Agenda

O Sétimo dia

      “ E Deus descansa e abençoa o sétimo dia…”

                                              Gênesis

“Tudo está fechado

Tudo está fechado

Domingo é sempre assim

E quem não está acostumado?

É dia de descanso

Nem precisava tanto

É dia de descanso

Programa Sílvio santos

E antes que eu confunda todo mundo

Antes que eu confunda o domingo

O domingo com a segunda

Domingo eu quero ver o domingo passar

Domingo eu quero ver o domingo acabar

Domingo eu quero ver o domingo passar

Domingo eu quero ver o domingo acabar

Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo

Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo”

Titãs – Domingo

triste

De todos os dias da semana, existe um que talvez seja aquele que, se nele acordássemos de um estado de coma de muitos anos, saberíamos identificar sem muitas dificuldades. O domingo se caracteriza por manter suas trilhas sonoras, cheiros e jeitos de se acordar, almoçar, jantar e rotinas até de pensamentos, imagino, desde tempos imemoriais, tamanha a dificuldade de nos libertarmos dessa verdadeira condenação.

Se Deus realmente criou o mundo e começou na segunda-feira, teria muita curiosidade de saber como ele se sentiu na tarde de seu dia de descanso.

Existe uma certa aura facilmente reconhecível e até já se fala de um termo que se não fosse sério, poderia ser uma maneira de expressá-lo chamado “depressão de domingo”. Parece que esse estado de tristeza e ansiedade tem até uma hora para começar, lá pelas 17 horas, quando o dia se encaminha para o entardecer e a sombra da segunda feira começa a atormentar com o pensamento do início de mais uma semana de trabalho, compromissos, e tudo que envolve essa maneira de encarar a vida como se fosse uma batalha feita de sacrifícios.

De alguma forma, poderemos comparar com o que acontece com muitas pessoas nos feriados de final de ano (se ainda não leu, sugiro a leitura do artigo “Depressão de natal”), claro que de forma mais reduzida, mas com grande semelhança no conteúdo emocional.

Mesmo para aqueles que fazem de seu dia de descanso algo prazeroso, o início da noite traz consigo uma melancolia que se pode quase respirar. A televisão mantém programas há décadas, com alguns personagens que parecem imortais, mantidos por uma audiência hipnotizada que entra em transe nos mesmos horários sempre que tocam as músicas de abertura, que, apesar de alguma variação nos arranjos, vez por outra, nos chamam para os pensamentos de sempre e soam como se fossem alarmes que nos despertam para uma sensação de cansaço do que só começará amanhã.

As crianças vão aprendendo com seus pais a se sentirem tristes e ansiosas quando os veem se preparando desde cedo para esse dia que parece tão importante que decreta o início da semana, sem entender o que acontece de tão especial. Tenho a impressão que nesses horários nos lembramos dos sonhos que não se realizaram, dos amores que se perderam e da vida que se escoa cada vez mais rapidamente. Metaforicamente ou não dormimos na segunda feira pela manhã, acordamos no sábado e tudo está passando tão depressa porque percebemos apenas dois dias dos sete de cada semana.

O domingo torna a segunda feira tão pesada que não deve ser mesmo fácil começar nesse dia aquele regime há tanto adiado, os exercícios físicos ou um novo enfoque nos estudos ou trabalho. Isso pode explicar as estatísticas que mostram a manhã de segunda feira com a maior incidência de infartos e suicídios.

E se mudássemos o nome dos dias, trocar o nome pode dar um novo sentido, por que não? Hoje a quinta feira, por exemplo, ganhou o status do dia preferido da semana, afinal trabalhar na sexta feira fica mais leve sabendo-se que depois vêm os dois dias de descanso para a maioria das pessoas. Na quinta, as pessoas saem à noite e se preparam pouco para sexta, afinal chegam tarde em casa da diversão. Só que isso não incomoda tanto quanto dormir tarde no domingo. Ali precisamos ver os melodramas dos programas do final de tarde e da noite, mas é claro que quando nosso time vence isso traz um certo consolo, mas quando perde…

Mergulhamos nas rotinas para não pensarmos em tudo que nos angustia, para fugirmos das dúvidas do futuro, afinal nossas desculpas para tudo que abandonamos, seja por medo ou falta de persistência, já não nos convencem mais.  As horas que antecedem mais uma semana, nos confrontam com uma espécie de realidade cinza e da nossa falibilidade. No domingo, a morte é uma certeza e se isso acontecer rapidamente deixaremos para trás muito do que daria sentido a vida que sonhávamos na época que éramos imortais.

