebíamos no espaço era uma das faces de uma inteligência criadora que Espinosa percebeu muito além de uma ideia de como controlar as pessoas pelo medo e pela culpa.

De qualquer forma, o Deus que ele mostra seria mais factível e menos improvável do que aprendemos a imaginar. Tudo nessa imanência que vivemos é uma emanação da transcendência eterna. Morremos para que Deus possa continuar Sendo, e apenas mudamos de forma. Nossa finitude é o atestado da eternidade de Deus, na ausência de tempo. Tempo que nossa mente cria para separar o nascimento da morte.

Incrível como um homem que viveu menos de cinquenta anos, teve tamanha percepção da vida, quase sem nenhuma tecnologia.

Quando o chá foi servido, sua atenção se voltou para o bule de porcelana pintado à mão. Impossível não lembrar da casa da sua avó. A xícara seguia o conjunto e a colher pesada só podia ser de prata. Para adoçar, um pequeno pote de mel. Deixou que o aroma do chá invadisse suas narinas. Uma delícia!

“Aumento de potência”, diria Espinosa, quando algo no mundo nos dá alegria. Claro que a tristeza, seu oposto, um dia no levará a morte, mas a vida longa, como um combustível é movida por trocas que nos tragam essa alegria. A cada encontro com o mundo, com pessoas e situações afetamos e somos afetados. Sabemos que o mundo é grande demais para nós e um dia não suportaremos, mas esses encontros alegres, a mudança que se dá em cada relação com a vida é o que conta em uma contabilidade em que o bem-estar precisa estar em vantagem.

Enquanto degustava o primeiro gole, sua mente martelava: “Um só mundo, tudo uma só coisa”. Espinosa trouxe o prazer de descobrir. Para ele, a essência da mente é o conhecimento (como Aristóteles, de certa forma, também dizia). Quanto mais se conhece, mais se realiza a grande virtude, ou, como ele mesmo diz: “quando a mente contempla a si própria e sua potência de agir, alegra-se”.

Deus tem misteriosos fins, dizia o Filósofo. Queremos compreende-Lo, e isso não é possível. Vontade divina é apenas o nome que a imaginação encontra para buscar entender o que não podemos, e o medo que temos diante do incompreensível. Tudo que existe possui causa determinada e necessária para existir tal como é, e os encontros com a vida é que serão por fim, nossa liberdade de alegria ou tristeza. Tudo é esse Deus; tudo que existe. Isso inclui sua dupla expressão: o bem e mal, que nada mais são do que maneiras de entendermos e darmos um rosto para o que acontece.

Pensou o quanto isso mudaria sua maneira de viver.

Encheu novamente a xícara. Percebeu que até hoje correu atrás de desejos e o que queria, na verdade, era só entender-se. Nos relacionamentos, mais do que desejar o outro, na verdade, queria ser o desejo do outro. Ah, os desejos…

Aristóteles dizia que parar de desejar era adoecer, já para os estoicos, desejar é estar doente. Vai entender…

Espinosa caminha por outra percepção. Desejo é força criadora, energia de vir a ser outro, novo e evoluído, enfim. Não percebemos isso e transferimos para os objetos, pessoas e ideias essa responsabilidade, da mesma forma que fizemos ao médico quando não conseguimos dormir. Mais do que buscar o motivo da angústia que leva à insônia, pedimos um remédio que nos devolva o sono e mantenha a tristeza que nos afeta intacta. Espinosa sacudiria a cabeça, com desânimo.

Comeu seu brioche com o último gole de chá. Espinosa evoluiu no pensamento rebelde e complexo de Nietzsche e, a partir do final dos anos sessenta com Deleuze e sua Esquizoanálise.

Agora pode entender o motivo de Espinosa e seus seguidores estarem à margem da cultura, afinal eles nos mostram uma maneira de ver a vida que nunca imaginamos. Quase um clamor para que vivamos intensamente o que temos, sem futuro, já que o futuro nos fará diferente do que somos e seremos outro, portanto.

Enquanto pagava sua conta, pensou o que Espinosa poderia dizer-lhe depois desse encontro. Talvez ele apenas diria:

-Alegre-se pelo que tens. Que bom que podes vir nesse belo lugar e poder tomar esse chá quente em um dia frio. Mais do que pensar no que te falta, veja o que a vida te proporciona e valorize! Seus desejos serão amenizados. Sempre haverá uma insatisfação, mas o que esperar de quem tem apenas um tempo para viver? Esse espaço em aberto que chamamos desejo, é por onde nasce a criatividade, que nos empurra avante, para sermos o que ainda não somos.

