Agenda

A Vida

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A foto do menino correu o mundo. Virou símbolo da tristeza nacional e da dor que Chapecó transmitiu para todo planeta conectado. De Cristiano Ronaldo a Guns’n’Roses mensagens de apoio, com a oração do Papa e estádios e prédios pelo mundo em verde. Dessa vez, não simbolizava esperança.

Morreram jogadores do país do futebol, jornalistas, dirigentes e torcedores que estavam realizando o sonho de viajar com o time para sua disputa mais importante. Era hora de se tornar “grande” e a expectativa era imensa. Todos sentiram a tragédia, mesmo quem tentasse não pensar nela, escondendo-se nos afazeres diários. Há quem diga que existe uma “mente coletiva”, soma dos nossos pensamentos e foi isso que não nos deixou parar de doer. Nos colocamos no lugar dos torcedores que perderam seu time e os ídolos que poderiam se eternizar na conquista. Quem é pai ou mãe, nem se fala. Nos colocamos no lugar dos filhos, e não é difícil lembrar que um dos primeiros medos que temos consciência é de que a morte leve nossos pais, símbolo na nossa estabilidade e segurança, de quem chega em um mundo tão estranho.

Perdemos jogadores e jornalistas que não nos conheciam, mas que nós conhecíamos. Faziam parte da nossa vida com suas jogadas, entrevistas e comentários. Gente que entra na nossa vida pela televisão, celular e tablet, que passa a conviver conosco e que também explicam quem somos, seja por torcer, seja concordar ou não com suas opiniões.  Os mais velhos, derramaram lágrimas mais uma vez e descobriram que a dor é sempre nova. Dá um desânimo quando percebemos que nem a experiência do sofrimento torna a dor menos intensa. Choramos por que continuamos esperando que a vida tenha algum nexo. Quanto mais pensamos, nos damos conta  que as explicações não fecham e que se todos virássemos “estrelas” precisaríamos de mais um ou dois céus.

Não basta se colocar no lugar do outro, como nos mandam os princípios iniciais da ética dos limites e do respeito, mas há quem diga que o que conta é sentirmos o que o outro sente.

Esse menino sentado na arquibancada vazia, está velando sua esperança.

Ainda faz parte de sua vida as histórias onde os super-heróis sempre vencem o mal no último minuto, o “mocinho” conquista a donzela e encontram a felicidade eterna ou quando a justiça pune o malvado para mostrar que nesse mundo o bem sempre vence e o mal não prospera.

Imagino que ele esteja procurando colocar o que aconteceu com seus heróis de chuteiras nesse mundo que lhe venderam desde que nasceu, onde todos têm um anjo da guarda, penúltimo recurso diante das adversidades que têm por função nos salvar. Quando ele ainda não dá conta, sempre tem Deus, Pai Maior, que cuida e vigia a todos nós em nossos pensamentos e ações que, com certeza, luta o tempo todo contra as maldades e injustiças que podem nos vitimar.

O que nos choca é tentarmos colocar isso dentro dessa “lógica” de dois mil anos e fica faltando o mais importante; o por que?

As “linhas tortas”, parece, não chegam a lugar algum mas podem ser, quem sabe, uma consolação que não se entende nem tem muita lógica. Mas o que tem?

Esse é então, nos asseguram os contadores de histórias, o mundo do bem. Aqui ser correto abre todos os caminhos e agradecer todo dia por tanta proteção é a última das obrigações antes de dormir, assim como abençoar a comida que compramos, mas que nem é mérito nosso, parece.

O que falta nos países miseráveis onde milhares morrem de fome diariamente é o agradecimento, a oração ou anjos. Só pode!

Mais tarde nos damos conta que Papai Noel não existe (é apenas uma licença poética) e o professor de biologia nos dará a triste notícia que os coelhos não botam ovos. Vamos crescendo e percebendo que o mundo de verdade é que cria o mundo perfeito dos cinemas e das histórias, para fazer um contraponto. Quando os adultos choram nos filmes românticos, só pode ser por descobrirem que o amor de gente de verdade é bem mais difícil e pode acabar sem um final feliz.

Precisamos de um mundo idealizado para suportar a crueza da realidade.

Amadurecer é tomar consciência de uma fragilidade inescapável. Podemos morrer, pessoas que gostamos também e se vê na televisão que uma chuva ou vento destrói casas como a nossa. Nada há que possamos fazer para evitar e a insegurança cria as diversões e paixões da vida, momentos em que esquecemos que tudo pode mudar em um minuto.

Esquecer é, muitas vezes, a condição da alegria. E a felicidade só dura pouco, como diz a sabedoria popular, porque nos lembramos.

Mas isso tudo vai acontecendo, uma descoberta de cada vez e vamos nos acostumando, perdendo as ilusões e a graça em conta gotas.