Se você, caro leitor, é vítima dessa depressão de domingo, sugiro que tome medidas urgentes para mudar essa situação. Esperar que a televisão, por exemplo, tire esses programas do ar para que algo mude, pode esquecer!  Comece por agendar para esse dia atividades agradáveis, principalmente para à tardinha e a noite. Que diferença faz se amanhã é segunda feira ou sexta? Se tiver que trabalhar igual no outro dia, quebre esse paradigma e corte mais isso da sua lista de sofrimentos. Alguns podem argumentar que o fato de estarem sós agrava o problema. Afirmo que não, já que posso dizer que é um condicionamento coletivo que atinge os solitários e os acompanhados, afinal temos os momentos que não podemos fugir de nós mesmos e o domingo para isso chega ser perfeito.

Porque não um bom cinema no domingo à noite? Aquela pizza com os amigos, ou mesmo a caminhada que se faz durante a semana a noite, pode transformar o limão em limonada. Só de saber que terá algo que goste para fazer no final do dia, isso já trará certa leveza para o dia todo.

Vá almoçar na casa da sua sogra no sábado, pelo menos vez por outra, e quebre essa rotina que mais parece um encantamento da bruxa má. Lembre que  atitudes novas, resultados novos!

Conta a lenda que  Jesus ressuscitou em um domingo, faça isso com você também!

A TERAPIA

“Veio Darwin e nos ligou a um macaco; depois veio Pavlov e nos ligou a um cão; e, depois veio Freud e nos ligou a um falo. E, como os três mosqueteiros eram, na verdade quatro, quero dizer-lhes que, pelo menos um por cento do homem é Deus…”

Oriol Anguera

“Ser normal é a meta dos fracassados.”

Carl. G. Jung

terapia

A psicologia que hoje conhecemos é bastante recente, apesar de o ato terapêutico, enquanto escuta ou psicoterapia, ser tão antigo quanto a existência do homem. Na verdade, a psicologia propriamente dita originou-se da filosofia e eram os filósofos, através de seus questionamentos sobre a verdade, a alma, o universo e tudo que envolve esse mistério que é viver, que primeiro exerceram essa função de psicoterapeutas. Mas, imagino, que desde os tempos mais remotos, quando alguém em angústia se colocava ao lado de outra pessoa, que em silêncio, porque ainda não haviam as palavras, apenas fazia companhia com interesse ou solidariedade, a terapia já existia.

Na medida em que o tempo foi passando, o que hoje entendemos por psicologia, sempre esteve a serviço da cultura dominante em cada época, dando o veredito sobre a sanidade ou a loucura de uma pessoa. Hoje, em sua variação tecnológica, a psiquiatria dispõe de medicamentos cada vez mais poderosos para ajudar a pessoa a manter-se “nos trilhos” ou voltar para eles, sem prejuízo de sua capacidade produtiva, que, no mundo em que vivemos, é o que realmente importa e move todo o sistema de saúde.

O ser humano sempre padeceu de uma enfermidade primária que é a falta de autoconhecimento, já que sem esse saber essencial, as pessoas tornam-se facilmente manipuláveis e perdem sua liberdade. Assim, o que temos visto ao longo do tempo é a psicologia moderna estabelecer limites de normalidade para seres humanos que não tem ideia de quem sejam, ou seja, muito abaixo de suas possibilidades evolutivas. Salvo exceções como os transpessoalistas, Carl Jung e outros que acreditavam que a normalidade é viver a diferença que todos temos, todas as demais formas de psicologia procuram colocar pessoas, que são diferentes entre si, em um “molde” e ajustá-las a ele, sem sequer perceber que isso é a maior violência e insanidade que se possa cometer.

Já escrevi em tantos outros textos, em aulas, palestras e conversas que todas as pessoas que fizeram alguma diferença na história da humanidade eram consideradas loucas em suas épocas. Todos eles pagaram um preço por se recusarem a usar os “óculos” padronizados das massas e decidiram ver a realidade e a interpretarem por sua própria ótica. Apesar de todas as dificuldades, percalços e sofrimento que passaram essas pessoas, elas realmente viveram seu tempo lucidamente, enquanto todos os demais vagaram como zumbis pela sua existência sem nem sequer perceber que estavam realmente vivos.

Por isso que não estranho que em laboratórios de psicologia se façam experimentos com animais. Pavlov nos mostrou como somos condicionáveis com seus cachorros e os símios e ratos ainda são utilizados para que se possa entender como os seres humanos agem. Isso é bem mais do que uma piada de mau gosto. Mas, talvez, você que me lê, possa perguntar:

Mas esses testes realmente funcionam isso está mais do que provado!

Sim, é verdade, mas somente porque uma pessoa completamente inconsciente de si mesma e de seu potencial não difere em nada de um animal irracional, ou seja, que não usa seu potencial humano (superior). Os cachorros, macacos e ratos representam esse ser humano adormecido, condicionável, que vive baseado no medo. Tem dúvida sobre isso? Veja e pesquise sobre a venda de ansiolíticos e antidepressivos em nosso mundo globalizado, moderno e desenvolvido…

A verdadeira psicologia deveria trabalhar sobre o quanto uma pessoa pode se desenvolver e não procurar adaptá-la e acomodá-la a parâmetros de um mundo doente como esse que vivemos. Esse jeito de viver que conhecemos como “normal” é assim: violentam crianças, desrespeitam-se e agridem-se idosos, torna as pessoas compulsivamente consumistas, avalia uma pessoa pelos bens que ela agrega a sua identidade, privatiza a riqueza, globaliza a miséria, sexualiza o pensamento desde a infância e obriga as pessoas a se mutilarem com o intuito de vencer a passagem do tempo e outras tantas, realmente, loucuras.

Portanto cuidado; se você não for assim e não concordar com isso, logo estará se sentindo meio solitário e fora de contexto e precisará de uma “boa” terapia para se engajar novamente e sentir-se acolhido pelos demais.

Trabalhar o potencial de cada um é investir no que torna cada ser humano único. Se fossemos todos iguais, como prega a psicologia da acomodação, todos os DNA’s seriam idênticos. Muitos estudiosos e visionários da verdadeira medicina de almas sempre viram as crises, que hoje chamamos de doenças, como um grito do cachorro, macaco ou do rato que simbolizam essa perda de si mesmo, de querer tornar-se realmente humano! Mas o que se faz? Anestesia-se, acomoda-se, para aceitarmos de bom grado uma vida medíocre, uma angústia suportável pelos bens que compramos e que vão perdendo razão e utilidade cada vez mais rapidamente.

Os sofrimentos psíquicos e, logo adiante corporais, dão-se pelo conflito de quem realmente somos e aquilo que se espera que sejamos. Quando um ser humano coloca em ordem a ecologia do seu Ser, então o equilíbrio ou a cura pode acontecer e isso deveria ser todo o enfoque terapêutico, mas isso só se dá com a vivência de nossa individualidade.

Como nos ensinam os antigos terapeutas do deserto, da época de Jesus, quando nos curamos o universo também se cura. Dessa forma, podemos sim, pensar que a doença do planeta, da sua cultura, é a doença do ser humano, justamente por ela afastá-lo de sua essência.

Vivemos em um mundo que leva a existência muito a sério, tornamo-nos fanáticos pelo que transitório, abandonando nossa verdadeira identidade, aquilo que realmente somos, que nunca nos foi permitido  viver e descobrir, se não estiver dentro do que se considera “normal”.

O ser humano é a mistura da natureza com a aventura, como bem afirma  Jean Yves Leloup. A aventura é a nossa liberdade de interpretar o que nos acontece, dar um sentido novo ao que se passa conosco, à nossa existência, a possibilidade de mudar de vida e de buscar novos desejos e conhecer novas estradas. O terapeuta deveria, porque não, tornar-se um hermeneuta, e sua prática deveria envolver a arte da (re)interpretação, de  ver as situações com outros significados.

Penso que a maior função do terapeuta, talvez não seja a de explicar, mas de estimular a capacidade da pessoa de produzir um novo sentido para aquilo que lhe acontece. A verdadeira psicologia deveria se fundamentar no que cada um tem de mais saudável, mas o que vemos é estruturar-se sobre o aspecto doente e, a partir dai iniciar o que se chama de tratamento.

Nosso limite evolutivo precisa ser parametrizado “por cima”; porque não um Sidarta, Jesus, Sócrates, Mansoor, etc.? Esses até hoje ainda seriam considerados insanos, apesar de milhões se dizerem seus seguidores. Infelizmente o parâmetro do que se espera de uma pessoa é não ser ninguém de especial!

              Há quem diga que um louco perdeu tudo, menos a razão…

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Para saber mais: “Cuidar do Ser” Jean Yves Leloup – ed Vozes

                          Os Mutantes – Pierre Weil – ed Versus

FOBIA

“A fobia específica é um medo exacerbado e persistente de objetos ou situações nitidamente discerníveis. A exposição ao objeto ou situação temida (chamada de estímulo fóbico) desencadeia uma resposta de ansiedade que pode chegar à intensidade de um ataque de pânico.”

   DSM-IV-TR  (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais)

                                                                                                                                                           medo de altura

Depois de termos falado no artigo anterior sobre a dificuldade que é perdoar, torna-se mais fácil falar do processo fóbico. O leitor pode até estar se perguntando o porquê que a dificuldade de perdoar tem a ver com fobia? Tenho certeza que até o final do presente texto isso se tornará bem mais claro.

Falar de fobia é falar de medo e, por consequência, de ansiedade. Por isso torna-se importante que possamos estabelecer essa diferença, que existe, apesar de sutil. O medo é um sentimento (emoção) de inquietação diante de um perigo real ou imaginário.

Imaginário?

Sim, já que como nosso corpo responde, através de suas reações somente ao que imaginamos, nada precisa estar ocorrendo verdadeiramente para que sintamos o medo. Já a ansiedade nada mais é do que uma sensação de apreensão sem uma causa evidente ou uma perturbação causada por alguma incerteza (insegurança).  Assim, poderemos resumidamente dizer que o medo é medo de algo e a ansiedade é esse mesmo medo, sem ser específico para alguma coisa. Nos casos das fobias essa diferença é bem mais perceptível.

Mas afinal, o que é uma fobia?

As fobias compõem um grupo de transtornos nos quais uma ansiedade intensa é desencadeada por situações determinadas e que não representam algum perigo real, já que estão sendo imaginadas. Assim, por exemplo, a pessoa que tem medo de altura não frequenta lugares altos porque, dentro dela, existe uma “certeza” de que ela irá cair. Quem tem fobia à água, imagina que se afogará e assim por diante. Dessa forma, quando imagino, meu sistema de defesa (estresse) entra em ação, já que ele acredita em tudo que passa pela nossa cabeça é real naquele momento. Assim, nem pensar de entrar na água se é “certo” que me afogarei, por exemplo. Nosso corpo luta pela vida, lembrem-se disso sempre!

Justamente por isso, estas situações fóbicas são evitadas sempre que possível ou com uma angústia tremenda quando não temos escapatória. As preocupações (pré – ocupação da mente ou imaginação) da pessoa podem se manifestar com sintomas como palpitações, sudorese, falta de ar, tremores, boca seca, extremidades frias, etc, ou uma sensação iminente de desmaio. Frequentemente este tipo de ansiedade se associa com medo de morrer, de vir a passar muito mal, de perder o autocontrole ou de ficar louco, já que nos tornarmos muito mais bichos do que humanos, afinal, nosso sistema de sobrevivência é muito parecido com os dos animais.

Geralmente a simples lembrança ou evocação da situação que causa fobia já é suficiente para desencadear uma ansiedade antecipatória, e aqui o sistema explicado no artigo anterior entra em funcionamento.  Para a medicina, a ansiedade Fóbica frequentemente se associa a uma depressão, o que, me permito, não concordar integralmente.

A diferença entre o sintoma fóbico e o Transtorno Fóbico, pode ser entendida como a diferença que se faz entre o que é sintoma e doença. A Fobia, enquanto sintoma, faz parte da alteração do pensamento, aparece como um medo imotivado e patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Normalmente é acompanhada de intensa ansiedade e outros sintomas que citei anteriormente. O Transtorno Fóbico-Ansioso se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia, sintoma, entre os demais sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica.*

Como começa uma fobia?

Diferente de um trauma, que precisa de um acontecimento que o gere, a fobia pode surgir sem que nada precise ter acontecido anteriormente. Para uma fobia aparecer torna-se necessário que o nível de ansiedade esteja alto. Como a ansiedade é um medo inespecífico, tudo pode virar uma fobia. Assim, mesmo que uma pessoa tenha já realizado inúmeras viagens aéreas, por exemplo, em uma crise de ansiedade pode surgir um medo terrível de entrar em um avião, seja pela “certeza” de que ele cairá, seja por imaginar-se preso, sem possibilidade de sair. Lembre que sempre o medo de morrer é o pano de fundo.

Já conheci pessoas que desenvolveram processos fóbicos por histórias ou estórias que ouviram durante a infância e mesmo em idade adulta. Basta o nível de ansiedade estar elevado e você, por exemplo, assistir um programa ou ouvir um relato (não importa se verdadeiro ou falso) que se “entre” na história e se imagine passando por aquilo que pode surgir uma fobia.

Por isso, sempre que uma pessoa tem alguma fobia ou transtorno ansioso de qualquer espécie, torna-se fundamental entender o que é e como funciona a ansiedade para começar a sair do seu problema. Aprender a dominar a mente que está contaminada pelo medo e saber como trazer para si o controle é a única saída, fora isso, é estar tendo seus sintomas mascarados por medicamentos. Os medicamentos podem e devem ser utilizados quando a crise surge, até como condição da pessoa ter um mínimo de equilíbrio, para poder entender a psicoterapia. Depois, penso que ela deve querer se livrar das bengalas e voltar a andar com suas próprias pernas.

Nos artigos que escrevi sobre ansiedade, procurei demonstrar seu funcionamento, sendo as fobias um dos galhos dessa árvore. Em crise aguda de ansiedade, que chamados de transtorno de pânico (tema de um futuro artigo), a pessoa experimenta uma fobia quase generalizada, ficando, normalmente, fechada em sua casa, onde a chance de morrer é bem reduzida. Procure nunca esquecer que nosso sistema de defesa procura sobreviver a qualquer preço, mesmo que seja o da qualidade da vida.

Toda a fobia “vive” da atenção que se dá a ela e na verdadeira alucinação que acreditamos. Quem disse que o avião vai cair? Que certeza é essa que o elevador ficará preso e a pessoa morrerá sufocada? Quem disse que naquele show onde estarão muitas pessoas vai haver um corre – corre e se morrerá pisoteado?

