A dificuldade de MUDAR

Looking over the horizon. (Image from swissre.com ad.)

Eu acho fascinante que a maioria das pessoas planeje suas férias com mais cuidado do que planejam suas vidas. Talvez porque fugir é mais fácil que mudar.
( Jim Rohn )

 

 

Quem ainda não ouviu que o ser humano tem dificuldade para mudar? A resposta para isso não é única; temos a explicação evolucionária que diz que as rotinas nos ajudam a sobreviver já que temos nossos riscos diminuídos quando estamos em terreno conhecido. Mas, afinal, o que faz com que muitas vezes evitemos mudar mesmo quando em profunda infelicidade?

Nossa mente é composta somente por memórias, pelo passado. Desde que nascemos, somos preenchidos pelo que vemos, ouvimos repetidamente, sentimos, cheiramos, etc., formando nossos conceitos e opiniões. Tudo que nossa mente tem é o nosso passado, tudo que ela analisa é baseado em experiências ou em conhecimentos anteriores, muitos deles que recebemos na nossa educação. Tomamos  decisões baseadas no que está depositado nesse “arquivo” e nos sentimos culpados quando desafiamos o que ele contém.

Buda dizia que devíamos “matar” nossos pais e Cristo aconselhava a abandoná-los. Evidente que isso é uma linguagem figurada  para que nos livrássemos desses conceitos e idéias que não são nossos, que foram impostos a todos nós. Os Sufis (místicos do Islã) utilizam uma metáfora em meu entender ainda mais bela, dizem: “Nenhuma mudança é possível antes que você morra”. Esse “morrer” na verdade é o desprender-se desse conjunto de pensamentos e idéias a que estamos amarrados, forjados, principalmente, na primeira infância.

Tomamos decisões que nem sabemos que são nossas. Quantas vezes nos deparamos dizendo coisas ou tendo as mesmas atitudes que condenamos em nossos pais, professores ou mídia por exemplo? Todo esse conteúdo está nas nossas escolhas e tomadas de rumo na vida. Mas isso é realmente seu? Sua vida seria a mesma se seus país e familiares fossem diferentes? Se seus parentes e amigos fossem outros, você estaria hoje trabalhando onde está, namorando ou casado(a) com seu parceiro(a)? Reflita sobre isso!

E é aí, justamente que está a grande dificuldade de mudar, seja o que for. Como a nossa mente só trabalha com o conhecido, o “novo” significa o desconhecido, o risco. E ainda, para piorar, procuramos uma segurança impossível de ser atingida, e que não tem a ver com o grande mistério e risco que é viver.

Acompanho no processo terapêutico que muitas pessoas estão absolutamente infelizes, deprimidas e entediadas com suas vidas, sem nenhuma perspectiva. Cenários que, tudo indica, não se modificarão, salvo um “milagre”, que, é claro, nunca acontece. Mas elas têm medo de mudar, medo que tudo possa piorar ainda mais, recusando-se a ver que mudar é uma moeda de dois lados, e que do outro está a felicidade, a evolução. Corre-se o risco de piorar? É verdade, mas também corre o risco de tudo dar certo. Mas para pensar positivamente, o obstáculo é a mente que diz: “Assim está ruim, mas pelo menos esse ruim é conhecido, mudar…sei lá, vai que piora..”

O “novo” dá medo por que é desconhecido. Não há registro do novo na mente, lá só tem o passado. Tem  aquela sensação interior que muitas vezes nos empurra para frente, mas o medo paralisa. É muito comum nos deixarmos chegar até o fundo do poço para só então virarmos fênix para ressurgirmos das cinzas. Essa situação limite parece uma desculpa para não termos outra alternativa que não seja se jogar no desconhecido. “Fiz o que pude”. “Chegou uma hora que já não agüentava mais, afinal foram tantos anos..” e outras justificativas.