Esse menino, perdeu tudo de uma só vez.

O cavalo e a carroça

“A felicidade é inacreditável. Parece que o homem não pode ser feliz. Se você fala da sua depressão, tristeza, amargura, todo mundo acredita, parece natural. Se você fala da sua felicidade ninguém acredita, parece antinatural”.

                                                                      Osho – O Homem que amava as gaivotas

A religião é comparável a uma neurose da infância”.

                                                                     Freud

“ Conhecimento sempre nos expulsa de algum paraíso”.

                                                                     Melaine Klein

                                                                                                                                                                                         carroça e bois

Freud é considerado o pai da psicologia moderna, note que falei “moderna”. A psicologia existe desde que alguém teve um pensamento. Evoluiu quando esse pensamento foi compartilhado. Portando, a psicologia existe a milhões de anos. Você pode argumentar que a ciência fala de 30 ou 40 mil anos do Homo sapiens, mas alguns estudos de paleoantropologia (sim, isso existe) datam artefatos descobertos que exigiram inteligência para serem feitos há, pelo menos, dois milhões de anos.

Antes de Freud a filosofia acumulou a função de psicologia nas reflexões dos gregos de 600 anos AC ou dos textos védicos, muito mais antigos ainda. Essa pequena introdução serve para dizer que o homem pensa sobre si e a vida faz tempo, e pelo visto ainda sem um resultado concreto.

O que está faltando ou estamos fazendo de forma errada?

Vivemos em um mundo tecnológico, praticamente sem fronteiras físicas e o que vemos é a humanidade cada vez mais angustiada e doente.

 Depois de mais de quarenta anos de pesquisa, Freud chegou à conclusão de que o homem não consegue ou não seria da sua natureza a felicidade. Chegou a dizer que: “A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas”.

Nosso medo da morte pela sua falta de sentido e de uma explicação que nos conforte, criou as religiões. Desde daí, passamos a aceitar o sofrimento como algo inerente a vida e que a felicidade é uma utopia, ou feita de raros momentos, que “duram pouco” como diz a cultura popular. Já o sofrimento pode ser diário e é encarado como fazendo parte da vida.

Incrivelmente, muitas pessoas tem até vergonha de dizer que estão bem ou felizes. Parece que é um “peixe fora d’água”, e traz até constrangimento diante de tanta infelicidade e sofrimento por todos os lados.

Ninguém que está feliz precisa de uma religião, ou sente a necessidade de buscar algum deus, apesar de sempre dizer que seu estado positivo é “graças a Deus”. Pensando assim, a única coisa que podemos conseguir por nosso próprio esforço é estar mal, o bem vem de uma graça ou dádiva divina.

As religiões que conhecemos vivem dos nossos medos e angústias, principalmente no ocidente. Uma criança, que vive plenamente não precisa acreditar em deus ou em algum anjo da guarda de plantão e vê-las correndo e brincando nas igrejas nos deveria fazer pensar. Pedimos para que elas se calem, falem baixo ou se comportem diante da introspecção e melancolia que se respira dentro de um templo. Igrejas são feitas para ritos de pecados, culpas, dores e muita tristeza.

A tristeza precisa de um templo, a felicidade faz da vida como um todo seu templo. Você já viu alguém feliz entrar em uma igreja e ficar orando, pedindo um milagre ou intervenção divina?

Enquanto continuarmos ignorantes em relação a nós mesmos e nossas possibilidades, viveremos como crianças, pedindo proteção aqui e ali nesse grande supermercado que virou a fé hoje em dia. Aliás, a fé possível é a que cada um carrega em si, acreditando e confiando nas suas capacidades de realizar seus sonhos apesar das dificuldades. Pedimos o que já temos, afinal somos humanos e deveríamos ser mais conscientes de como somos, funcionamos e, portanto, entendendo de onde vem nossas limitações e dos potenciais criativos que dispomos, naturalmente.

Se pararmos para refletir, veremos que os momentos de felicidade que experimentamos, ou de uma gostosa gargalhada que relaxa todo corpo tem em si apenas uma coisa em comum: o não pensamento!

Pensar é angustiar-se com as perspectivas de um futuro sombrio ou de lembranças de um passado de sofrimento. Não conseguimos lembrar de bons momentos e trazer de volta a alegria, mas das tristezas que passamos, choramos novamente e a dor é como se estivesse acontecendo agora. Isso é a mente funcionando e a falta de autoconhecimento faz pensar que só somos nossa mente. Qualquer libertação parte do pressuposto da percepção que se está preso.

O homem é o único animal que pensa e isso deveria nos fazer o único ser desse planeta a ser plenamente feliz, pois temos a possibilidade de termos consciência do fenômeno da vida e de apreciá-la. Mas ficamos somente com a parte do pensamento que é automática, negativa. Ser automático não tem a ver com inteligência, mas o contrário.

 Estar consciente é um esforço que nos afasta do lado sombrio e pode nos fazer sentir a felicidade, que só é possível se dissociando ou se afastando da nossa parte animal, que busca apenas sobreviver. Nos preocupamos em saber de onde viemos, o que acontecerá depois da morte, se temos algum “carma” de vidas passadas a cumprir, se quando fomos concebidos nossos pais se amavam ou estavam brigando e algumas outras bobagens que nos mantêm em constante tensão.

Quem está consciente no “aqui e agora” não tem nenhum carma para pagar e sai dessa roda de inconsciência, onde um sofrimento leva a outro como a sombra segue o corpo. Não há futuro, afinal nada sabemos sobre o que virá, já que a vida é constante movimento e imprevisibilidade. Passado também não existe, já que mudamos e nunca realmente passamos pelo  que a pessoa que já fomos  fez.  Até nossa memória, já está comprovado pela ciência, é composta de coisas que imaginamos, muito mais do que realmente aconteceu. Só pode mesmo ser assim, afinal, como disse anteriormente, não fomos nós.

Portanto, me permitam a ousadia, quero dizer que não existe “carma”, já que não é a mesma pessoa que cometeu algum ato no passado. São conceitos que sustentam religiões, muitas que se acobertam com o nome de filosofia, que nos mantêm eternamente culpados e com medo da punição divina de algum deus que nem se sabe se existe. Isso sem falar que pode alguma entidade estar perseguindo-o por algo que, uma pessoa que você hipoteticamente foi e nem lembra, ter cometido algum ato bárbaro na idade média. Por favor!

Todas essas crenças são possibilidades e existem tantas que deveríamos, pelo menos, usando a razão, duvidar de todas. Enquanto isso deixamos a vida real se esvair enquanto “viajamos” o tempo todo nas nossas preocupações.

Temos um potencial de felicidade inesgotável, mas nosso subconsciente foi programado por pessoas que também foram vítimas dessas bobagens e não há tecnologia que nos salve desse desconforto existencial. Isso sem falar na cultura, que inclui o senso comum e as religiões que só faz nos sentirmos em dívida. Ouço pessoas que me perguntam se o mal que lhes está acometendo tem a ver com alguma punição divina ou cármica por eventuais erros do passado. Isso não existe! Se existisse, seríamos marionetes e o livre arbítrio não teria nenhuma razão.

As melhores crenças que conheço (e respeito todas), são aquelas que conseguem resistir a, pelo menos, cinco minutos de análise racional.

Quem está consciente de si e se compreende de forma ampla já pagou os seus “pecados”. O maior sofrimento é a inconsciência e estar vivendo sob condicionamentos e medos que foram passados por pessoas também inconscientes. Devemos avaliar se quem nos educou ou ensinou é alguém que atingiu um bom patamar de desenvolvimento. Se não foi, desconsidere e esqueça tudo!

Só podemos ensinar o que sabemos e vivenciamos. Quem leva uma vida de tristeza e sofrimento só pode ensinar isso, mais nada. Não posso ensinar raiz quadrada se nem somar direito sei. Isso vale para tudo. Fico pensando no valor de algum conselho sobre relacionamentos, por exemplo, de quem nunca teve um ou conviveu com alguém tempo suficiente para saber, pelo menos um pouco do que está falando.

Estar consciente é a única forma de atingirmos essa felicidade, afinal só assim temos escolha, que até pode ser de sentir-me mal. Na inconsciência só a infelicidade é possível, já que a mente nunca nos presenteará com algum bom pensamento e existem muitos textos nesse blog falando e explicando isso.

Muitas pessoas procuram a meditação, por exemplo. Isso só acontece por estarem infelizes e procurando um remédio não farmacológico para seu problema. Osho diz que meditação e medicina tem a mesma raiz e isso é muito interessante. A meditação é, de certa forma, um remédio que se busca para uma mente agitada que já está trazendo doenças para o corpo.

Não é necessário meditar quando estamos bem, pois estar bem requer consciência e é isso que a meditação busca trazer. Estar em paz com você e com a vida, com toda sua loucura, já o torna alguém meditativo, não precisa fazer mais nada, apenas viver e isso inclui tudo: trabalho, aprendizados novos e das experiências que tivemos e até pensar no futuro como uma possibilidade, afinal, quem sabe? Mas ficar tenso ou sofrendo quando nada realmente está acontecendo nos coloca abaixo de onde deveríamos estar na hierarquia desse planeta pouco importante e até mesmo no nosso discreto sistema solar.

Muitos comentam que não sabem o que querem fazer nas suas vidas, que nunca se encontraram. O motivo é simples: estão vivendo a vida e fazendo as escolhas que lhe mandaram fazer, nunca as suas. Fazer as próprias escolhas é ser desobediente às vezes, é fazer o que se quer, sendo o que se é. Se somos cópias, como descobriremos quem somos? E o pior; na maioria das vezes, cópia de pessoas infelizes.

Não existe nenhum paraíso ou inferno para ir, afinal a vida é aqui e não em algum outro lugar. Estamos querendo garantir uma próxima vida ou um lugar em algum paraíso e abrimos mão de viver o que temos hoje. Isso supera qualquer tipo de insanidade.

Pode ser que não haja outra vida. E se não houver ou for de outro jeito que ninguém descobriu ainda? Essas respostas nada mais são que crenças que visam trazer algum sentido o nos dar alguma perspectiva, mas isso ninguém pode afirmar.

Quem está apostando no futuro para viver melhor,  em outra encarnação ou viver em alguma nuvem tocando harpa está esperando, evolutivamente, que uma carroça colocada na frente de um cavalo vá sair do lugar.

Se for, é só para ir para trás.

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Para saber mais:

O Homem que amava as gaivotas – Osho ed. Versus

A história secreta da raça humana – Thompson, Richard L, Cremo Michael – ed. Aleph

O Futuro de uma Ilusão – Freud S. –  ed. L&PM pocket

A chance de sobreviver

            “É estupidez pedir aos deuses o que se pode conseguir sozinho.”

                                                         Epicuro – Filósofo Grego

                                                                                                                                                                reencarnacao (1)

E se a teoria da reencarnação que tanto nos consola não for bem como pensamos?

Vivemos no maior país católico do mundo e mais da metade dos que se dizem cristãos frequentam religiões (algumas abrigadas com o nome de filosofias) que dizem que nasceremos de novo. Essa incoerência só pode ser explicada pela nossa busca de saídas fáceis. De um lado o condicionamento cultural, de outro a esperança de uma nova oportunidade para ser feliz, finalmente!

E se existir uma terceira possibilidade entre as religiões orientais e ocidentais? As primeiras defendendo vidas seguidas e a segunda com apenas uma existência, onde depois da morte rumaremos para “outra” casa.

Penso que o ser humano não é algo definível, conforme já escrevi em artigos anteriores. De um lado nossa biologia Darwiniana, muito fácil de ser constada pelos nossos instintos e de outro nosso potencial para o divino, que também vemos diariamente em ações solidárias e fraternas por todos os lados. Vivemos essa constante oscilação entre um e outro, e nosso potencial está mesmo em desenvolvermos uma consciência, conforme escrevi no texto “O terceiro fator”. O despertar dessa consciência, isso sim nos definiria enquanto humanos, um ser entre o animal e o divino, com uma vida própria, no sentido do contexto e identidade evolutiva.

Se esse corpo biológico precisa de uma mente que o faça ter medo e preocupações para garantir que sobreviva o maior tempo possível, também necessita do “espírito”, ou seja, um impulso para o novo, desconhecido, onde realmente podemos evoluir, já que no conhecido não se aprende mais nada.

Essa fricção entre o medo o e impulso é o que leva o ser humano a avançar ou permanecer estagnado em suas crenças e condicionamentos limitantes, outro nome para a palavra “medo”. Como já disse, nossa parte espiritual não está muito preocupada com as coisas desse mundo e se só a ouvirmos os problemas serão tão grandes quanto as alegrias, fora o risco que esses lampejos de liberdade impensada podem nos trazer. Os dois são impulsos, não fazendo parte da individualidade, como equipamentos de um carro fabricado em série, ou seja, mente e espírito são itens de série, sem vida própria, ambos finalizando junto com o corpo no momento da morte.

O desenvolvimento da consciência, que media e une essa dualidade em uma trindade só pode ser dada por dois caminhos; o primeiro é saber que ela existe em potencial e que pode ser desenvolvida. E o segundo, é a determinação, somada aos esforços corretos para obtê-la. Esse “querer” nada mais é do que  outra definição para a palavra “vontade”, que em última análise é o que nos move a enfrentar o medo, matéria prima da mente.

Essa consciência, se for desenvolvida, adquirindo portanto uma identidade, poderá sim, reencarnar. Não é nossa parte espiritual que passaria a ocupar outros corpos no futuro, mas nossa consciência, essa sim uma identidade conquistada pelo mérito de pôr o saber em prática, como uma forma de viver e entender a existência. O espírito nada mais é que um impulso, necessário para fazer oposição à mente puramente animal. Mente e espírito são claramente antagônicos, conforme citei acima, não sendo, portanto, a verdade.

Dentro dessa abordagem, a reencarnação só seria possível se essa consciência for desenvolvida, caso contrário, no momento da morte nada se desprenderia, como uma semente, que por nunca ter germinado, não chegou a nascer no sentido evolutivo.

Como na natureza nada se perde, essa essência retornaria à sua origem, um potencial de vida, sem forma, sem nada! De onde veio esse potencial que não tenha frutificado, para lá voltaria, mas sem uma identidade, já que o potencial de consciência não se oportunizou e a identidade não foi atingida.

É muito cômodo e pouco lógico que todos, independentes ou não de esforço, evoluam em direção ao divino. Em um universo onde o movimento e a impermanência são a verdadeira Lei, como entender a estagnação? Essa recusa precisa de um preço ou reação.

Sei que você, caro leitor(a), poderá perguntar como que as pessoas que moram em lugares miseráveis, tanto materialmente como socialmente e encaixariam nessa ideia? Minha resposta é que mesmo nesses lugares, e a história está repleta de exemplos,  há muitas pessoas que avançam consciencialmente. Sempre com muito esforço, remando contra uma maré muito mais forte que a dos outros lugares privilegiados. Na verdade é mais fácil de desenvolver ali, onde o sofrimento é epidérmico e a busca por compreende-lo, dar-lhe um sentido é quase uma necessidade.

Já, quem tem melhores condições, sofre justamente por uma fácil acomodação e uma crença em um deus “papai” que nunca vai deixar nada acontecer a seu filho, aquela eterna criança. Mas mesmo o conforto não impediu Sidarta de se tornar um Buda nem Francisco de Assis de atingir a santidade e poderia trazer outros exemplos.

Assim, de um jeito ou de outro, sempre sofremos com uma força contrária, que nos empurra para a estagnação (medo), nos desafiando a buscar o outro lado e, finalmente, encontrar o meio termo, esse sim a Verdade, por incluir os opostos.

Conta a história que quando Sidarta Gautama chegou à iluminação, disse ter se lembrado das suas últimas mil vidas, ou seja, depois de ter despertado essa consciência (terceiro fator), esse foi o tempo que precisou para encerrar sua jornada reencarnatória. Da mesma forma poderíamos falar de Cristo, por que não?

Como diz Osho em “Destino, Liberdade e Alma”, o que sabemos de Jesus foi sua última encarnação. Assim como Sidarta, ele deve ter vivido muitas vidas antes do seu clímax. Sei que para os cristãos, Jesus só nasceu essa vez e voltará. Mas se você gosta da ideia da reencarnação, na medida em que vidas seguidas nos levam à evolução, a ideia de Jesus ter vivido vidas anteriores deveria ser óbvia e fazer todo sentido.

O que constato é que mais de dois mil anos se passaram e esse retorno esperado não aconteceu. O planeta está morrendo pela exploração desenfreada e inconsciente de uma humanidade  ainda primária no aspecto evolutivo, como também comentei no texto “Verdadeiramente órfãos”, e Ele ainda não apareceu.

Não virá, por não estar mais ligado a essa etapa evolutiva. Ele se “salvou”, tentou salvar a todos como fizeram outros grandes Mestres da história, sem sucesso. Não há salvação fora da consciência, mesmo que ela esteja estampada na frente da pessoa, ela não poderá reconhecer. Como ela poderá ver algo que não tenha em si?

Vejo o processo como individual, precisamos desse “despertar” para que através do pensamento racional, de uma observação atenta à realidade e práticas pessoais se busque uma nova abordagem que não seja a dos dois impulsos que conhecemos. Estar em um extremos é estar com apenas meia percepção.

Quando se diz que Deus está dentro de cada um, vejo como esse potencial que precisamos  buscar de uma consciência mais desenvolvida que nos faz operar o maior dos milagres;  mudar a realidade  que cada um experiencia sua existência. O mundo nunca muda, só o que pode ser alterado é nossa relação com ele e isso só vem se morrermos para inconsciência e ressuscitarmos mais lúcidos, no “caminho do meio”.

Nossa reencarnação pode não ser garantida, para muito menos o paraíso. Podemos, porque não, abrir o leque de possibilidades para algo que nos motive a ir adiante. Do jeito que pensamos como cristãos ou reencarnacionistas de um jeito ou de outro tudo se resolverá um dia, seja vivendo infinitamente, seja indo morar no “céu”. Esse pensamento acomodado carece de lógica e é no fim das contas muito cômodo.

Como tudo são teorias e sempre serão, fique com mais essa. Nesse primeiro post de 2016 porque não começar o ano pensando diferente?

Sei que ela tem um problema, um desconforto que nos responsabiliza diante da evolução.

Mas vai que essa seja mesmo a certa?

O reencontro

Crônica publicada no Folha SC em 05 de Janeiro de 2016.

O cinema estava lotado. Eram os antigos e os novos participantes da saga Star Wars, que depois de alguns anos voltou com alguns dos heróis dos primeiros episódios que datam do começo dos anos 80.

 Ouviram-se murmúrios quando Han Solo entrou em cena, eram os pais contando para seus filhos que Harrison Ford estava no episódio lá detrás e que o tempo passa para todos. Da mesma forma, a  princesa mostrou que lá nas galáxias distantes, apesar de muita tecnologia,  as mulheres envelhecem e não tem mesmo jeito.

No mais é a boa e velha luta do bem contra o mal, mas isso não importa. O legal era nos reencontrarmos como quando éramos há décadas e o filme soube explorar isso muito bem. Já no começo as letras que situam os mais novos sobre toda história, afinal os antigos nunca esqueceram, começam a correr pela tela como nos velhos tempos e isso trouxe a sensação que estávamos em casa.

As naves, como se esperava, eram grandiosas e as lutas no espaço eram com as mesmas pequenas e ágeis dos episódios antigos, com pilotos heroicos e imortais. Só morrem os desconhecidos e imagino que os que assistiram em 3D aproveitaram cada tiro e explosão.

Nossa heroína se mostra mais homem e corajosa do que os protagonistas que servem de escada para sua astúcia e inteligência. O primeiro episódio da nova série em tempos de igualdade e fim de preconceitos deixa em aberto seu romance com um sub-herói negro e penso que a reação do público (afinal isso é um negócio), deverá decidir se vai ser namoro ou amizade.

Tudo que deu certo nos episódios anteriores foi preservado e talvez o maior mérito do diretor tenha sido de não abusar da tecnologia.  Parece que tudo foi gravado nos anos 80 e só os personagens antigos envelheceram. Como não poderia deixar de ser, o famoso bar com figuras estranhas e uma banda muito engraçada fazendo o fundo musical não poderia faltar. Talvez ninguém tenha pensado nisso, mas as cenas desse bar, onde habitantes de todas as galáxias se encontram para um happy hour, tenha sido o primeiro manifesto a favor da diversidade no cinema.

As espadas luminosas são as mesmas e a novidade é que o mal agora usa uma luz vermelha e o novo Darth Vader oscila entre o bem o mal com pinta de galã, mas perde em convencimento se comparado ao original, mais elegantemente cruel.

As críticas oscilaram do “cansativo” ao “adorei”, mostrando a clara diferença entre os antigos que encontraram exatamente o que queriam e os outros, que só foram assistir  a um filme como qualquer outro e nesse caso não tem como chegar a um acordo.

Imagino que, quem não tenha uma ligação afetiva com a história não deve ter achado nada demais, afinal temos filmes de dez anos atrás com mais efeitos especiais, mas isso só faz sentido para quem estava no cinema nos anos 80.  Um casal sentado uma ou duas poltronas ao lado, ficou falando das lembranças de quando assistiram os episódios na época do começo do namoro. Para eles se a história é boa ou não, está longe de ser o mais importante.

Para os jovens que não entraram no clima, posso assegurar que um dia os vampiros da saga Crepúsculo aparecerão com seus netos lobinhos e com certeza, arrancarão os mesmo momentos de nostalgia.  Mas para isso, precisa ser cinquentão e ter um passado para lembrar.

O setor do entretenimento já percebeu esse filão faz tempo e quantos remakes já tivemos? Os “lá de trás” já tem sua vida feita e não vão se preocupar em pagar o que for para reviver emoções e pensamentos que a vida já os fez esquecer. Basta ver as grandes bandas que nunca conseguem se aposentar, pois seus fãs simplesmente não deixam, lotando seus shows e usando camisetas pretas desbotadas ou de um tamanho bem menor que a barriguinha que a prosperidade trouxe consegue esconder.

Claro que tem muita coisa legal hoje em dia, mas para nós ninguém vai se comparar aos Rolling Stones, AC/DC, Pink Floyd, Led Zepellin e tantos outros. Os músicos já estão na casa dos setenta, que somado a “vida louca” os fazem quase verdadeiras aparições. Mas o que importa é que seja nos filmes ou na guitarra de quem teve uma cabeleira e hoje usa mega hair para não decepcionar os fãs, a grande viagem é podermos nos sentir jovens com a vida toda pela frente novamente.

Se você está na casa dos 20 a 30 anos, um dia vai me entender, é questão de tempo.

Mas a vida segue e os bons sempre voltam. Já soube que em janeiro volta o inigualável “Arquivo X”, e seja como for, não estou muito preocupado se a “verdade” virá à tona. O que quero é ver a cara de tédio do agente Mulder e o charme misterioso da Scully.

Já estou na expectativa!

Verdadeiramente órfãos

“Ser agnóstico é como enfim tirar a venda, mas descobrir-se cego.”

