E agora?

“Se você está realmente saudável e não sabe o que fazer agora, a vida perde todo o sentido. Quando uma sociedade é pobre ela é feliz, quando enriquece torna-se triste.”

Osho – O cipreste no jardim

Você já ouviu falar da angústia sem por quê?

Como psicoterapeuta já ouvi falar muitas vezes quando do meu primeiro encontro com muitos clientes. A história é mais ou menos essa, com poucas variações:

“Na verdade, não sei exatamente porque estou procurando uma terapia… Não tenho um motivo específico, nada de complicado está acontecendo. Tenho um bom emprego (ou sou meu próprio chefe), tenho família, filhos, um bom carro, casa própria. Mas sinto uma certa angústia, um vazio, uma tristeza sem motivo…”

Recebemos desde que nos tornamos mais ou menos conscientes, uma espécie de roteiro de felicidade que vem pelo meio cultural, família e, é claro, pela mídia do que é necessário para sermos “felizes” ou sermos reconhecidos como pessoas bem-sucedidas e respeitadas. O que vimos acima é esse roteiro e o que acontece é que quando atingimos as metas estipuladas ficamos esperando que essa “felicidade” chegue, junto com a tranquilidade e a segurança de nos sentirmos fora de perigo.

A questão fundamental é justamente que essa felicidade não está relacionada diretamente a atingirmos as metas materiais ou sociais, mas a vivenciarmos nossos talentos de alguma forma. Enquanto estamos na busca desses objetivos tudo vai bem, afinal estou imaginando que quando cruzar a linha de chegada estará esperando por mim tudo que me foi prometido. Só que, para aqueles que chegam (e isso está acontecendo cada vez mais cedo), onde está a recompensa?

Evidentemente que o conforto material é bom, nos proporciona oportunidades e tudo mais, mas então qual a razão de pessoas abastadas economicamente se sentirem angustiadas?

A resposta é que elas não estão vivendo suas “vocações”, aquele talento com que todos nascemos e que, quando colocado em prática, mesmo como um passatempo, nos preenche e faz todo o resto (que não traz tanta alegria assim) ser encarado com naturalidade. Nenhuma pessoa nasceu sem um dom especial, e é essa vivência que trará o que nos disseram que viria quando cumpríssemos a lista de bens e ações exigidas pelo status quo. O ser humano, como parte integrante da natureza, precisa estar sempre em evolução, buscando algo, tendo um objetivo a atingir, se realizando de alguma forma. Assim como podemos observar em qualquer fruto, quando termina o crescimento, imediatamente chega a morte…

Só os animais ditos irracionais é que vivem apenas para “sobreviver”, para nós, humanos, espera-se mais!

Muitas vezes, fico me perguntando se esse número crescente de doenças autoimunes, ou seja, produzidas pelo nosso próprio organismo, não seriam um sinal de que não estamos fazendo o que deveríamos fazer? Não há nada de errado em cumprirmos esse script, mas se ele não está nos preenchendo, nos realizando, porque não abrirmos espaço, iniciando nossa busca a fim de descobrirmos em que somos realmente bons?

Lembre que não precisa ser nada de espetacular, de grandioso ou inédito. Precisa apenas fazer sentir-se bem! Desde qualquer atividade artística, manual, esportiva ou mesmo solidária, mas que faça você perder a noção do tempo enquanto pratica.

Quanto mais conforto obtemos, mais focamos nossa força em querer mais esperando que o momento da tranquilidade chegue no próximo carro, na reforma, no título que melhorará nosso currículo, etc.

Desista, não é isso!

Não é tão difícil encontrarmos pessoas realmente felizes, mas independente de sua posição financeira, o que elas têm em comum é essa vivência, esse sentir-se “inteiro”, em paz consigo justamente por estarem sendo e vivendo, mesmo que em períodos curtos, sua verdadeira natureza. Imagine então quem faz do seu talento seu trabalho? Essas pessoas realizam suas atividades com alegria e o sucesso financeiro é sempre uma consequência. São pessoas realmente ricas, já que estão felizes com o que possuem, mesmo querendo avançar financeiramente (que é normal), não fazem disso a razão de sua atividade.

Portanto, se você, caro leitor (a) está nessa corrida, proponho um pit stop para refletir se seu trabalho ou estudo está lhe levando a essa realização, ou a ser mais uma vítima do “conto da felicidade” que continua levando alguns a terem crises, ficarem doentes, depressivos, angustiados, comendo e bebendo em excesso, etc.

Caso se descubra seguindo nesse roteiro, que não terá um final feliz, pense no que gostaria de fazer, seja como trabalho ou divertimento, que traga alegria e uma realização pessoal (nessa hora, por favor, não se preocupe com que os outros vão pensar) e traga um tempero agradável a sua vida!

Quantas pessoas conhecemos que passaram por crises agudas, doenças graves e que depois desse evento mudaram completamente suas vidas e hoje estão plenamente adequadas e alegres? Elas entenderam a mensagem da doença e fizeram as correções de rumo necessárias. Outras não tiveram a mesma sorte e fica a questão se não é essa a diferença entre os que se curam e os que perecem?

Não espere que seu corpo mande um doloroso aviso de infelicidade; traga alegria, divertimento e faça o que lhe faz bem!

1 Comentário

  1. Rubens Hochapfel   •  

    Parbens, Eduardo você foi ao ponto.
    Realmente todos esquecemos de fazer um “pit stop” para avaliar onde nos encontramos e o que procuramos (se é que procuramos alguma coisa que nos faz bem).Muito bom, essa é para acordar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *