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Alegria e Tristeza por comparação

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Penso ser importante refletirmos sobre a questão da alegria e da tristeza dentro da maneira que fomos educados. Se observarmos bem, veremos que, normalmente, fazemos tanto um como o outro por comparação, já que nossa cultura nos oferece os modelos que devemos atingir para que tenhamos o direito de nos sentirmos bem sucedidos.

Quando estamos tristes, muitas vezes experimentamos esse sentimento em relação a outras pessoas; não temos tanto sucesso, tanta beleza, tantos recursos, saberes ou mesmo tanta sorte etc. Dessa forma utilizamo-nos de parâmetros fora do nosso  próprio Ser para chegar a essa conclusão.

De outra parte, quantas vezes nos sentimos felizes pelo oposto: sinto-me bem por ser mais bem sucedido, mais belo(a),mais inteligente, ter um patrimônio maior ou ter mais sucesso em minha atividade, sempre relacionando com pessoas que conheço ou que admiro que consegui superar.

Tanto em um estado como em outro, a comparação está sempre presente e isso sempre é um motivo de insatisfação e sofrimento potencial, já que sempre posso ser ultrapassado e perder minha eventual superioridade.

Observe que, dessa forma de pensar, que atinge a maioria, deixo fora do meu alcance pessoal um estado de satisfação pessoal que pode ser mantido pelo meu próprio esforço e entendimento.

Será que não é por esse caminho que se distanciaram o “ter” e o “ser”?

Pelo critério da comparação, somente através do “ter” é que conseguirei atingir e manter um estado de satisfação comigo, já que meus parâmetros positivos e negativos estão por comparação, afinal essa alegria e tristeza podem ser de algumas formas adquiridas ou eliminadas agregando poderes(bens e valores) a minha identidade.

Já a alegria e contentamento pelo “ser” advém de um conhecimento interior, daquilo que temos de único, nossa digital existencial, o que por definição não pode ser comparado, afinal não existem duas pessoas iguais no mundo, concorda? Se sua resposta for “sim” pode parar de sofrer, afinal como comparar o que não é igual?

As conquistas materiais e de evolução espiritual convivem muito bem umas com as outras porque simplesmente não são comparáveis. Apenas faça seu próprio caminho e não utilize nada para se espelhar a não ser o que você realmente é, e onde pode chegar, o resto fica por conta de diretrizes sociais e culturais que têm outros interesses que não se preocupam muito com você.

 

Uma nova forma de ver…

 

É preciso fechar os olhos

e conjurar uma nova forma de ver (…)

um despertar que é direito inato de todos nós,

embora poucos deles façam uso.”

Plotino

 

O filósofo que viveu nos anos 200 D.C. já estava preocupado com a possibilidade da existência de uma nova “realidade” além daquela que nossa usual interpretação oferece. Conta-nos a história que ele esteve na Índia e é de lá, imagino, que tenha surgido essa preocupação.

Seu verso presta-se a uma vasta interpretação, mas para não alongarmos, poderemos dividi-lo em partes:

É preciso fechar os olhos… não há melhor maneira de iniciarmos essa busca do que esse “olhar”para dentro. Só assim podemos nos dar conta do que pensamos a cada segundo, sem controle, vagando em pensamentos e sensações negativas que turvam completamente nossa interpretação da realidade.

e conjurar uma nova forma de ver… como seria essa nova forma de “ver” se nos afastássemos dos nossos condicionamentos e de nossa educação (domesticação)? Talvez fosse como o olhar da criança que fica pasma com a realidade, antes, é claro, de que lhe digam o que é que ela está vendo. Fernando Pessoa nos convida a não pensar para ver, nada mais perfeito!

um despertar que é direito inato de todos nós… esse despertar que é nosso direito é também nossa responsabilidade evolutiva. Segundo Aristóteles “mais valente é o homem que vence os próprios desejos que aquele que vence os inimigos, pois a vitória mais difícil é a vitória sobre si mesmo”. Temos medo de assumir nossa evolução por que não queremos assumir a responsabilidade!

embora poucos deles façam uso… afinal quantos sabem que essa mudança é possível? Dos que sabem, quantos tem a ousadia de buscá-la?

Caso o caro leitor tenha essa coragem, convido-o a primeiro manter uma estreita atenção sobre si, seus pensamentos e reações. Busque nem que seja por poucos minutos alguma introspecção e procure manter-se presente de “corpo e alma” em tudo que esteja fazendo. Traga-se de “volta” quantas vezes seja necessário.

A diferença básica entre a psicologia ocidental e a oriental é que a primeira diz que a atenção não pode ser mantida e a segunda diz que pode e deve ser mantida, se pleitearmos amadurecer além dos limites tradicionais de desenvolvimento da consciência.

 

Quer arriscar-se?