É sabido por todos que a coisa mais certa na vida é a morte. Preocupo-me com o certo. Buscamos o certo e o seguro com afinco, mas não pensamos que tudo que está certo ou seguro não evolui mais, está acabado, morto. Viver é estar sempre pronto para mudar, afinal mudamos a cada segundo. Desde que você começou a ler esse artigo, milhares de células suas morreram e outras nasceram, portanto você não é mais a mesma pessoa. Isso significa que mudar de idéia,  faz parte do processo que é vivo e se desenvolve. Não tenha medo da mudança, reflita se seus conceitos de vida são realmente seus, se concorda mesmo com eles. Nem tudo que já foi bom permanece bom. Às vezes a validade expira…

A primeira mudança é de ponto de vista, já que tudo fica diferente visto por outro ângulo.

Carl. G. Jung dizia com propriedade que só seremos felizes quando formos nós mesmos.

Quem é mesmo você?

 

12 Comentários

  1. Débora L. Vegini   •  

    Muito bom este artigo!
    Após lê-lo já não sei se sou a mesma, ou melhor quem sou eu? A soma de minhas vivências, ou tudo o que vivi até hoje foram condicionamentos?
    E como buscadora … que bom que não sei quem sou, afinal se sei, não há mais evolução.
    Abraço,

  2. Mai   •  

    Muito boa a frase de início. As férias sempre me pareceram uma fuga para voltar com as baterias renovadas!

  3. Mai   •  

    Realmente mudar tudo que nos deixa infelizes é uma das coisas mais difíceis de se fazer. E se pararmos para analisar, com certeza todas as mudanças realizadas até hoje em nossas vidas de uma forma ou de outra foram positivas, o que já seria motivo suficiente para uma reviravolta. A rotina encomoda mas quando se tem que mexer com ela e encarar o risco de frente tudo fica mais complicado!

  4. Rubens Hochapfel   •  

    Eu acho que a minha evolução pela escolha está se iniciando e preciso realmente de muita coragem para não esmorecer, pois agora sinto que que é tudo ou nada. O mais ou menos, ou meio termo é morte certa.

  5. Sandra Lima   •  

    Uma das leis imutáveis da natureza é a mudança……….mudamos a todo instante,mas não nos damos conta disto…..e quando resolvemos encarar estas mudanças , principalmente aquelas mais internas, aí fica difícil,mas não impossível;é apenas uma questão de mudar o foco e tomar uma atitude!(ou várias)

  6. Ana Maria   •  

    Oi, professor… adorei o artigo, deu para matar as saudades da tua aula. Mandei para todos da Mensal XV para refrescar a memória e para cutucar… isso só prova que realmente é muito difícil mudar!!! Abraços!

  7. Ann Duwe   •  

    Essa frase é boa pra refletirmos,sobre como nós mesmos,é que tornamos as coisas fáceis ou dificeis,só com nossos pensamentos…Que incrível !

  8. Andréa   •  

    Oi Eduardo
    Para mim a mudança é difícil porque envolve questões muito profundas.Tem que ter maturidade, pois a mudança primeira é interna. Quando encontramos um clima de confiança e nos sentimos livres para ser quem somos, a mudança acontece…daí a importância da terapia. Abraço

  9. Pingback: A BUSCA DO HEROÍSMO | Blog Eduardo O. Carvalho

  10. Reinaldo de Oliveira   •  

    Olá, muito bom seu artigo!
    Confesso que sou uma pessoa muito difícil de mudar! Por que julgo que sou difícil de mudar? Por três aspectos: Primeiramente, porque uma coisa que é, jamais deixarar de ser, se um dia mudar, é por que nunca foi, fingiu ser! Segundo é que existe uma questão de respeito, e acima de tudo, de CONFIANÇA, para com o nosso semelhante! Como assim? Veja bem, ninguém gosta de está do lado de uma pessoa que muda, pois, se ela muda, como posso confiar nela? Esta é questão central: Só nos relacionamos, a medida que o outro, me dá um mínimo de confiança naquilo que fala e faz. E terceiro e mais importante, é que todo ser humano busca a VERDADE! e o que é a VERDADE? Hora se a verdade é um termo muito difícil de se descrever e existem várias definições para a VERDADE, a VERDADE só pode ser o que não MUDA! Pois o que muda é FALSO, nunca foi! Por isso essa resistência a MUDANÇA! Mesmo a VERDADE sendo uma utopia, todo mundo foge da FALSIDADE!

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