Quando a ansiedade “passa do ponto” nosso pensamento fica contaminado pelo medo e daí qualquer coisa serve. Como é difícil da pessoa entender que o medo pode não ser específico, passa a imaginar que tudo pode acontecer de errado. Justamente por isso é que se pode ter uma fobia em relação a algo que sempre fizemos sem problema algum durante toda a vida.

Todos estamos suscetíveis a desenvolvermos um processo fóbico, basta a ansiedade sair do controle. Para que isso não aconteça, precisamos ter descanso, divertimento e saber relaxar. Sem esse “tempero” somos engolidos pelo mundo que vivemos e sua cultura doente, toda baseada no medo e não é a toa que ansiedade seja o mal do século.

Toda a pessoa que tem uma fobia vai desenvolvendo o que se chama de comportamento de esquiva, ou seja, procura fugir da situação, dando desculpas ou tomando caminhos que evitem a situação que sua imaginação dá como certa. Preferir subir muitos andares a utilizar o elevador, longas viagens de ônibus em troca do avião, não sair de casa alegando frio ou calor, etc…

Qual é a hora de procurar ajuda?

Quando perceber que sua qualidade de vida está sendo afetada. Não demore, toda a pessoa que tem sua vida limitada, com o tempo vai se entristecendo e aí sim, a depressão pode chegar. Não é a toa que em mais de 80% dos casos de depressão a ansiedade é um componente relevante.

Se você tem alguma fobia ou conhece alguém que tem, não faça pouco caso. Toda a pessoa que sofre com uma fobia está sempre em estado de alerta, com um medo constante. Estima-se que 11% das pessoas tenham algum tipo de fobia, e a prevalência é maior em mulheres.

A saída é lutar contra a imaginação e buscar diminuir o nível de ansiedade. Fora isso esse fantasma não nos abandona. Os sintomas físicos de medo e pavor quando se imagina o que pode acontecer paralisa a pessoa e depois de um determinado nível, fica-se irracional, como um bicho acuado e aí não tem bom senso que resolva.

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* site http://www.psiqweb.med.br/site/

O TAO

chuva

“Assim que o toque da individuação entra no nascimento, o Ser e a Vida dividem-se em dois. Desde esse momento – se a maior tranquilidade não for atingida -, ser e vida não tornam a encontrar-se.”

LÜ DSU

Para quem já acompanha o blog, percebe que, de vez em quando, coloco uma estória ou metáfora das mais antigas Tradições com o objetivo de ampliar nossa percepção e trazer um entendimento que nos ajude a entender a nós e a natureza, que sempre é a mesma coisa.

Ao mergulhar na profundidade da estória desse artigo, poderá ficar mais claro sobre o que se fundamenta o Taoísmo que, assim como outras fontes, tem muito a nos ensinar. Ela é simples, mas de grande ensinamento:

Houve uma grande seca. Durante meses não caíra uma gota de chuva e a situação tornava-se catastrófica. Os católicos faziam procissões, os protestantes oravam e os chineses queimavam varetas de incenso e disparavam canhões para afugentar os demônios da seca. Finalmente, depois de tudo ser tentado, os chineses disseram: “Buscaremos o fazedor de chuvas”. E apareceu um velhinho magérrimo, vindo de outra província. A única coisa que pediu foi uma casa tranquila onde, depois de andar pela cidade e conversar com as pessoas se trancou durante três dias. No quarto dia, formaram-se nuvens e houve uma grande tempestade de neve, numa época do ano onde a neve era inesperada e em quantidade inusitada. A cidade começou a fervilhar de comentários e, depois dos agradecimentos e homenagens, o prefeito perguntou ao “fazedor de chuvas” como ele havia conseguido provocar tamanho feito. O velho e magro chinês respondeu: – Eu não fiz a neve, não sou o responsável! Então o prefeito perguntou: – Mas o que você fez durante esses três dias? Ao que o chinês respondeu:  – Ah, isso eu posso explicar. Venho de um país distante onde as coisas estão em ordem. Aqui, as coisas estão em desordem; não são como devem, de acordo com a disposição do céu. Por isso, todo o país não está no Tao, e eu também não estou inserido na ordem natural das coisas, porque me encontro num país em desordem. Tive então que esperar três dias, até estar novamente no Tao; então, naturalmente, a chuva caiu…

O taoísmo acompanha em seus fundamentos muito das demais filosofias milenares da China e a que mais gosto é a versão de R. Wilhelm que as estudou profundamente, tanto que fez a melhor leitura do I Ching para o ocidente. Essa obra também se tornou famosa pelos comentários introdutórios de Jung.

O pressuposto inicial dessas filosofias (algumas ganharam o status de religião), é  que tanto o Cosmo como o Homem obedecem as mesmas leis; sendo o Homem um cosmo em miniatura, não estando em separado do macrocosmo por obstáculos que não possam ser retirados por uma percepção e conduta adequadas. São regidos pelas mesmas leis com pontes que os ligam.

Portanto o homem participa por sua natureza de todo o acontecimento cósmico e está sendo afetado por ele interna e externamente. Por aí, imagino, que você já esteja entendo o que essa estória quer nos ensinar. A proposta é refletir sobre ela, oportunamente, escreveremos especificamente sobre o Taoísmo.

Nosso “fazedor de chuva”, ao andar pela cidade e conversar com os moradores entrou em sintonia com ela, com a desordem reinante que, nada mais era, que a desordem interna de seus habitantes. Imagino que você já tenha estado em algum lugar onde uma pessoa chega e consegue rapidamente “contaminar” o ambiente com sua baixa vibração, fazendo com que comecem a surgir discussões sem nenhum propósito e o clima do ambiente vai por água abaixo. De outro ponto é bem possível que você conheça uma versão dos trópicos do nosso herói chinês; aquela pessoa que ao chegar traz equilíbrio e bom senso onde reinava a falta de entendimento.

Nós somos, exteriormente, o resultado do nosso interior e o que nos cerca é resultado disso. Os países, cidades, empresas, etc., nada mais são do que a emanação da soma das mentes das pessoas que os compõe. O mundo que vivemos hoje está em nítida desordem e nem precisa procurar muito para perceber. Desde o clima, passando pela ecologia, desembocando na verdadeira epidemia de ansiedade que vivemos, com um número recorde de doenças autoimunes e números alarmantes de suicídios, está a nos mostrar que saímos do “ponto” de equilíbrio.

O Taoísmo nos mostra com clareza que precisamos nos “encontrar” e trazer o cosmos (ordem) ao caos (desordem) que estamos vivendo. Nossas emoções estão em completa confusão porque o Ego, que deveria ser nada mais do que um bom empregado, com seus medos e crenças condicionadas, assumiu o controle e as empresas individuais (que somos cada um de nós) estão indo a bancarrota porque o Ego não tem capacidade de gerenciar nossa vida.

O “fazedor de chuvas” encontrou a si mesmo em seu recolhimento, entendeu-se porque se sintonizou com se Self (eu superior) e, quando isso acontece, tudo funciona como deve funcionar, nem chuva demais, nem de menos! A saúde de uma pessoa mostra sua ordem interna e os sintomas e as doenças, sua desordem.

Continuamos buscando fora de nós, através da ânsia material o que só pode ser encontrado internamente, e nosso ego (eu) vai entrando em colapso, porque nada que possamos por ventura adquirir, poderá cumprir a função de fazer nosso Ser e a Vida voltarem a se unir como quando nascemos, como ensina o Mestre nas palavras de abertura. Desculpem, mas nunca vou me cansar de repetir isso!

 Essa divisão é natural, já que nossa busca é de encontrar essa reunificação e encontrarmos a “paz sob o céu” é a comunhão da minha vida com meu ser, vivendo quem realmente sou.

Por estarmos todos nesse caos interno, o mundo em que vivemos apenas espelha isso, afinal as leis são as mesmas!

“O Tao (sentido do mundo, Caminho), domina o homem, do mesmo modo que a natureza invisível e visível”. Essas palavras foram ditas há mais de 700 anos. O que ainda falta para percebermos isso ainda mais claramente?

No livro de Long Yen (sutra budista), encontramos o seguinte ensinamento: “Mediante a concentração dos pensamentos podemos voar, mediante a concentração dos apetites, caímos”. Penso ser fácil interpretar, já que a concentração nos pensamentos tem por finalidade diminuir o poder dos condicionamentos sobre minhas decisões, trazendo a clareza de se estar no domínio, facilitando a manifestação do Self, enquanto que os apetites representam os desejos exteriores que inocentemente imaginamos que vão nos trazer o Tao interior.

Quem sabe as pessoas poderão começar a se dar conta de que esse não é o Caminho e possamos dar um fim a esse mundo que vivemos atualmente, que realmente precisa acabar. Estamos vivendo uma seca de lucidez, de cuidado e de amorosidade.

Acredito que se algumas pessoas se colocarem em ordem, assim como a pedra jogada no lago cria ondas a partir do centro, possamos acabar com essa aridez e fazer mudança, do individual para o coletivo. Tudo começa sempre por você; faça “chover” encontrando seu Tao que é seu Caminho e o sentido de sua vida.

 Esse é um milagre possível!

Suicídio

“O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos.”

Vicent Van Gogh

Esse é um tema difícil, muito pouco abordado em minha opinião. O que pode levar alguém a atentar contra sua própria vida?