Quando voltou para a rua a noite já chegara. No inverno os dias são menores e uma golfada de vento gelado crispou seu rosto. Mas por dentro estava quente, não só pelo chá, mas por ter percebido que há um mistério chamado vida para ser vivido e descoberto, até que mudemos de forma, como afirma Espinosa.

Lembrou de ligar o celular e a internet lhe avisou de mais um atentado com mortes na Europa. Resolveu não deixar a tristeza diminuir sua potência de viver. São os que matam em nome de um deus que querem empurrar goela abaixo, ou simplesmente serem heróis de alguma coisa e dar sentido a vidas medíocres.

O que virá depois?

Não importa, pois enquanto pensar nisso, a vida “agora” não é vivida. Pensou que Nietzsche lhe daria um tapa na cara se estivesse diante dele.

Seria mais que merecido!

Uma possibilidade chamada Deus

“Eu ansiei  profundamente e busquei durante longo tempo por Deus, mas não pude encontra-Lo. Então, certo dia, abandonei aquele anseio, aquele desejo, aquela busca, e desde tal momento Ele vem me seguindo. Ele está sempre comigo. Na verdade, Ele esteve sempre comigo, mas eu estava tão ocupado pela busca que jamais O via.”

Kabir

                                                                                                                                                   interrogação

Deus é algo que só existe na mente das pessoas, por isso é  que precisa ser alcançado, ou para quem nos dirigimos nas preces, sendo, portando uma “outra” entidade, ou um Tu.

É atribuída a Jesus uma fala onde ele teria dito que o caminho (ponte) é direto e estreito e que só uma pessoa passa. Interpreto essa passagem como que não há espaço para o “eu” e o “tu”. Só quando  se fundem, Deus poderá ser encontrado. Assim, o ego, representado pela mente, é o que impede a clara percepção. Fora disso é a escuridão  que Sidarta falou ter se libertado quando atingiu a iluminação.

Assim, Sidarta negou a existência de Deus, e ele está correto, já que Ele não é possível enquanto existir esse “eu” que separa de tudo, praticamente colocando-se fora do mundo e desconectado, mergulhado em seus pensamentos.

Outros como Pantâjali*, diziam ser Deus apenas uma hipótese, que não traz nenhuma verdade em si, mas pode ser usada como um caminho na meditação, como uma espécie de mapa que leve a algum lugar onde esse ego seja suplantado e o sofrimento termine. Esse pensamento não é necessariamente uma afirmação da inexistência de Deus, mas apenas uma forma de dizer que poderemos usar Deus como uma desculpa para conseguirmos suplantar o diversionismo da mente e encontrá-Lo atrás dela.

Na verdade, essa liberdade de viver sem medo é o que os budistas chamam de Nirvana, mas que também é traduzido por “esquecimento”. Mas que esquecimento? Poderíamos dizer que é esquecer do meu Eu?  Atrás da mente está a eternidade propagada por muitas religiões, mas que, estranhamente, mantém as pessoas aprisionadas em seus mandamentos e punições, trazendo a culpa e o medo que, em essência, é a verdadeira definição de mente.

Trata-se de uma espécie de estelionato espiritual, já que diz que existe, cobra a passagem, mas nunca leva ao lugar prometido. E isso se explica pelo fato de que todos que lá chegaram atingiram a verdadeira religiosidade.  Esse nível de compreensão e liberdade, obviamente dispensa a necessidade de uma religião que lhe diga como deve agir, pensar e o que deve fazer. Essa é, na verdade, a conduta que temos com as crianças que não sabem o que fazem e precisam ser guiadas.

Kabir, o místico sufi que abre esse texto, parou de procurar e encontrou. Pode parecer um paradoxo, mas é assim que as coisas funcionam e isso vale também para Deus. Quem já não ouviu alguma história de uma mulher que de tanto querer engravidar nunca conseguia. Ao desistir da ideia, seja por resolver adotar ou outro motivo, quando já não mais se preocupava com isso terminou engravidando.

Esse “querer”, seja o que for, traz embutido em si o medo de não conseguir e todo o processo é paralisado. Aliás, sobre isso Deepack Chopra** conta que um Mestre disse a seu discípulo:

“Se você passar cada momento transformando todo o pensamento e ação em bem, continuaria exatamente tão distante da iluminação quanto alguém que usou cada momento para o mal”.

