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Fortuna, a verdadeira Deusa

         “Quando nos faltam os favores da Fortuna, com frequência pelos excessos

               da nossa conduta, culpamos de nossos desastres o sol, a lua, as estrelas;

               como se fossemos patifes por fatalidade, tolos por compulsão celeste, ve-

               lhacos, ladrões, traidores por predomínio esférico; bêbados, mentirosos,

               por forças da obediência a influências planetárias”.

                                                                Shakespeare, Rei Lear, Ato 1, Cena II

                “ Há momentos em que os homens são senhores de seu destino. O erro,

                   meu caro Brutus, não está nas estrelas, mas em nós mesmos”.

                                                                  Shakespeare. Júlio César, Ato 1 Cena II

                                                                                                                                                                    deusa-fortuna

Destino, sorte, azar, carma e “linhas tortas” são alguns dos nomes que usamos para entender a contingência, ou, em outras palavras, os acontecimentos aleatórios da vida a que todos estamos submetidos e para os quais uma explicação lógica nunca é encontrada.

Já disse em artigo anterior que chamamos de “providência divina” tudo aquilo que não encontra abrigo na lógica e na racionalidade. Se pensarmos bem, encontraremos aí uma pista da razão do nascimento e, porque não, da necessidade do homem  criar religiões. Toda superstição busca no final dar um sentido ao inexplicável e nos consolar diante da força do mundo pela nossa situação vulnerável. Pensadores como Freud e Jung, aceitos no ocidente, dizem que precisamos encontrar uma maneira de conviver com essa fragilidade diante de um mundo ou vida, onde estamos irremediavelmente sujeitos a doença, a morte e a perdas de toda ordem, sem que possamos nos proteger. Toda o sistema religioso busca isso: dar um sentido (explicação) e nos consolar diante do que não podemos controlar.

Foram os antigos romanos que melhor conseguiram encontrar uma metafísica para esse dilema quando dentre tantos deuses encontraram a deusa Fortuna. Ela é responsável por tudo que nos acontece, nossa sorte e azar, o que não esperamos seja de bom ou mal é tudo obra Dela. Fortuna é uma deusa mulher, com duas características, uma física e outra de caráter: a física é que é cega e a de caráter é sua inconstância. No seu famoso livro “Consolação da filosofia”, foi assim que ela se definiu a Boécio, para que ele pudesse entender a injustiça da sua condenação à morte, sem nada de errado ter cometido. Ela o fez ver que, junto com esse “azar”, toda sua vida abastada e a possibilidade de ter se tornado alguém muito culto em função da riqueza de sua família, foi também por presente seu.

Assim, essa mulher cega e temperamental distribui sorte a azar sem saber a quem. E é dessa forma que se encontrou uma maneira inteligente para colocar uma explicação para a vida ser assim, tão sem sentido, com absurdos ocorrendo por todos os lados. A sorte e o azar não respeitam o curriculum de ninguém e uma vida correta e ascética (como pedem algumas superstições para chegarmos as recompensas divinas) não garante nada a ninguém. A deusa Fortuna, desconfio eu, além de cega provavelmente também é surda. Só assim que chegaremos a uma consolação diante do caos e do motivo de sempre estarmos “por um fio” a cada minuto da vida, seja para continuar vivo, seja para sermos presentados ou privados sem nenhuma lógica ou motivo.

Sempre estaremos criando estórias de moral, onde bem sempre vence e os malvados são punidos pelas suas ações que só buscam a vantagem ilícita. Compramos os livros, vamos aos cinemas atrás de uma vida em que haja justiça. Mas isso só acontece e tem cada vez mais público porque a realidade não é assim. Nela, o mal se dá bem e vemos injustiças de todos os tipos, todos os dias. Páginas em branco e rolos de filmes virgens aceitam uma utopia que precisamos pensar possível, para nos manter na linha, sem que finalmente nos darmos conta de que pode não haver nenhuma recompensa por boas ações. Foi talvez pensando nisso que Kant nos trouxe seu “Imperativo categórico” onde diz que o bem deve ser feito por si mesmo, sem esperar nenhuma recompensa, seja de Deus, dos outros ou do próprio ego. Ele deve ter percebido que sempre estamos de alguma forma fazendo trocas ou negócios com quem achamos que controla a vida. Que as boas ações estão sempre esperando que a vida nunca nos puna por sermos bons. Mas a deusa Fortuna é temperamental e nada vê e ouve, portando, ela pode dar seus presentes a quem não merece e punir os bons. Essa mulher insana e desprovida de relações com a realidade é, no fim, ao que parece pelo que se observa, quem sempre esteve no comando. Ela não nos vê rezando nem ouve. E agora???

