A importância (?) do PASSADO

passado

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.                        Soren Kierkegaard

 

 

A psicologia tradicionalmente se debruça sobre o passado e investe longo tempo nas sessões de psicoterapia nas buscas sobre, principalmente  a infância dos clientes com o objetivo de resolver e dar melhor entendimento sobre o presente e projetar melhor o futuro. Esse procedimento é bastante lógico, afinal como já citei em artigo anterior, nossa mente é composta das nossas experiências anteriores e é, portanto, o material disponível para análise.

Quero me propor a pensar isso sobre  outro ponto de vista, sem o objetivo de invalidar a importância do passado em nossa vida, mas relativizá-lo.

Não há dúvida que somos resultado de nossa história. Tudo que passamos na vida, nos moldou e fornece o material de interpretação que temos no agora e serve para pensarmos no futuro. Também é evidente que algumas pessoas que tiveram traumas e experiências extremamente dolorosas em suas vidas, carregam essas marcas, e elas, diante de acontecimentos semelhantes ou que lembrem esses fatos, mantém fortes e intensas reações.

A questão que proponho para reflexão é a seguinte:

Porque quando estamos vivendo momentos felizes, que estejamos nos sentindo satisfeitos e plenos, o passado ou esses acontecimentos não voltam à mente e nos perturbam?

Porque que quando entramos em uma fase não tão boa, o passado volta a nos assombrar?

Para a primeira pergunta a resposta que tenho é que o presente, quando vivido de forma positiva assume seu papel de relevância, afinal não vivemos no passado, mas agora! Nesses momentos nos permitimos facilmente nos desligarmos de lembranças tristes simplesmente por que estamos bem e tristeza não combina com alegria. Isso é claro, até nos lembrarmos do velho condicionamento que “felicidade dura pouco” e ai já iniciamos a preparação para a infelicidade não nos pegar de surpresa. O que fizemos? Começamos a ficar tristes, sem nenhum motivo, a não ser anteciparmos esse sofrimento….

A resposta para a segunda pergunta é muito mais fácil; quando nossa vida não está boa, procuramos no passado as causas. Nessa hora, nossa mente faz uma “busca” procurando algo em nossa história que explique esse mau momento do presente, de preferência, onde sejamos vítimas de alguma situação anterior que tenha sido a culpada pelo nosso insucesso ou momento difícil.

Apenas defendo a tese que o passado deva ter sua importância diminuída, afinal não somos mais a pessoa que passou pela situação desagradável ou traumática. Mudamos!

Quer queiramos ou não, aceitar essa mudança não invalida o que aconteceu, mas se estamos por ai, significa que de alguma forma sobrevivemos. Então, porque não fazer disso algo positivo, como um obstáculo superado que nos deixou mais forte?

É fundamental deixarmos o passado para trás, inclusive nos recusarmos mesmo a fazê-lo de desculpa ou justificativa para o presente. Faz parte da história e só! Somente assim poderemos ter algum domínio sobre nosso futuro.

Não pode fazer bem andar pela vida carregando um imenso peso nas costas do tempo de criança, adolescente e mesmo da fase adulta. Assim não há pernas que agüentem, sem estarmos caindo a todo momento (como nossa foto abaixo) . Qual o problema de deixar tudo para trás? Não é pecado nem irresponsabilidade, mas escolher uma forma melhor de viver.

Sofrer é uma escolha, sabia?

5 Comentários

  1. Elizete   •  

    Boa Noite Prof.!
    Como sempre vc traz assuntos bem certeiros e questionáveis, prof. quero dizer que gosto muito dos seus artigos, assim como suas aulas é um espetáculo. Continuem sendo sempre esse professor que nos enche de questionamentos e desperta em cada um o seu verdadeiro quem sou, quem quero ser! Obrigada!

  2. sandra lima   •  

    Sofrer é uma escolha sim….aliás,como tudo na vida…..e estamos aqui para sermos felizes…..pena que muitos não conseguem ou não querem enxergar isto e insistem em sofrer….precisam sofrer…..quanta perda de tempo!

  3. Monica Sarah Salomon   •  

    Não existe felicidade, ninguém é feliz o tempo todo, mas sim, temos momentos marcantes, agradáveis, por isso temos que vigiar nossos pensamentos o tempo todo, e sempre fazer o possível para pensar positivo, e fazer cada dia melhor que o outro, pois tudo passa…

  4. Matheus Gomes   •  

    Eduardo, diminuir a importância do passado é com certeza um ato de “suicídio social”, afinal a experiência se mostra importante a partir do momento em que relacionamos o passado com o presente, criando assim o conhecimento, que por sua vez leva progresso e racionalização da nossa sociedade. Se mais pessoas pensassem assim como você, não haveria progresso nessa sociedade que já está bastante corrompida pelo hedonismo e epicurismo que você tanto propaga.

    • Eduardo O. Carvalho   •     Author

      Matheus, minha relativização do passado é mais em termos pessoais do que sociais. Até porque nossa sociedade, que tem se desenvolvido muito tecnologicamente, continua primária em quase todos os outros aspectos. Continuamos com guerras por todo o planeta e gente morrendo de fome por pura ganância econômica. O passado não tem sido muio útil pelo visto… Do ponto de vista pessoal, o passado pode contar minha história, somente isso. Hoje a maioria das pessoas tomaria atitudes diferentes, porque, simplesmente, mudou! Mesmo a psicanálise que se estrutura toda em cima do “ontem” já está sendo abandonada em relação a outras abordagens onde o hoje conta mais, afinal é a base do amanhã. Para Epicuro o prazer é configurado como total ausência de sofrimento e domínio sobre as emoções e sobre si mesmo. Se esse é o que conceituas como hedonismo, sem problemas de me incluir. Faço parte de tantas correntes de pensamento que até já perdi a conta, porque todos tem um pouco da verdade. Grato pelo seus comentários!!

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