Os Quatro Pilares da Realização

“Não acredite em mim, não acredite no seu pai, não acredite no seu mestre, não acredite no seu professor! Não acredite em ninguém, somente em aquilo que você experimentou e que, portanto, seja verdade para você!”

Buda

Vivemos em uma época em que a informação está disponível de forma rápida e muito barata. Quem tem acesso à internet dispõe de uma quantidade praticamente ilimitada de saberes de todos os campos de conhecimento e os livros nunca foram tão acessíveis como hoje. Além disso, todo o ser humano sempre tira um tempo, normalmente nas horas mais difíceis, para pensar sobre si, o que quer, deseja e seus caminhos para atingir seus objetivos.

Todo esse preâmbulo é para chegarmos a uma pergunta que se impõe: se sabemos o que precisamos fazer para estarmos melhor (sempre sabemos), porque não fazemos?

Como já escrevemos em vários artigos anteriores todas as nossas mudanças passam pelo enfrentamento da dúvida de: se conseguiremos o objetivo a que nos propomos e se esse novo caminho nos levará a resultados melhores.

Os antigos diziam que a Realização passava por quatro etapas, a saber: querer, saber, ousadia e silêncio.

Querer, todo mundo quer! Seja em que ramo da vida for, sempre estamos querendo (desejando) alguma coisa. Sempre temos na cabeça o que estamos querendo, ou seja, até aqui tudo bem.

Saber, já exige um pouco mais. Nem todo mundo consegue saber conscientemente as razões mais profundas dos seus desejos. Normalmente não se chega a isso sem uma reflexão realmente profunda. Nossos motivos, via de regra, são mais superficiais, poucos conseguem ir mais a fundo. Buscar essas verdadeiras razões dos nossos desejos é muito importante, é o que dá consistência a etapa seguinte do processo de realização.

Agora chegamos na “encruzilhada” que sempre deixa os desejosos pelo caminho… A ousadia é o que realmente difere os que chegam a algum lugar dos que hesitam diante do momento da escolha. Ousar significa enfrentar o medo de dar errado, de buscar seus sonhos sem nenhuma garantia de sucesso. Precisa realmente coragem, afinal quem não enfrenta o medo nunca sai do lugar. Nunca se esqueça, querido leitor (a), que devemos agradecer o medo que sentimos, já que sem ele, não há crescimento. Se alguém acha que poderá chegar a seus objetivos (sonhos) sem ousar, nem uma loteria poderá ganhar, já que para isso, também precisa comprar um bilhete…

É na ousadia que demonstramos através de ações diretas que realmente sabemos o que queremos! Nesses atos, muitas vezes nos expomos e deixamos de lado as hesitações anteriores, mesmo sentindo uma insegurança que é natural, mas que demonstra nossa capacidade de enfrentamento. Mesmo que, eventualmente, não de certo, mesmo assim houve um crescimento e nunca passaremos pelo pior dos arrependimentos: o de nunca ter tentado! Dificilmente quem ousa não atinge seus resultados, já que, mesmo com dúvidas está nascendo a confiança, qualidade indispensável ao sucesso de qualquer empreitada.

 A ousadia é muitas vezes substituída por orações e promessas. São ações que podem ajudar, mas são sempre complementares, coadjuvantes. Quem “entrega” sua ousadia a esses processos, está esperando que algum anjo, santo ou deus faça o trabalho por si. Com todo o respeito, não vai acontecer. Fé significa acreditar no que não se sabe concretamente, então ninguém tem mais fé do que a pessoa que se lança atrás de seus objetivos, afinal, não há garantias de sucesso, como dissemos anteriormente. Depois de atingido o sucesso da empreitada, cada um pode dedicar a quem quiser. As preces e orações ajudam, na medida em que nos sentimos amparados espiritualmente para a jornada que estamos por iniciar.

Por fim, a última etapa do processo da realização é o silêncio. É muito importante que, de preferência, pouquíssimas pessoas (só mesmo as necessárias) saibam do que está sendo feito. Normalmente fomos educados a dar importância demais à opinião dos outros e tendemos a buscar “apoio” a nossa mudança. Nessa hora, estamos dando a clara noção de que não temos certeza se o que estamos buscando está certo. Aqui cabe a pergunta: Para que perguntar se você já passou pelas duas primeiras etapas do “querer” e “saber”? Mesmo com o intuito de ajudar, você certamente será atrapalhado já que cada pessoa a quem a consulta for feita usará a si mesma como parâmetro e nenhuma delas é você, tem suas percepções de mundo e suas experiências anteriores que o trouxeram até esse momento. Manter o silêncio é também adubar a confiança em nós! Comentar demais significar incentivar a insegurança, já que é certo que se as opiniões não forem favoráveis em sua esmagadora maioria, você desistirá!