Boécio, quando se deu conta dessa triste realidade, resumiu sua frustração nesse belo poema, possível apenas em quem já desistiu de procurar outra explicação onde a justiça pudesse encontrar abrigo:

                    Quando, orgulhosa, ela muda o curso das coisas

                    E como Euripo tempestuoso ela gira seu fuso,

                    Rebaixa impiedosamente os reis outrora temíveis.

                    Enganosa, mostra a face do vencido arrastada no pó;

                    Não ouve o lamento dos infelizes ou não lhes dá atenção,

                   Até se ri, cruel, dos gemidos que provoca.

                   Assim ela brinca, assim ela dá provas de seu poder

                   E oferece aos seus súditos um grande espetáculo:

                   O de um homem que em uma hora passa da desgraça à glória.

 

 De uma forma menos dramática, Epicuro e Montaigne já nos aconselhavam a vivermos nossa vida sem nos preocuparmos com os Deuses. Suas explicações (já comentadas em artigos anteriores), eram que, por serem perfeitos, com ações perfeitas, os deuses não se manifestavam na imperfeição do nosso mundo, afinal, isso não tinha a ver com a realidade deles.

Entretanto, foi Espinosa que conseguiu encaixar essa Deusa difícil de se entender em um pensamento racional. Para ele, Deus é a própria natureza que é causa única de sua própria ação. Nós, seres finitos, não temos condições de perceber essa realidade como um “todo”, por estarmos pela falta dessa compreensão, isolados desse “todo”, indefesos, arrastados em direções contrárias e por falta de entendimento não somos a “causa” de nossa própria ação. Assim, tudo pode ser “por acidente” causa ou efeito de qualquer coisa. Não entendemos, vemos só uma parte dessa realidade, por isso sofremos.

Todas as superstições que criamos têm o sentido de explicar de alguma forma pouco crível à razão o motivo de vivermos essa nossa angustiante finitude, cercado por forças que não dominamos. Imaginamos, ou temos esperança, que segundo Espinosa equivale ao medo, pelos ritos das superstições (como rezas, oferendas e promessas) conseguir controlar essa insegurança, sem entender que somos arrastados pela nossa própria falta de compreensão.

Porém, Espinosa não se contenta em constatar, ele vai além e define o real motivo das nossas incertezas, pela imprevisibilidade dos caprichos da deusa Fortuna; nossa temporalidade imprevisível, a qualidade dos bens que desejamos onde projetamos a saída dos nossos medos e, por fim, a qualidade dos próprios desejos como a cobiça imoderada de bens incertos ou desejarmos o que não é possível; que nada nos aconteça e que nos faça sofrer. Como ele próprio diz na Ética: “ A potência humana é bastante limitada e infinitamente superada pela potência das causas externas. Assim, não temos um poder absoluto de adaptar para nosso uso as coisas que estão fora de nós…Tudo que podemos desejar resume-se nesses três objetos principais: conhecer as coisas pelas suas causas primeiras, moderar as paixões (desejos) e viver em segurança e com boa saúde”.

Para alcançar os dois primeiros não é tão difícil, já que faz parte da natureza humana, no sentido de ampliarmos nossa compreensão e autodomínio. Já para viver em segurança e com boa saúde, segundo Espinosa, dependemos de causas externas a nosso controle e a isso chamamos de Fortuna, já que ignoramos seus princípios pela nossa finita capacidade, como já dito anteriormente.