                                                                                 Rodrigo Quito

Ograndepensador

Essa foi uma daquelas notícias que ninguém dá importância:

“O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que até 2030 quase metade da população global terá problema de abastecimento. Isso vai acontecer porque, daqui a 17 anos, a demanda por água vai superar a oferta em mais de 40%.”*

Poderia citar tantas outras sobre outros tipos de esgotamento do planeta, mas vou deixar apenas essa, já serve para nossa reflexão.

Em outros artigos desse blog já  falei que a ideia que temos de Deus, como sendo um “pai” ou uma figura quase humana nos mantêm infantis por toda uma vida, já que no nosso inconsciente (estou sendo otimista), temos a ideia de um Deus que está cuidando de nós; aquela história de crianças que não sabem o que fazem. Como tudo que é dito mil vezes…

Assim, vivemos achando que se algo bom acontece é “graças a Deus”, e se for sofrimento “Deus sabe o que faz”, ou a ótima: “cada um carrega uma cruz que suporta o peso”.

Interessante observar que isso nos coloca sempre na condição de uma vítima, sem autonomia, ou seja, sempre terá quem me cuide, seja Deus ou um Anjo da Guarda qualquer designado para esse fim. De forma coletiva pensamos da mesma forma, e isso pode estar por trás do nosso descaso ou falta de consciência ecológica.

Esse alerta da ONU é baseado em dados científicos e existem outros estudos que mostram que até 2040, mais da metade da população mundial poderá morrer por problemas ligados a exaustão do planeta. Esses dados não são ficção científica, estamos falando daqui a 25 anos e, se não fosse pela destruição, provavelmente todos nós poderíamos estar vivos nessa data.

Cabe lembrar que o ser humano não faz parte da cadeia alimentar. Alguns dizem que estamos no topo, mas na verdade somos a única espécie que, se deixasse de existir, garantiria que esse pequeno planeta azul duraria  muito mais. Somos desnecessários aqui e deve ser por isso que só fazemos mal.

Existe um equilíbrio na natureza que o Homem insiste por ignorância e ganância, que no fim é a mesma coisa, afetar com sua conduta destrutiva. Nenhuma espécie destrói seu habitat, só mesmo o humano.

O sonho do mundo é viver uma vida de consumo, como os EUA,  por exemplo. Só que  se isso ocorrer fará com que precisemos de outros planetas iguais ao nosso só para dar conta da demanda dos recursos necessários para gerar energia e matéria prima para produzir tudo que queremos comprar.

Fico pensando se tudo isso não está acontecendo por termos a ideia de que nenhuma tragédia acontecerá, que nada se esgotará porque “Papai do Céu” está cuidando e certamente intervirá de alguma forma para que seus filhos não morram pelas suas burradas. Vai que Deus é um daqueles pais que não colocou o filho no mundo para sofrer.

Penso que não seja.

A história da humanidade está repleta de erros que custaram milhões de vidas e não percebi nenhuma intervenção divina. E se o conceito que temos de Deus enquanto humanidade estiver errado? Afinal foram pessoas como eu e você, algumas que hoje em dia certamente estariam acompanhadas por um psiquiatra, inventoras dessa ideia de um pai protetor, que nos cuida como crianças, a quem pedimos ajuda para atender aquilo que não nos sentimos capazes de conseguir ou para termos a desculpa para os erros crassos em nome do desenvolvimento e da felicidade geral.

Estamos destruindo o planeta e não teremos ajuda “externa”, pois se ela existisse teria evitado muitas das bobagens que já fizemos, como duas guerras mundiais e tantas outras no decorrer da história, para dizer o mínimo.

Qualquer ecologista principiante sabe que não existe crescimento sustentável, isso é uma mentira. Todo o crescimento ou destruição não pode ser recomposto. Da atmosfera aos lençóis freáticos, estamos matando esse organismo vivo que é o planeta Terra e morreremos juntos, esperando uma redenção. Temos prognósticos nada animadores sobre doenças que estão por vir, justamente pelo desequilíbrio que estamos produzindo em larga escala.

Então, estive pensando e cheguei a uma conclusão que uma das saídas filosóficas para o problema seria mudar o conceito de Deus. Já que ninguém pode discutir crenças, lá vai mais uma:

E se Deus apenas seja um impulso de vida e que depois estamos cada um por nossa conta? A isso damos o nome de “livre arbítrio”. Seja individualmente, seja coletivamente, estamos fazendo coisas para atender nossos desejos de riqueza e poder,  gerando resultados que teremos que assumir. Se a lei do Carma existir, estamos ferrados!

Dessa forma, talvez a solução possa ser nos tornarmos todos Agnósticos**.