Evidente que cada pessoa é um universo, mas existem alguns estudos e estatísticas a respeito sobre as quais poderemos refletir. Um ponto inicial, sobre o qual se tem quase uma unanimidade (quase, porque eu não concordo totalmente), é que o suicídio é resultado de uma perturbação psíquica, ou seja, a pessoa não está de posse de sua razão. Será?

Partindo-se do ponto de vista que temos um instinto natural de preservação da vida, essa teoria é válida, mas e se pensarmos sob o ângulo de quem está desesperado, angustiado e não vê saída? Nesse caso, temos a maioria das pessoas que cometem esses atos. Nessa hora é importante entender que todos os estudos sobre o tema*, demonstram que essa é uma decisão trabalhada internamente por longo tempo. É raro o caso de decidir repentinamente tirar a própria vida, é sempre resultado de um processo. E a razão dessa demora é justamente esse conflito entre a percepção da pessoa de sua situação e o instinto de sobreviver, afinal habitamos um corpo que luta para manter-se vivo.

Durante esse conflito, que pode levar meses ou várias semanas, a pessoa normalmente dá muitas pistas aos amigos e familiares, chegando até a dizer explicitamente que pensa na possibilidade. Nessa hora, normalmente, as pessoas próximas não acreditam que isso acontecerá e não atentam aos sinais.

Nesse ponto é fundamental entender que, das pessoas que cometem suicídio (ou tentam), 80% estão atravessando uma crise depressiva. Portanto, para melhor entendimento, recomendo a leitura do artigo anterior chamado “depressão, o grande vazio”. Em minha opinião, o que faz a pessoa optar pelo suicídio na verdade é um fator temporário. A angústia e a tristeza profunda que se experimenta nessas horas trazem a quem está sofrendo a percepção de que isso nunca acabará. E sempre acaba, mais rapidamente ou não, de acordo com os recursos que se busca para o enfrentamento da depressão. Mesmo a medicação, que não promove a cura na sua base, apenas atenua os sintomas, pode trazer uma sensação de melhora em algumas semanas. O problema é que, quem está passado por isso imaginar seus próximos 20 ou 30 anos com esse sofrimento, nesse caso a morte termina sendo mesmo um alívio. Para alguns terapeutas, uma fuga ou mesmo uma transferência da culpa pelos seus problemas para a família, amigos ou sociedade, como um revide ou mensagem ao seu ambiente.

Poderemos ir um pouco mais a fundo e pensarmos, por exemplo, que nos campos de concentração da 2ª guerra, onde as condições eram sub-humanas tanto no aspecto de condições materiais oferecidas como psicológicas, os índices de suicídios eram baixos, assim como nos países mais ricos, onde o próprio estado oferece uma série de comodidades, os índices são altíssimos. Por quê?

A resposta confirma que a questão não é de “ambiente”, mas de conflito interno. Penso que na sua raiz mais profunda, o suicídio esteja intimamente ligado à tensão entre o que realmente somos e queremos viver e aquilo que vivemos no dia a dia. Na percepção da pessoa que jamais conseguirá por em prática seus desejos, suas aspirações que, na sua ideia, lhe faria feliz.

Nossa enfermidade essencial é a dualidade! Isso faz com sempre estejamos entre o “certo” e o “errado” que sempre são conceitos ou normas vinda de fora, impostas pela cultura vigente, que pensa o ser humano como massa de manobra, nunca respeitando a individualidade. A busca da “unidade”, conquista evolutiva final, é o fim desse pensamento antagônico que nos coloca, muitas vezes, diante da seguinte questão: Meu desejo não é “certo”, o que quero para mim, para os outros é “errado”, ou todos se colocariam contra mim, etc.

Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke em seu brilhante livro “A doença como caminho” define essa questão de forma contundente: “Parece-nos muito importante que o homem aprenda a aceitar sua culpa, sem se deixar oprimir pelo peso da mesma. A culpa humana tem natureza metafísica, e não é provocada diretamente pelas ações dos homens….A tentativa de fugir do pecado fazendo o bem nos leva a ser desonestos. …O caminho para atingir a unidade, ao contrário, exige mais do que simplesmente fugir ou olhar para o lado. Exige que nos tornemos mais conscientes da dualidade que existe em todas as coisas, sem ter medo de passar pelos conflitos inerentes a natureza humana. O desafio não é redimirmo-nos dos conflitos, mas permitindo-nos vivências. Portanto, é necessário estar sempre questionando nosso sistema de valores fossilizado, e reconhecer que o segredo do mal está, em última análise, no fato de que ele nem sequer existe.”(pg. 52)

Muito mais do que uma alteração na química cerebral, a depressão que leva a pensar que morrer é uma solução para esse conflito mostra que todo problema está sempre na natureza humana que busca a felicidade e chega à conclusão de que ela não é possível. Quando a pessoa perde a capacidade de acreditar, não há porque continuar. Nem todos, ou quase ninguém, tem as condições de buscar um auxílio que tenha uma visão evolutiva da existência. Nossa medicina é somática apenas, ou seja, trata o corpo como algo completo por si só, esquecendo os fatores evolutivos que afetam as emoções e assim por diante. Como disse certa vez Roberto Crema: “Cuidar somente do corpo não diferencia o médico do veterinário”.

A maioria das pessoas fica abandonada a essa visão estreita, a uma psicologia que não contempla a evolução, buscando somente a adaptação, a uma maneira de viver doente, estudando um ser que não se conhece, quando deveria encaminhá-lo a seu potencial evolutivo, ajudando-o a “tornar-se” o que É, como dizia Nietzsche.

Nas últimas décadas, o número de suicídios tem aumentado em mais de 40% e continua crescendo. A cultura que vivemos fomenta a ansiedade, tornando as pessoas cada vez mais angustiadas pelo medo de não conseguirem atingir o patamar de felicidade vendido pela mídia, representado pela aquisição de bens materiais, de relacionamentos afetivos ou corpos hollywoodianos. Os números mostram que a classe média é a mais atingida, ou seja, depois de já ter conquistado o que se exige a felicidade não está presente. E agora? Alcoolismo, drogas, compulsões e depressão, por consequência, é o caminho natural. Pensar seriamente em morrer chega a ser lógico, afinal, a ideia sobre a qual toda a vida foi estruturada foi descoberta como sendo uma grande mentira.

Sentimo-nos culpados por querer ser quem somos, e se isso não está dentro da “cartilha”, dos mandamentos ou da moda, vem a culpa de se sentir inadequado, não compreendido ou taxado como louco ou doente por não aceitar as normas do rebanho e de seus condutores, mais doentes ou simplesmente mais espertos que suas ovelhas. Essa culpa, que com o tempo vai afetando a química do corpo, já que nosso metabolismo acompanha nossa imaginação e pensamentos.

A depressão, que causa mais de 80% dos suicídios, deveria ser tratada simplesmente pelo conceito de que a pessoa não está no seu “rumo” e que a mudança precisa ser feita. Mas não é assim, ela é medicada, anestesiada no seu sintoma que deveria ser ouvido e compreendido como a necessidade de mudar. Mantê-la assim triste por estar distante de si mesma e sem saída, em minha opinião, é a causa da maior parte dos suicídios, ou você já soube de alguém realizado, contente ou que faz o que gosta que tenha se matado?

Os números mostram que a idade média das pessoas que buscam o suicídio está entre os 15 e 44 anos, ou seja, na busca de identidade da adolescência e a “meia” idade, onde já percebemos que tudo que nos foi vendido e pelo que lutamos a vida toda não trouxe o resultado esperado.

Estima-se que se suicidem, em média, 2000 pessoas por dia no mundo, sendo que todas as estatísticas não contemplam as tentativas frustradas nem os casos considerados “acidente” pelas autoridades. Na verdade, os números são bem maiores! Alguns estudos chegam a citar 1.000.000 (um milhão) de suicídios anuais.

Já se chegou à conclusão de que a mídia deve evitar divulgar casos de suicídios, já que eles podem incentivar quem ainda está em dúvida a buscar essa saída. Os números do mercado farmacêutico de remédios para depressão e ansiedade geram bilhões de dólares anuais, movimentando em muito a indústria da saúde, e isso pode explicar porque se fala tão pouco do assunto e as autoridades não fazem do suicídio um caso de saúde pública. O que se considera aceitável, pelos números da Organização Mundial da Saúde, são 4 suicídios anuais para cada cem mil habitantes.

A saída é evolutiva, via a busca pelo autoconhecimento e a realização pessoal, de vivenciar o que se é, e se para isso precisar enfrentar as dificuldades e obstáculos que o ato de estar vivo traz, que se faça! Mas e a coragem de enfrentar inclusive paradigmas religiosos, que na sua maioria, não aceita que se seja “diferente” ou dessa cultura que trata o ser humano só como uma máquina que produz, onde está?

Não existe e nunca existiu algum caminho que seja ruim ou errado. Tudo é “uno” e a divisão é diabólica. Não pode existir um padrão para pessoas, todas diferentes entre si.

Em Shinjinmei, o mais antigo texto do Zen Budismo, diz o seu versículo 22: “Se restar em nós a mais leve ideia de certo e errado, então nosso espírito se perderá na confusão”.

A busca da paz interior (felicidade) está em averiguar o que, para cada um é certo e respeitar a ética mínima do limite do outro. Cada um no seu caminho, na sua estrada!

Por mais que as religiões façam do suicídio um pecado duramente punido, nem mais isso está impedindo cada vez mais os números de aumentarem. Precisamos mudar a abordagem, a maneira de entender o ser humano ou os números não pararão de crescer.

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*Estudos fartamente disponíveis na internet. Como todos, os estudos estatísticos referem-se à maioria ou a média dos casos. Lembrando que a exceção justifica a regra.