Liberdade X Igualdade

fome

“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.

Mahatma Gandhi

O famoso lema da revolução francesa “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” me faz pensar na possibilidade de encontrarmos esse equilíbrio na convivência entre as pessoas. Mas isso seria mesmo fácil de realizar?

Penso que não, afinal quando buscamos a liberdade como fundamento de qualquer sociedade, temos visto que aumenta muito a desigualdade entre as pessoas. Observamos isso hoje em dia em nosso mundo globalizado, com a fachada de liberdade patrocinada pelo capitalismo feroz que vivemos. Nunca houve na história, em meu entender, uma tamanha distância entre os ditos ricos e pobres. As fronteiras “desapareceram”, mas a exclusão aumentou como nunca.

Não é possível liberdade com oportunidades desiguais, afinal os detentores de recursos estão muito aptos ao acesso as oportunidades, agora não mais só em seus países, mas com portas abertas no mundo todo. Enquanto isso, os demais ficam cada vez mais alijados de quaisquer perspectivas, já que a globalização exige cada vez mais estudo e equipamentos de toda ordem impossíveis aos que tem pouco e lutam apenas para sobreviverem. Sobreviver não é viver, nunca foi! Por isso, entendo que o capitalismo falha pela exclusão e frieza da perspectiva do lucro sobre o social.

Por outro lado, para garantirmos oportunidades iguais a todos, o que a história nos mostra é que se torna necessário diminuir a liberdade das pessoas. Por mais paradoxal que possa parecer, como observamos nos modelos socialistas e  comunistas também mal sucedidos, pelo menos até agora.

Diante das experiências que a civilização tem vivido, é lícito perguntarmos por que, tanto a liberdade quanto a igualdade se mostram antagônicos quando deveriam ser complementares?

Parece que, obviamente, faltou a fraternidade que seria não só o elo de ligação, mas  que permitiria que funcionassem em conjunto! A fraternidade respeitaria esse direito as oportunidades bem como diminuiria essa distância abissal entre os abastados e miseráveis desse mundo pelo entendimento de que não se pode viver em paz enquanto, pelas estatísticas, três mil pessoas morrem de fome por dia.

Tudo isso não aconteceria se mudássemos nossa perspectiva. Desde épocas imemoriais os seres humanos têm sido criados por uma visão de vida voltada para a escassez, de que não há o suficiente para todos. Isso nos torna competitivos e, as escolas, desde cedo vão incutindo essa mentalidade nas crianças. Precisamos “chegar na frente” sempre, por que, segundo dizem, as oportunidades são poucas. Será que são mesmo?

Sobre isso poderíamos falar muitas e muitas horas. Posso estar sendo utópico e chamado de sonhador. Talvez seja mesmo. Não sei como fazer essa fraternidade funcionar na prática, mas o que sei é que do jeito que está não funciona mesmo!

O ser humano luta pela sua sobrevivência e isso é instintivo. Fica fácil observar a doença do modelo que vivemos pelo investimento que precisamos fazer em segurança. Estamos nos enclausurando cada vez mais para fugir dos bandidos ou dos excluídos?

A filosofia tem se debatido há séculos no dilema se somos bons ou maus por natureza. Eu particularmente acho que o bem é um potencial que todo o ser humano tem e que precisa de estímulo para se desenvolver, afinal isso é evolução, sendo, portanto, uma conquista.

Mas imagino como é difícil desenvolver esse potencial com tamanha injustiça e desigualdade. Não é fácil ser bom, honesto, correto e moral com fome e falta de perspectivas. Tem vezes que acho muita graça quando dizem que somos “civilizados”…

Aguardo suas opiniões.

 

 

3 Comentários

  1. Rita Trevisan   •  

    Olá Eduardo, vendo seu post, lembrei-me de uma velha historinha que muito já circulou por aí, e aproveito para repassá-la aqui.
    Um abraço.

    Direita ou esquerda?
    Uma universitária cursava o sexto semestre da Faculdade.

    Como é comum no meio universitário, pensava que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza.

    Tinha vergonha do fato de seu pai ser de direita e, portanto, contrário aos programas e projetos socialistas que previam dar benefícios aos que não mereciam e impostos mais altos aos que tinham mais dinheiro.

    A maioria dos seus professores tinha afirmado que a filosofia de seu pai era equivocada.
    Por tudo isso, um dia, decidiu enfrentar o pai.

    Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar-lhe que estava errado ao defender um sistema tão injusto como o da direita.

    No meio da conversa o pai perguntou:
    – Como vão as aulas?

    – Vão bem, respondeu ela. A média das minhas notas é 9, mas me dá muito trabalho consegui-las. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.

    O pai prosseguiu:

    – E a tua amiga Sônia, como vai?
    Ela respondeu com muita segurança:
    – Muito mal. A sua média é 3, principalmente, porque passa os dias em shoppings e em festas. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Com certeza, repetirá o semestre.

    O pai, olhando nos olhos da filha, aconselhou:

    – Que tal se você sugerisse aos professores ou ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Sônia. Com isso, vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas convenhamos, seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.

    Ela indignada retrucou:
    – Por quê?! Eu estudei muito para conseguir as notas que tive, enquanto a Sônia buscava o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja, simplesmente, dado a outra pessoa.
    Seu pai, então, a abraçou carinhosamente, dizendo:
    – Bem-vinda à Direita!

  2. Nilsa   •  

    A meu ver, os governantes e os que detêm o poder, em sua maioria querem o povo inculto, fácil de ser manipulado.
    Se a ética e o respeito aos povos; se a divisão das riquezas estivessem em equilibrio, certamente viveríamos com mais Igualdade e Liberdade . Ainda caminhamos a passos lentos, mas acredito que é possivel mudar, que podemos com pequenas atitudes, com respeito e com dignidade fazer a diferença .

  3. Fatima   •  

    Querido amigo,

    como diz nosso mestre Crema:

    “…. a fraternidade foi esquecida”

    Um abraço

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