Sei que isso faria com que as Igrejas de todos os tipos perdessem finalidade e muita gente teria que arrumar outro programa para os domingos pela manhã. Alguns canais de televisão perderiam parte ou toda sua programação, além é claro de muita gente, mais muita mesmo teria que fazer outra coisa para sobreviver.

O agnosticismo é a visão que mais tem crescido ultimamente no mundo, principalmente nos países mais desenvolvidos onde o nível cultural é o mais elevado. Obviamente, isso não é uma coincidência; afinal quanto mais se estuda, mais se consegue pensar com alguma lucidez e observar que algumas histórias de ninar fazem parte do mundo da fantasia.

Reconhecer que a natureza como um todo  é movida por uma “inteligência “ superior e que a vida é algo tão magnifico que não poderia ser causada por nenhum acidente, é um conceito religioso em si mesmo. Mas saber que isso possa ser tão grandioso que não possamos entender é muito justo pela nossa insignificância. Vivemos em um planetinha minúsculo em uma galáxia pequena diante de milhões de outras em um Universo sem fim. É como querer que uma ameba entendesse  os textos de Kant.

Sei que isso nos deixaria desamparados em um primeiro momento, afinal estamos acostumados à ideia de sermos cuidados, mas em seguida começaremos a assumir nossa responsabilidade de forma totalmente diferente. Viraríamos adultos e rápido.

Isso poderia trazer uma nova visão ecológica, bem mais fatalista, já que tomaríamos consciência de que somos responsáveis e estamos caminhando para a autodestruição. Toda e qualquer prática que levasse ao esgotamento dos recursos seria rechaçada de pronto e teríamos um lugar para viver por mais tempo. Mas a condição é assumirmos que estamos por nossa conta, sem ajuda.

Tenho um filho de 5 anos e saber que ele poderá morrer jovem por falta de água e ar para respirar atesta que somos um fracasso enquanto humanidade. Muito da falta de consciência vem não só da ignorância, mas da ideia que nada nos acontecerá, que estamos protegidos por sermos a “imagem e semelhança” do criador.

Tudo que existe é assim, de certa forma entregue ao acaso e a grande maioria das espécies que já habitaram esse mundo desapareceram. As poucas que podem ser consideradas antigas não sobreviveram por serem fortes ou qualquer qualidade superior, mas pela sua capacidade de adaptação. Isso é uma forma de inteligência que precisamos aprender com os lagartos, tartarugas e moluscos. Se eles estão aqui há muito mais tempo do que nós, é por possuírem um tipo de inteligência que nos falta. É uma questão de lógica,  é só observarmos os fatos e não há como negar.

Nosso problema, como diz sabiamente o filósofo Mario Sérgio Cortella ***, é nos acharmos “grande coisa”, de estarmos acima das consequências da destruição que promovemos.

Esse tipo de pensamento tem fundo religioso, de nos acharmos quase deuses, quando na verdade somos só um pouco melhores do que os macacos, com bem nos mostrou e provou Darwin.

Assumir nossa ignorância mais essencial, que nada sabemos sobre esse Criador, levar em conta que tudo pode ser totalmente diferente do que esperamos confortavelmente, possa ser a alternativa mais rápida para não nos destruirmos.

Não somos crianças que não sabem o que fazem, somos autores e responsáveis por cada ato e nisso não há quem possa nos perdoar.

Quando o Papa Bento XVI esteve visitando os campos de concentração de Auschwitz saiu de lá abalado e perguntou em voz alta: Deus onde você estava que deixou isso acontecer? Via-se no seu rosto que ele estava em dúvida na sua ideia de Deus e teve seu momento agnóstico.

Essa Força criadora estava no lugar de sempre, aquele que não tenho noção de onde seja e que pode ser em todos os lugares, para o que entendemos por bem e mal. E não fez nada, porque mesmo que Ele exista, não é da conta dele. Só mesmo estando cego por alguma crença para não perceber. Observe a história e me diga que se o meteoro que dizimou os dinossauros, as pestes e nossa ganância que matou milhões e continua matando tem sido impedida por alguém.

Sinceramente, você acha mesmo que tem alguém cuidando do seu ou do nosso destino?

                                 homem com ursinho de pelúcia

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*http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2013/03/22/quase-metade-do-mundo-pode-ficar-sem-agua-ate-2030-alerta-onu.htm

**Agnosticismo – doutrina que reputa inacessível ou incognoscível ao entendimento humano a compreensão dos problemas propostos pela metafísica ou religião (a existência de Deus, o sentido da vida e do universo etc.), na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica.

*** Palestra disponível em:

Imagem de Amostra do You Tube

Sobre a questão da história do planeta e dos seres mais adaptados sugiro a leitura do livro: “Uma breve história de quase tudo” de Bill Bryson editado pela Companhia das Letras.