Confie, confie e confie naquilo que sente ser necessário, e isso passará pela qualidade de contar só com você mesmo! Qual o problema? É pouco? Todas as pessoas que alcançaram a eternidade de serem lembradas através dos tempos foram ousadas e não contaram com nenhum apoio nos seus momentos cruciais. Já os bilhões e bilhões que já habitaram esse planeta através dos tempo e passaram “em branco” queriam e sabiam que queriam muitas coisas, mas….

As quatro etapas do processo de realização são na verdade o grande “segredo”. Visualizar, se imaginar tendo conseguido atingir o objetivo é muito bom porque incentiva à primeira etapa, a do “querer”. Mas se não houver um entendimento do “saber” e não tivermos a “ousadia” de buscar através de atitudes, mantendo o “silêncio” que fortalece a confiança, nada acontecerá!

E de tanto querer e nada acontecer, o que acontece? Vai se firmando uma profunda frustração e a pior certeza de todas: de que não somos capazes, porque nada do que queremos acontece. Mas lembre, não dará nada certo até que se dobre a esquina dos vitoriosos, que se chama ousadia.

Sempre brinco com meus amigos e clientes quando estamos falando sobre isso, dizendo que qualquer pessoa pode dar um salto mortal no trapézio se tiver uma rede de segurança em baixo, e isso quase não chama atenção. Mas veja como nossos olhos se fixam e ficamos tensos só de olhar quem faz o mesmo salto sem nenhuma rede que simboliza a garantia, segurança e certeza de que não vai sofrer.

São quatro passos, porque esse é um número que indica uma mudança de etapa. Um ano tem quatro estações, a lua tem quatro fases, o mês tem quatro semanas, quatro eram os cavaleiros do apocalipse e quatro os evangelistas. Concretizar a “alquimia” de nos tornarmos realizados também tem seus quatro pilares: QUERER, SABER, OUSAR E CALAR.

Você nunca estará “pronto” para esse processo do “nada”, ou seja, ninguém acorda confiante. Isso é, como tudo, resultado de ação e enfrentamento da insegurança.

Cada mudança é uma corrida contra si mesmo, e logo após a linha de chegada você se encontrará, mais forte e confiante, pronto para a próxima, afinal a evolução não tem limites.

E isso é o “segredo do segredo”. Pronto, já não é mais, porque acabei de contar!

9 Comentários

  1. fernando canton   •  

    “Fé significa acreditar no que não se sabe concretamente, então ninguém tem mais fé do que a pessoa que se lança atrás de seus objetivos”…

    você já ouviu falar em “frase lapidar” ?…
    Parabéns Eduardo !

    fernando

  2. Leila Souza   •  

    Nesse contexto “querer” e “vontade” são a mesma coisa?

    • Eduardo O. Carvalho   •     Author

      Não Leila, a “vontade” expressa o “querer”. As atitudes são a demonstração da vontade. Não podemos confundir vontade com desejo. Abração!!!

  3. Andreia Souza   •  

    Sempre acreditei que somos exatamente o queremos ser , aliás Carl Gustav Jung já dizia “Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der”. Parabéns Eduardo!

  4. Henry   •  

    Valeu, Eduardo!
    Muito obrigado pelas dicas… Muito boas!
    Assim como os 4 compromissos, as 4 leis (segredinhos) parecem fáceis, ou pouco (em quantidade), mas se analisadas profundamente, vemos que não são bem assim…
    Vou colocar estes “segredos” na minha vida!
    Obrigado

  5. Mariana   •  

    Coinscidencia ou não…confirmei que já vivi esta experiencia!
    Obrigada

  6. Pingback: O Intermediário | Blog Eduardo O. Carvalho

  7. maria helena   •  

    olá professor Eduardo!!!!!!
    Adoro seu blog!!!
    Saudades de suas aulas!!!
    Um grande abraço!!!!!

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