Por mais estranho que pareça isso é muito lógico. Sempre que estou me esforçando para fazer o bem, demonstro que  mal está presente e esse vai e vem estre os opostos mantém um nível de tensão que inviabiliza esse estado de paz. Existe uma tendência de igualarmos bondade e Deus, mas o bem é cármico como diz Chopra. Isso quer dizer que o bem é resultado de ações e não é nada que seja a priori ou apareça do nada. Assim, o” bem” é resultado de evolução e não algo que nos seja natural. Da mesma forma a ação errada também gera seus resultados.

Bem e mal fazem parte de uma mesma dança como disse no post   “a importância do mal”. Assim sempre que desejo o “bem”  isso me levará ao mal e vice versa. Para ilustrar vou usar aqui o mesmo exemplo de Chopra:

… desejar A ou B sempre levará a seu oposto. Se eu nasci rico, posso ficar maravilhado no começo; posso satisfazer qualquer desejo, atender a qualquer capricho. Mas no fim o tédio se instala; ficarei desassossegado e, em muitos casos, a minha vida ficará sobrecarregada.”

Isso nem é tão difícil de perceber, afinal quem já não ouviu ou disse que “daria tudo” para… Esse “tudo” é algo que se imaginava antes de se ter que resolveria todos os problemas. Mas por ser um extremo, traz o outro em si, assim como a mais profunda escuridão na noite antecipa o dia que ira raiar, em questão de tempo. Como dizem os budistas, minha mente sempre desejará o oposto que tenho. Entender isso pode até ser como achar o endereço de Deus.

Portanto, se Deus existe, é uma possibilidade, ou algo que precisamos para não nos sentirmos abandonados no mundo. Na verdade,  pouco importa. O que é possível de tornar verdade é ampliarmos nossa compreensão para sairmos dessa situação mental de angústia, sempre atrás de alguma coisa, inclusive de Deus.

Como diz no Gênesis, tudo, no princípio era escuridão, logo Deus já existia, então era lá que ele morava.

Imagino que Deus esteja escondido em um lugar escuro, dentro de nós esperando que possamos iluminá-lo com alguma compreensão e, principalmente, atitude de quem busca ultrapassar os limites do ego.

Muitos para isso buscam renunciar a tudo e isso já traz o outro extemo que é o apego. Só posso querer renunciar a algo que para mim é valioso e isso já mostra como, seja o que for, é importante.

Na verdade, a sugestão é abandonar. A própria palavra já soa mais leve e não traz a separação que está implícita na renúncia. Você pode ter as coisas que abandona sempre perto, foi sua relação com elas que mudou. Na renúncia isso não é possível. Não é um jogo de palavras, experimente e constate por si mesmo.

Noto quando em prática de relaxamento como as pessoas se sentem bem, em paz e isso dura dias. A resposta para isso é que relaxar é, em primeiro lugar manter a mente focada na prática, impedindo suas viagens sofridas, mas principalmente, porque a pessoa se abandona, se entrega totalmente e o bem estar físico e mental é uma consequência natural.

Essa sensação de leveza, paz e serenidade nada mais é que Deus. Quando se está assim, não se pensa em problemas, dificuldades, futuras doenças e outras bobagens. Simplesmente se “está”. Alguns até relatam que nos primeiros segundos enquanto retomam a mente, chegam até a esquecer de quem são, enquanto “eu” ou ego.

Depois da primeira experiência, todos querem novamente  esse estado. O que já pode gerar uma tensão que atrapalha a próxima tentativa e o relaxamento pode ter resultado inferior. Já está de novo o problema; o medo (mente, ansiedade, sofrimento) de não conseguir atingir o resultado esperado.

Kabir, Sidarta e outros chegaram lá, sem a ajuda de Deus. Eles não estavam procurando por Ele, e só por isso conseguiram compreender tudo tão profundamente. Foi assim que Deus passou a ser um detalhe.

E é mesmo!

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*Pantâjali ou Pátañjali – Se dá o nome de Pátañjali ao mítico codificador do Yoga Clássico, autor do Yoga Sútra. Tudo sobre esta figura histórica é um verdadeiro mistério. Para começar, a data em que ele teria vivido é fonte de discrepâncias. Há autores que afirmam que viveu no século IV a.C. e outros que pensam que tenha vivido entre os séculos II e VI d.C.

Disponível em: http://www.yoga.pro.br/artigos/334/3022/quem-foi-patanjali

**Como conhecer Deus – Deepack Chopra  ed.Rocco

Eterna Evolução

“O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.”

                                                                                                         Mario Quintana

“O mal do mundo é que Deus envelheceu e o Diabo evoluiu”.

                                                                                                        Millôr Fernandes

                                                                                                                                                  evolução

Em uma de suas palestras transcritas no livro “Sufis: o povo do caminho”, Osho afirma que tudo no universo está em constante evolução e isso também incluiria Deus. Pensei sobre isso e concordo com ele, há lógica nisso, se não vejamos:

 Apesar de todas as definições sobre Ele sejam em forma de negação, como “impermanente”, “incriado”, “não nascido” entre outras, é lícito pensarmos que até mesmo Deus precisa evoluir.

Se tomarmos por base a própria natureza, aceita por todos como uma de suas faces, podemos observar que sua essência é movimento, com ciclos de nascimento e morte. Essa eterna capacidade de adaptação que também pode ser chamada de mudança ou evolução, mostra que “criar” também é mudar. Essa teoria se baseia na própria lei da física que diz que nada se perde, tudo se transforma.

Essa seria a única maneira de encontrarmos um ponto de encontro entre o eterno conflito da ciência com a religião, simbolizado por Darwin e Deus. Deus criaria com a imperfeição, que daria sentido à busca por desenvolvimento e Darwin diria que as espécies nesse processo se perpetuam pela adaptação (evolução) ou desaparecem. No caso do Homem, teríamos uma pitada de livre arbítrio, que daria o sabor para demonstrar que evolução ou desenvolvimento é resultado de ação e que nada caminha por si só em direção à plenitude. Se isso fosse verdade, nenhuma espécie desapareceria.

Todos têm maus momentos e porque não poderia acontecer isso com o Criador? Vendo só pelo lado criacionista, poderíamos pensar que as espécies que desapareceram, mesmo antes do registro da existência do homem, ou poderíamos dizer, no tempo em que já estávamos aqui, mas em um estado tão involuído que não tínhamos como registrar as memórias e saberes, foram erros corrigidos por não terem dado muito certo.

Em algum momento dessa evolução, seja por interferência divina ou, segundo Darwin, como algo necessário a manutenção da espécie, recebemos um sopro divino, hoje conhecido como neo córtex (novo cérebro) que nos dá capacidade de abstração, imaginação, criatividade e consciência elevada. Isso nos torna “quase” deus ou “semelhante” como diz o Gênesis. Mas, como sabemos, nem mesmo esse toque divino nos exime das barbaridades que ainda cometemos contra nós e os demais habitantes do planeta.

Não perdemos com o novo cérebro nosso passado de “quase bichos” simbolizados pelos nossos instintos de sobrevivência muito mal utilizados devido a essa mentalidade competitiva e de escassez que vivemos. Essa fina ironia de oscilarmos entre quase deuses e pouco melhores (às vezes nem tanto) que os animais, faz nossa fricção em busca de nos aproximarmos de novos patamares.

Se Deus está em todos os lugares, também está nas mentes doentias, na barbárie contra o próprio planeta e os animais que empreendemos, enquanto passeamos pelo espaço e já se fala na possibilidade de habitarmos outros planetas no futuro depois de destruirmos o nosso.

Madre Tereza, Hitler, Chico Xavier e Stalin são Deus, assim como nós em nossos bons e maus momentos. A diferença é que talvez eles não ficaram no “morno” advertido por Jesus e foram “quentes” ou “frios”, movidos pela coragem de serem o que foram e certamente estão em franca evolução.

Toda essa reflexão serve para não nos preocuparmos muito com nossos erros e os entendermos como parte desse aprendizado. Quando ganhamos mais percepção,  começamos a notar que sempre o que acontece foi previsto por nós mesmos no passado por não estarmos prestando muita atenção ao que fazíamos. Ou até por acharmos na época, que era isso mesmo que verdadeiramente merecíamos sendo nosso futuro um justo pagamento.

Saber realmente o que estamos fazendo agora é resultado de termos entendido como as coisas funcionam e com o tempo paramos de nos lamentar justamente por sermos mais responsáveis por nosso presente e futuro.