Nossa liberdade é não mais “ser parte” da natureza, mas “fazer parte” dela. Compreender a natureza da Fortuna não é render-se a ela, afinal isso não muda nada, mas aceitarmos essa limitação pode fazer da insegurança essencial do humano racional, avesso as superstições, encontrar sua paz pela aceitação de sua situação e passar a usar sua vida de forma ativa e inteligente, buscando sua realização, cônscio de que ela não tem tempo determinado e circunstâncias favoráveis sempre. Mais do que algo que traga medo, os caprichos da Fortuna podem ser vistos como o tempero que traz vibração a vida. Saber escolher como interpretar, como já escrevi várias vezes, é no fim a única liberdade que ninguém pode nos tirar.

Se as mulheres são imprevisíveis na sua subjetividade, o que poderemos esperar de uma deusa caprichosa cega e, pelo visto, também surda a qualquer tipo de pedido? Fortuna continuará distribuindo seus presentes e a tirar o que pensamos nossos como sempre fez e, pelos motivos acima, de nada adianta tentar falar com ela.

Nossa racionalidade servirá para entendermos seus caprichos e nossa impotência de controlar seus desejos sempre inesperados. Por isso, descansemos.

Nossa parte é fazer nossas ações conscientes e esperar seus resultados. Mesmo que a Fortuna possa destruir nossos planos ou nos dar graças inesperadas, nossos objetivos precisam de ação para serem concretizados. Tem tanta gente nesse mundo, que vai que ela não note sua presença. Enquanto isso, toque seus planos e tenha as atitudes para fazê-los acontecer, essa é sua parte e sem essa atitude, você precisará que Ela te encontre e esteja de bom humor. Se fosse você, não contaria.

Tudo termina em um grande paradoxo: por um lado fazemos sim nosso destino com nossas ações ou pela falta delas, mas nada pode ser certo em um processo de vida, já que o que define qualquer vida é sua instabilidade e a deusa fortuna representa o inesperado, para o bom e para o ruim.

Seja o que for para acontecer, o negócio é fazermos nossa parte para encontrar o que queremos e criarmos nossa realidade, como expressão finita da infinitude que tudo cria. Só acontecerá se assim agirmos e isso nos dá, pelo menos, alguma perspectiva.

Fora disso, é contar com os caprichos de uma deusa que não te vê nem ouve.

Sei que é muito mas fácil acreditar que temos um destino já traçado e que tudo faz parte desse plano “divino”, que tudo acabará em paraíso ou inferno. Assumir a responsabilidade sobre o destino é mais difícil, mas é o que se espera do único animal da natureza que pensa e cria.

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Para saber mais:

Consolação da Filosofia – Boécio

Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa – Marilena Chaui

Montaigne e a morte

                   “Se eu fosse um fabricante de livros, faria um registro comentado das diversas mortes. Quem ensinasse os homens a morrer, ensiná-los-ia a viver. “

montaigne

Montaigne nasceu em 1533 e morreu em 1592, na França. É presença obrigatória em qualquer coletânea sobre filosofia e sua principal obra são os “Ensaios”, que manteve em constante revisão durante sua vida.

Dos considerados “Clássicos” seus escritos estão entre os mais acessíveis para o leitor. Sua linguagem é simples, direta e sem floreios gramaticais, comuns aqueles que querem fazer da filosofia um assunto somente para os “eleitos”. Montaigne fala sobre uma infinidade de assuntos, até alguns que poderão parecer estranhos para um filósofo famoso. Muitos temas se repetem aqui e ali durante seus textos, já que escreve de forma aberta, como se fosse uma conversa. Foi considerado o criador do gênero “ensaio”, que é uma escrita mais descomprometida com a rigidez, dando mais ênfase ao conteúdo do que a forma (a apresentação da obra). Não vou falar aqui sobre sua vida, mas sobre um dos muitos assuntos que fazem parte dos “Ensaios”: a morte. Se você se interessou em saber mais sobre esse cara simpático, que parece que bate um papo enquanto filosofa, no final tem um link para a primeira parte de um vídeo que fala sobre a sua trajetória. São três vídeos de menos de 10 minutos cada, onde sua vida e escolhas (algumas curiosas) poderão ser conhecidas.

Montaigne trata da morte em alguns textos que fazem parte dos “Ensaios”, principalmente: “Somente depois da morte podemos julgar se fomos felizes ou infelizes em vida”, “De como filosofar é aprender a morrer” e “De como julgar a morte”.

Quando cita Cícero afirma: “Filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte. Isso, talvez, porque o estudo e a contemplação tiram a alma para fora de nós, separam-na do corpo, o que, em suma, se assemelha à morte e constitui como um aprendizado a vista dela. Ou então é porque de toda sabedoria e inteligência resulta finalmente que aprendemos a não ter receio de morrer”.  O interessante é que ao falar da importância de não termos medo de morrer, Montaigne na verdade fala da importância de viver. Como se, quanto mais você se torna inteligente existencialmente, mais viverá bem. Quem vive uma vida boa, não tem medo de morrer. Difícil é se perceber saindo da vida sem tê-la curtido. É como se fosse convidado a uma grande festa, tivesse pegado no sono e acordasse na hora de ir embora.

A vida sem a morte não teria sentido e tudo que somos e podemos ser deve-se a morte e da nossa duração efêmera. Um tempo médio de 75 anos, por exemplo, nos empurra para ações, buscas e realizações que precisam de pressa para que possamos delas usufruir. Nossa percepção de mundo está ligada a morte como acontecimento inevitável e até esperado a partir da velhice. Não nos assusta a morte de um idoso, mas nos choca e enche de angústia a morte de um jovem ou criança, não pela aparente injustiça de algo assim ocorrer, mas, principalmente, por nos lembrar de que essa falta de regra ou ordem para morte pode nos alijar a qualquer momento dos nossos sonhos e do contato com quem apreciamos estar. Afinal, tudo se baseia na fragilidade da vida, e, ao referir-se a isso Montaigne afirma: “ a instabilidade das coisas humanas que um pormenor basta para mudar inteiramente”. Tudo está sempre por um fio, nada está garantido ou certo. Um pouco de pressa, de lembrar que pode ser hoje o último dia, não fará mal a nenhum de nós.

Assim como Epicuro, que aconselhava a não nos preocuparmos com a morte, Montaigne nos aconselha a desprezá-la, mas nunca esquecendo que ela pode chegar a qualquer momento. Quando afirma: “O remédio do homem vulgar consiste em não pensar na morte. Mas quanta estupidez precisa para tal cegueira”. Desprezá-la para que não tenhamos medo, mas não esquecer que existe.  O bom e sempre saudável “meio termo”. De outro lado, mostra que a morte também tem sua utilidade, já que pode pôr fim a nossos males e sofrimentos, sendo, portanto, positiva e um atributo de Deus.

Ao citar Sêneca, lembra que “nenhum homem é mais frágil que outro e nenhum tem assegurado o dia seguinte”, fica o aviso que nada que possamos fazer ou ter garante-nos mais um dia de vida. Temos aqui, uma visão fatalista, que defende a ideia que temos um dia pré-determinado para morrer, onde nada podemos fazer para impedir. Isso se encaixa bem com o pensamento de Montaigne, que pede que façamos a vida ter valido à pena ser vivida a cada momento.

Também percebe a importância das sensações corporais e do nosso humor na nossa relação com o pensamento, a vida e a morte. Quando diz: “Quando não me sinto bem, as alegrias da vida me parecem menos valiosas, tanto mais quanto não estou em condições de usufruí-las a morte se me afigura menos temível”.

