Grávido

               convite eduardoo

Sabiamente a natureza que não quis que os homens engravidassem. Foi uma boa medida, afinal não lidamos bem com dores e também não somos muito bons de acordar a cada duas horas. No dia seguinte tem trabalho e precisamos estar aptos a trazer comida para casa, já diriam os antigos.

Uma das maneiras metafóricas de experimentar uma gravidez é o processo de escrever e publicar um livro.

Como tudo, começa com uma ideia, quase um prazer, digamos intelectual, de deixar registrado aquilo que pensamos ou contar uma história, seja verdadeira, ficcional ou um pouco de cada. Se for esse o caso, objetivo  também é expressar nossas ideias e inquietudes, só que  colocando os personagens para falar por nós.

Depois que o texto está pronto e isso é como uma relação sexual que termina, começa o processo de gestação, que envolve a revisão (às vezes mais de uma), correções e tudo mais. Vão alguns meses nessa etapa e, muitas vezes, só o escritor, sua família e os profissionais envolvidos no projeto é que sabem que estamos grávidos. É bom não divulgar muito, já que problemas podem ocorrer e o projeto do livro ser abortado por algum motivo. Também é dolorido quando acontece por isso o sigilo faz parte para não gerar uma  ansiedade desnecessária.

Assim como os pais, a parte final do processo é de muita expectativa. Se para eles começa a procura pelo nome da criança, para o escritor é o momento de definir o título da publicação, a capa, cores, tipo de papel, diagramação,  fontes e outros detalhes. De tudo a escolha do título e da capa, para mim, é o mais difícil. Precisamos dizer e não dizer, levando o leitor, principalmente aquele que não nos conhece, a ter curiosidade de manusear o livro e se interessar por ele. A capa é como ver o rosto do bebê e por isso é também é muito importante e precisa de cuidado.

São muitas conversas, sugestões,  e a busca por desvendar o pensamento do leitor, de como ele se sentirá folheando o livro, esperando que encontre em alguma página aberta ao acaso, algo que o toque e transmita a ideia de que a obra poderá ser útil ou trazer momentos de prazer.

Depois é esperar que a impressão fique pronta e que tudo esteja conforme os modelos e testes. Nessa etapa, é como fazer os exames de ressonância magnética e ver o bebê inteiro, vendo aquelas imagens onde só o médico diz que vê alguma coisa com clareza.

 Marcamos o dia do lançamento que é como o parto, quando nosso “filho” ganha vida própria, saindo de nossas mãos e controle, ganhando sentido na mão de cada leitor.

O dia do lançamento é sempre especial e quando ele é concorrido, com muitas pessoas presentes é quase um prenúncio de que sua vida será longa e ele deixará “papai” satisfeito, caindo no gosto dos leitores e atendendo todas as expectativas.

Amanhã, estarei tendo o parto do meu segundo filho e estou convidando a todos. Assim como o anterior “Céu, inferno e outros lugares”, “61824….” tem como objetivo ajudar na busca do autoconhecimento, trazendo informações úteis para nossa vida. Mesmo podendo ser lido separadamente, sendo completo em si mesmo, é inegável que ele se une com o anterior, abordando assuntos e buscando reflexões que possam ajudar a nos entendermos melhor com a pessoa mais difícil que conhecemos; nós mesmos.

Nesses dois volumes, deixo minhas impressões como psicoterapeuta, buscando sempre uma linguagem fácil de ser entendida e é um daqueles livros que pode ser aberto em qualquer lugar, podendo ficar na sua cabeceira, para ser relido ou consultado.

“Nunca” é uma palavra que não gosto de usar, mas minha intenção com esse segundo livro é encerrar esse tipo de escrita e abordagem. Se, por acaso, um dia voltar a publicar, o assunto será outro e o estilo também.

Então, amanhã, dia 28 no Bistrô e Empório Richter, que fica ali, quase em frente ao restaurante Madalena, estarei recebendo os amigos e me despedir de mais esse “filho”, esperando que todos possam comparecer.

O horário é das 19hs às 22hs, para que, sem pressa, todos cheguem, tomem uma taça de vinho  e eu possa fazer uma dedicatória especial, esperando que o livro seja um bom companheiro.

As mulheres dirão que estar grávida é mais difícil e dolorido, concordo!

Mas como também foram quase nove meses, tem um nome que escolhi e é para ser a minha “cara”, me dei ao direito se me sentir, literariamente, grávido!

2 Comentários

  1. Simone Mior   •  

    Parabéns mestre, por mais este Filho. Muito sucesso para você.

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