Dizem alguns cientistas que existem provas que o continente africano há milhões de anos atrás era grudado na América do Sul e que mudanças geológicas  afastaram os continentes. Mas bem pode ter sido Deus que, lá de cima, viu que a arrumação não ficou boa e separou os continentes para deixar tudo mais harmonioso entre tanta água que temos por aqui. Arrependeu-se do arranjo inicial e mudou.  Com isso temos duas culturas diferentes e o que vivemos hoje aqui e lá é resultado desse arrependimento geográfico.

Os ateus, penso, fundamentam sua crença em que Deus não existe, justamente por que os que acreditam Nele dizerem-no perfeito e infalível. Não tem como alguém com essas qualidades ter produzido “filhos” tão desastrados que criaram coisas como a bomba atômica e o chester, por exemplo. Se os crentes na existência de Deus assumirem que Ele está evoluindo e melhorando como nós, acabará o ateísmo. Chegaremos a um bom acordo!

Mas isso será mesmo difícil de acontecer. Precisamos, por sermos ainda evolutivamente primários, acreditarmos que tem alguém melhor que nós que nos cuide. Essa ideia de que Deus pode errar nos deixaria apavorados, à deriva.

Por isso, devemos nos tratar com mais tolerância e condescendência, afinal, como crianças, não sabemos direito o que fazemos. Mas como quem quer ir para frente, precisamos aprender com nossos erros anteriores e tratarmos de somente cometermos erros inéditos, demonstração clara de evolução.

Quem sabe um dia, junto com Deus, chegaremos à perfeição. Precisaríamos, a partir desse momento, pensarmos em um tipo diferente de vida, mudarmos tudo radicalmente.

Afinal, um mundo de gente perfeita deve ser mesmo muito chato!

Por isso tudo, me atrevo a mudar o ditado popular e dizer que: Errar é divino e perdoar também!

Como formar um “rebanho”

Tudo quanto tenho feito, pensado, sido, é uma soma de subordinações, ou  a um ente falso que julguei meu, por que agi dele para fora, ou de um peso de circunstâncias que supus ser o ar que respirava.

Sou, neste momento de ver, um solitário súbito, que se reconhece desterrado onde se encontrou sempre cidadão. No mais íntimo que pensei não fui eu.

 

Fernando Pessoa- Navegar é preciso

 

Manipulação 1

Deus, sempre ele, desde tempos imemoriais tem sido usado como o maior e melhor modo de controlar as pessoas e manipulá-las. Cabe lembrar que sua existência ainda é controversa, sendo  uma questão de crença, afinal, nunca ninguém o viu ou falou com ele. Até hoje em dia, caso isso aconteça com você, de vê-lo ou ouvi-lo, procure manter um absoluto sigilo, pois se ficarem sabendo seu futuro será um psiquiatra e uma extensa lista de medicamentos.

Assim, aqueles que manipulam as pessoas precisam, para que elas se sujeitem aos padrões de comportamentos desejados, que estejam vivendo duas emoções; o medo de uma eventual punição e a culpa, por terem descumprido alguma “regra”. Some-se a isso, que, para que as regras sejam seguidas tenham, em quem as determine, uma forte autoridade. Dessa forma, quanto mais absurda, maior autoridade precisa ser a do seu autor. Assim, nosso deus, de costas muito largas, coitado, tem visto seu nome ser usado em vão há séculos, para que as pessoas (no caso ovelhas), sigam determinadas normas de conduta, conceitos de certo e errado, que não se discuta ou questione.

E o que é uma norma absurda? É aquela que não seja possível de ser atingida, por estar fora do âmbito humano. Se pensarmos bem, veremos que tudo que é considerado pecado é alguma emoção ou comportamento extremamente natural, ficando, portanto, necessitando de um tamanho esforço pra ser cumprido que o torna irrealizável.  Alguns desses pecados ou mandamentos chegam ao ponto de que é proibido pensar, ou seja, não tem como ser conseguido, afinal não podemos fazer com que nosso cérebro simplesmente não pense. Assim, a pobre ovelha já está em sofrimento, afinal deus está muito irritado com ela por ter esse tipo de pensamento. Então, ela, para se redimir, precisa de uma penitência (punição). Esse tipo de bobagem, como tudo que é cultural e repetido desde a infância vira uma norma de vida e a própria pessoa se pune sozinha pelo seu grave erro (?).