Essa importante reflexão mostra o quanto somos vulneráveis a muitas situações que podem nos fazer até pensar na morte como uma solução, como já dito anteriormente. Na verdade, não gostamos de sofrer, seja física ou emocionalmente; queremos fugir, terminar com o que nos angustia. O pensamento da morte como solução que acompanha o estado depressivo, tão comum em nossa época, já tinha sido percebido pelo filósofo. Montaigne pode ter tido um insight que mais tarde foi trabalhado por Espinosa; que nosso corpo “pensa” tanto quanto o que chamamos consciência, sendo, no fim, tudo uma só coisa. Se o caro leitor tem alguma dúvida, lembre-se da sua última gripe, por exemplo, e veja se com o corpo dolorido, a dor de cabeça e a coriza, dava para ser otimista e ver a vida com alegria…

Montaigne fala da vida como algo “neutro”, ou seja, nem bom nem mal em si. Sua filosofia nos remete a liberdade, a escolha livre de como viver. A liberdade é inseparável da responsabilidade para todo aquele que pensa racionalmente. Sua afirmação é contundente: “A vida em si não é um bem ou um mal. Torna-se bem ou mal segundo o que dela fazeis”.

Pode parecer uma incoerência com a visão fatalista já citada, mas não é. Afinal, podemos depreender que, independente de termos um dia certo para morrer, até esse momento, é nossa liberdade fazer da vida algo bom, que tenha valido à pena!

Essa responsabilidade sempre será um problema para quem acha que sua vida é conduzida por “alguém”. Nesse quesito, Montaigne disparou uma de suas máximas: “O homem não é capaz de criar sequer um verme, mas já inventou milhares de deuses”. É essa facilidade de criar deuses e seus atributos que estão no cerne dessa mania que temos de achar que tudo está traçado. Uma boa ideia para quem pensa que se deixar levar é ter fé.

Pedimos, equivocadamente, mais tempo de vida quando lamentamos os poucos anos disponíveis. Montaigne nos convida a imaginar como seria uma vida sem fim, nos fazendo pensar que tudo perderia a graça e que até nossos sofrimentos jamais acabariam. A morte é, sem dúvida, o tempero da vida e ao que a ela traz brilho; a intensidade das convivências agradáveis, as situações inéditas, ao entendimento do fim de qualquer mal, pela própria brevidade da vida. Saber que algo bom terminará aumenta sua intensidade e se Nietzsche leu os “Ensaios”, poderá ter ali se inspirado para o conceito do “eterno retorno”.

Os filósofos modernos têm por hábito tratar um tipo de literatura denominada de “autoajuda” com certo desdém, enfatizando sua falta de conteúdo e reflexão. Pode ser verdade para algumas e até, posso concordar, para a maioria. Todavia, muitos livros assim chamados são ótimos em meu entender. Se Montaigne estivesse vivo, certamente seus escritos seriam catalogados como uma “auto ajuda” de qualidade. Isso tiraria seu valor filosófico ou reflexivo? A citação que encerra esse texto mostra bem que existem “ajudas” que se forem aceitas e tornarem-se ações de vida são muito úteis:

“Qualquer que seja a duração de vossa vida, ela é completa. Sua utilidade não reside na duração ou no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu. Meditai sobre isso enquanto o podeis fazer, pois depende de vós, e não do número de anos, terdes vivido bastante”.

A importância de Montaigne para a filosofia é inequívoca. Suas reflexões, não só sobre a morte, sobre a riqueza, a maneira de tratar as pessoas, de aceitarmos como somos e tantos outros conceitos são aplicáveis a um grande número de demandas que chegam aos consultórios de psicoterapia. Muitos o consideram o filósofo da “autoestima”, pela sua capacidade de relativizar e mostrar que de reis a plebeus a diferença não é tão grande assim.

Valeu muito para todos nós os anos que ele dedicou a meditar e escrever na torre de seu castelo, olhando para o teto lendo suas frases prediletas e observando a vida, seja em reclusão ou no seu tempo como magistrado. Com sabedoria, nivelou os principais problemas humanos tornando-os o que são; pequenos, diante de todas as possibilidades da vida pode oferecer.

Não há dúvida que a vida de Montaigne valeu a pena ser vivida e seus “Ensaios”, mais de cinco séculos depois são atuais, tendo lugar de destaque em qualquer biblioteca.

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Quer saber mais:

MONTAIGNE, M. Ensaios. Tradução Sergio Milliet. São Paulo: Nova Cultural, 1987, vol 1 (Os Pensadores).

Primeira Parte do vídeo sobre Montaige. Os outros dois estão no mesmo canal no You Tube:

Imagem de Amostra do You Tube