Somente pessoas tristes e quase mortas são manipuláveis, portanto, essas normas visam tirar a alegria, o prazer e a felicidade. Sobra só o sofrimento que nos purifica e nos limpa de nossos pecados que já trazemos, pasmem, desde que nascemos. Isso porque há dois mil e poucos anos crucificaram Jesus que veio para nos libertar e eu, que não estive lá e não participei disso, preciso ter uma vida sem graça e muito chata para pagar esse erro que certamente não cometi, mas que me garantirá um lugar no paraíso dos justos. Inacreditável!

Então, os pastores vão conduzindo seus rebanhos dizendo que comidas gostosas (prazer) é pecado, que sexo é errado, que sentir ira (é instinto) é um pecado capital, que divertimento precisa vir bem depois do trabalho (precisa suar o rosto, lembram?) e que viver é mesmo sofrer, porque um dia, se você fizer tudo certinho ( tiver tido uma vida de sofrimento) será recompensado. Se isso for verdade imagine só a chatice que será viver no paraíso! Que vida eterna mais sem graça, afinal a música permitida provavelmente será a barroca ou sacra, dançar nem pensar, chocolate, riso, romance e divertimento então somente naquele “lugar” para onde vão os que erraram, pecaram e não foram tementes (ter medo) de deus. Imagine só que as pessoas que conseguiram essa façanha precisam ser moralistas, chatas e sem graça. Basta observarmos os exemplos dos futuros candidatos a um lugar no paraíso que ainda estão entre nós. Que tal passar a eternidade com eles?

É claro que todas essas regras não são religiosas no seu sentido último, que seria nos ligar a divindade, mas são normas de conduta e higiene pública. Só acho que os tempos mudaram e passado tanto tempo poderíamos melhorar isso, diminuindo o sofrimento dos incautos que ficam tentando atingir essas metas de comportamento que só serão conseguidas à custa de sua qualidade de vida. Parece que o pessoal do marketing dessas pseudo religiões não estão entendendo que o único público que ainda os aceita são aquelas pessoas que realmente precisam de um cabresto, pois não conseguem viver em liberdade. Os demais, já se afastaram há muito tempo, visto o crescimento de religiões bem mais antigas, vindas do oriente, que parecem respeitar bem mais a inteligência das pessoas.

Essas ideias que nos foram dadas lá trás na nossa infância continuam vigorando, mas já não somos mais crianças! Os pecados que punem os exageros de toda a espécie tem por finalidade nos por em uma certa linha pelo medo. Essa é a maneira de se domesticar as crianças, ameaçando com o “homem da capa preta”, o “lobo mau” e outras chantagens. As pessoas não percebem que cresceram e esses conceitos continuam vigendo em sua mente mesmo depois de adultos e estão norteando suas escolhas.

Assim, nossas religiões ocidentais nada fazem se não reprimir a humanidade das pessoas, as condenando a tristeza e a angústia, onde tudo que é prazeroso é proibido, errado e amoral. Se não podemos ser naturais, somos aleijados! Toda a escolha é correta se for realmente consciente, mas se é feita pelo senso moral é uma obrigação, o que é bem diferente.

Dessa forma, as pessoas mortas-vivas que andam por aí são facilmente condicionáveis e não é difícil lhes vender a ideia que se deve almejar a segurança em tudo como forma de se conseguir a felicidade. Isso é absolutamente impossível já que nada permanece, estando em constante movimento. Assim, é fácil entender as pessoas lutarem para buscar empregos e relacionamentos seguros e estáveis, ou seja, sempre tendo o medo por trás. Diga para uma pessoa realmente livre, se ela aceita em troca de dinheiro passar os próximos trinta anos dentro de um escritório, com uma vida previsível e sem novidades e veja se ela aceitaria.

É justamente por isso que a obsessão pelo dinheiro e o poder tem sido a tônica nesses últimos milhares de anos, porque se pensa que ele vai nos trazer essa liberdade, de se poder realmente viver com alegria e satisfação. Também não vai dar certo, já que se essa plenitude depender dele, faremos o que for possível para tê-lo e isso também é outro nome para a palavra prisão.

Nunca defendo a insanidade, a irresponsabilidade e a falta de ética, mas ser consciente de si e do que realmente se quer. Precisamos de alguma forma nos libertar desse “policial” que colocaram ao nosso lado desde que nascemos e que só nos diz “não” para nossos sonhos de, simplesmente, vivermos com alegria e sem medo.

Sinceramente, se for como parece, estou abrindo mão do paraíso e vou arriscar um local mais animado e quente, afinal a eternidade é longa…